Radioterapia hipofracionada semanal apresenta boas perspectivas no tratamento do câncer de mama

Publicado em: 20/08/2019 - 15:08:02
Tratamento
Diagnóstico
Radioterapia
Tumores de Mama

Publicado no periódico The Breast Journal, estudo demonstrou bons resultados em relação à toxicidade e à ausência de recidiva local 

 

O tratamento padrão para o câncer de mama após uma cirurgia conservadora da mama consiste em 25 ou 30 frações diárias de radioterapia. Em algumas situações, hoje é totalmente estabelecido fazer esse tratamento em 15 ou 16 frações diárias – é a chamada radioterapia hipofracionada.

Evidências para um processo ainda mais curto, que prevê de cinco a dez frações diárias, ainda são escassas na literatura médica. Algo que motivou o estudo Once-Weekly Hypofractionated Radiotherapy for Breast Cancer: First Results of a Phase II Clinical Trial (Radioterapia Hipofracionada uma Vez por Semana para Câncer de Mama: Primeiros Resultados de um Estudo Clínico de Fase II). Um trabalho publicado no periódico The Breast Journal

 

Critérios

O tratamento conservador com 25 ou 30 frações diárias, bem como a terapia de 15 ou 16 frações diárias, é realizado em dias consecutivos, de segunda a sexta. “Já este ensaio clínico, que foi minha tese de doutorado no programa de pós-graduação do A.C.Camargo, avaliou um protocolo para tratar pacientes com doses mais altas de radiação em apenas cinco sessões, a cada sete dias, durante cinco semanas”, explica o autor, doutor Liêvin Matos Rebouças, radio-oncologista no Instituto do Câncer do Ceará. 

O médico foi orientado pela doutora Conceição Campos, radioterapeuta do Instituto do Câncer do Ceará, e pelo doutor José Humberto Fregnani, superintendente de ensino do A.C.Camargo. O estudo é fruto de uma parceria entre as duas instituições, sendo o A.C.Camargo responsável pela formação de diversos mestres e doutores na instituição cearense.  

De outubro de 2013 a novembro de 2015 foram incluídas no estudo 44 mulheres, com 50 anos de idade ou mais, todas com tumor mamário inicial e que tinham feito a cirurgia. Elas se submeteram ao protocolo de cinco sessões de radioterapia, em doses mais altas de radiação que o convencional.

“Houve um critério de seleção muito restritivo: mulheres com mais de 50 anos, sem linfonodos acometidos, que não fizeram quimioterapia e que se submeteram à cirurgia conservadora, a quadrantectomia. Nela, você não retira toda a glândula, mas apenas um quadrante, assim se mantém a mama, em contraponto à mastectomia”, diz o doutor Liêvin.

 

Resultados 

De todas as pacientes tratadas por este protocolo, houve recorrência distante em um caso e nenhuma recidiva local, ou seja, o tumor não voltou à mama de nenhuma paciente. “Foi o desfecho oncológico mais importante”, comemora Liêvin. 

O principal objetivo avaliado no trabalho, porém, foi a questão da toxicidade, se ela apareceria em nível além do esperado. “Na maioria dos casos ocorreu apenas uma toxicidade leve, como uma pequena reação cutânea, totalmente em linha com as poucas publicações que já existiam”, analisa o médico.

Ao final da radiação, 30 pacientes (68,2%) apresentavam algum grau de dermatite por radiação, sendo o eritema cutâneo o evento adverso agudo mais comum. 

 

Próximos passos

Apesar das boas perspectivas, os resultados do artigo científico não são definitivos. “Não dá para dizer que esse fracionamento em cinco sessões já pode ser estabelecido como padrão, como ocorre com o fracionamento em 15 sessões, que já é um hipofracionamento. Mas ele abre caminhos para novas perspectivas de se usar fracionamentos mais curtos como alternativa no câncer de mama”, conclui o doutor Liêvin Matos Rebouças. 

Para conferir o estudo completo (em inglês), clique aqui.

Avaliação de conteúdo

Você gostaria de avaliar esse conteúdo?
Esse conteúdo foi útil?
Gostaria de comentar algo sobre esse conteúdo?

Veja também

Tratamento de tumor gastrointestinal diagnosticado cedo tem sucesso acima de 60%, mas maioria dos casos é descoberta tardiamente
Dados epidemiológicos anunciados pelo A.C.Camargo, centro de referência mundial em ensino, pesquisa e tratamento de câncer, demonstram que o diagnóstico precoce de tumores gastrointestinais é fundamental para o sucesso do tratamento, possibilitando que entre 6 e 9 a cada 10 pacientes estejam vivos cinco anos...
O mundo depois da vacinação contra a Covid-19
.video-container { position: relative; padding-bottom: 56.25%; padding-top: 30px; height: 0; overflow: hidden; } .video-container iframe, .video-container object, .video-container embed { position: absolute; top: 0; left: 0; width: 100%; height: 100%; } Mais: - Agende sua consulta
Tumores renais: a excelência em pesquisa no A.C.Camargo Cancer Center
Conheça o trabalho desenvolvido pelo corpo clínico O A.C.Camargo Cancer Center tem um papel de relevância e liderança no âmbito da pesquisa sobre tumores renais. “Somos o centro que mais produz literatura científica sobre câncer renal na América Latina, o que mais publica, uma tradição...
Dia Nacional do Doador de Sangue
Confira as principais informações, mitos e verdades sobre doação de sangue, um gesto que pode salvar muitas vidas Em 25 de novembro é celebrado o Dia Nacional do Doador de Sangue. O objetivo da data é agradecer a todos que doaram sangue e também conscientizar...
ASCO 2019: estudo em parceria com o A.C.Camargo aponta avanços no tratamento do câncer de próstata metastático sensível à castração
Trabalho contou com a participação do oncologista clínico Aldo Lourenço Dettino Em parceria com o A.C.Camargo, o estudo The Targeted Investigational Treatment Analysis of Novel Anti-androgen (TITAN)/A análise de novo Tratamento investigacional direcionado anti-andrógeno publicado em uma das principais revistas científicas do mundo, a The...