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Entenda como o investimento em ciência gera o conhecimento que salva vidas

Publicado em: 01/12/2020 - 06:12:00
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Sem isso, fica mais difícil combater o câncer, algo que é uma causa da humanidade. Saiba como a doação para as pesquisas desenvolvidas no A.C.Camargo Cancer Center ajuda na evolução do tratamento dos pacientes

 

O Dia de Doar, que neste ano foi celebrado em 1º de dezembro, é o gancho oportuno para reafirmar que, com o investimento em ciência, amplia-se a investigação de novos métodos para diagnosticar, tratar e reabilitar pessoas.


Investimento em saúde e tecnologia

Segundo a Dra. Vilma Regina Martins, Superintendente de Pesquisa do A.C.Camargo Cancer Center, o investimento é vital não apenas para a área da saúde, mas para uma cadeia que atinge vários níveis do conhecimento.

“Sem investimento, não formamos profissionais que produzem pesquisas, que por sua vez gerariam conhecimentos para a sociedade. E isso se dá não apenas na área da saúde, que trata, cura e melhora a vida das pessoas. Sem investimento em engenharia, a gente deixa de criar equipamentos sofisticados como os tomógrafos, equipamentos de radioterapia e cirúrgicos, ou seja, não se produz máquinas que são usadas no tratamento das pessoas”, explica a Dra. Vilma. 

“Todo um conhecimento em informática, matemática, química e biologia impacta no tratamento do câncer, direta e indiretamente”, complementa. 


Dia de Doar: olhar de médio a longo prazo 

Embora não seja muito conhecido no Brasil, o Dia de Doar é uma campanha que já está presente em mais de 60 países.

Surgido em 2012 nos Estados Unidos, o Dia de Doar foi batizado como Giving Tuesday e é celebrado na terça-feira posterior ao Dia de Ação de Graças naquele país, é uma espécie de contrapartida à Black Friday.

“A campanha se espalhou por muitos países. As pessoas entenderam a importância dessa perenidade no investimento com o olhar de médio a longo prazo, pois, sem essa captação de recursos financeiros, não se chega a grandes resultados na ciência e no combate ao câncer”, analisa Luciana Spring, Superintendente de Relações Institucionais e Sustentabilidade do A.C.Camargo.

“Pense quanto conhecimento é necessário acumular até se chegar a um medicamento ou a uma imunoterapia, por exemplo. É um trabalho contínuo”, acrescenta Luciana.

A Dra. Vilma Martins não apenas concorda como explica que a ciência é feita de “pequenos blocos”.

“É como se o conhecimento total fosse uma parede de tijolos: cada tijolo é uma parte dessa informação e precisa ficar disponível para todos os cientistas. Deve existir uma camada de tijolinhos por baixo para que uma nova camada seja adicionada. E isso vai se transformando em benefícios para os pacientes”, conta a Dra. Vilma.
 

Integração de cientistas e corpo clínico 

Um dos pilares do A.C.Camargo Cancer Center é a pesquisa translacional. Através dela, cientistas e corpo clínico trabalham juntos para identificar moléculas, mecanismos e atividades de um tumor em níveis moleculares, celulares e genômicos, que estão associados ao processo do aparecimento de um câncer, os chamados alvos terapêuticos.

“Com esses estudos, é possível desenvolver drogas que vão atuar nestes alvos. Ou identificar genes que são modificados no tumor e que estão associados ao processo tumoral, aí liga-se isso ao risco que esse indivíduo tem de desenvolver um câncer”, conta a Dra. Vilma.

A equipe também estuda biomarcadores: a partir da análise de sangue, urina, líquidos corpóreos e tumores, estes são mapeados para que o paciente com câncer seja tratado de uma forma mais individualizada, com maior eficácia e com menos efeitos colaterais.
 

Grandes achados em pesquisa

Há um número expressivo de projetos de pesquisa do A.C.Camargo que trouxeram benefícios aos pacientes com câncer.

Por exemplo, um estudo colaborativo entre os grupos de genômica e cirurgia torácica. Sabe-se que o paciente com a mutação germinativa R337H no gene TP53 apresenta um risco aumentado de desenvolvimento de câncer. Esse estudo relevou que 80% dos pacientes com câncer de pulmão que carregam essa mutação, na verdade, têm uma segunda mutação em um outro gene, o EGFR. Assim, eles podem ser tratados com uma droga que tem o EGFR como alvo. 

Outro trabalho, este desenvolvido pela equipe de oncologia cutânea e por um cientista de dados do CIPE, analisou mais de mil pacientes para entender quais características eles tinham em termos de marcadores e fatores que poderiam estar associados a riscos no tratamento, complicações cirúrgicas e probabilidade de recorrência. Esta abordagem gerou ferramentas de predição de risco denominadas nomogramas, que permitem a tomada de decisão compartilhada entre médico e paciente.

“É uma decisão compartilhada baseada em critérios objetivos, que permite tratar o paciente de uma forma mais individualizada e com maior eficácia”, encerra a Dra. Vilma.

Doutora Vilma Regina Martins, Superintendente de Pesquisa do A.C.Camargo Cancer Center
"
O investidor em ciência tem que contar com um resultado a médio e longo prazo. Podemos ver isso no conhecimento que foi gerado por vários anos de estudo – e por muitos cientistas – até que se produzisse, por exemplo, uma vacina.
Dra. Vilma Regina Martins, Superintendente de Pesquisa do A.C.Camargo Cancer Center

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