Os exames essenciais para diagnosticar o câncer de mama em mulheres com alto risco

Publicado em: 08/10/2019 - 16:10:14
Diagnóstico
Pesquisa
Exames
Tumores de Mama

Pesquisador do A.C.Camargo Cancer Center publica artigo que discute os papéis da mamografia e da ressonância magnética

A ressonância magnética é reconhecidamente a modalidade de exame de imagem mais precisa para o rastreamento do câncer de mama em mulheres com alto risco. Mas a mamografia não seria também necessária nessa população? 

As formas de detecção desse tipo de tumor foram discutidas no artigo Breast Cancer Screening In High-Risk Women: is MRI Alone Enough? (Rastreio do Câncer de Mama em Mulheres com Alto Risco: a Ressonância Magnética é Suficiente?).

Trata-se de um editorial publicado na revista científica Journal of the National Cancer Institute, da Universidade de Oxford, cuja coautoria é de Almir Bitencourt, médico titular do Departamento de Imagem do A.C.Camargo Cancer Center.

Instituições de peso como a National Comprehensive Cancer Network e a Sociedade Americana do Câncer, por exemplo, recomendam a realização de uma ressonância magnética da mama anual para mulheres que integram o grupo de alto risco, que devem ser feitas a partir dos 25 anos de idade, no máximo a partir dos 30.

Além da ressonância, a diretriz dessas instituições prevê que as mulheres se submetam também à mamografia, a partir dos 30 anos.

 

Alto risco de câncer de mama

Mulheres com os seguintes fatores de risco têm maior chance de desenvolver câncer de mama: quem carrega o histórico de radioterapia torácica entre 10 e 30 anos; portadoras de mutações BRCA e suas parentes de primeiro grau; portadoras da síndrome de Li-Fraumeni e outras síndromes de predisposição de alto risco; chance de câncer de mama igual ou superior a 20%, com base em modelos de avaliação de risco como a hereditariedade. 

 

Afinal, a ressonância é suficiente?

“Como a ressonância apresenta maior sensibilidade para o diagnóstico de câncer de mama, alguns trabalhos mais recentes sugerem que a mamografia acrescenta pouco ao rastreamento em alguns subgrupos”, afirma o Dr. Almir Bitencourt. 
“Por exemplo, o estudo de Chiarelli et al. demonstrou que a mamografia não apresenta benefício nas pacientes abaixo de 40 anos”, complementa o especialista, em referência à pesquisa Performance Measures of Magnetic Resonance Imaging Plus Mammography in the High Risk Ontario Breast Screening Program, publicada na mesma revista.

Além disso, a ressonância é um método preferível de rastreamento nessa faixa etária, pois não emite radiação.

“Nas pacientes com idade mais avançada, especialmente de 50 a 69 anos, continua sendo importante associar a ressonância à mamografia”, avisa Almir Bitencourt.

Novos estudos devem ser realizados para garantir a melhor estratégia de rastreamento para essa população.

Para conferir o artigo completo (em inglês), clique aqui.

Avaliação de conteúdo

Você gostaria de avaliar esse conteúdo?
Esse conteúdo foi útil?
Gostaria de comentar algo sobre esse conteúdo?

Veja também

Estudo mostra que o PEM (mamografia por emissão de pósitron) é capaz de detectar câncer com precisão
A mamografia por emissão de pósitron (PEM) pode ajudar a identificar câncer em mulheres com microcalcificações na mama? A pergunta é também o título de um dos nossos estudos, publicado na revista European Radiology, importante publicação da área de radiologia. É o tema da tese...
Leucemia, linfoma e mieloma: atenção aos sinais e sintomas
Leucemia, linfoma e mieloma são tumores hematológicos que merecem total atenção. Sim, a pandemia de Covid-19 permanece em curso, mas o câncer não espera. Por isso, o A.C.Camargo Cancer Center conta com um Atendimento Oncológico Protegido, para que seus pacientes possam vir à Instituição para...
Câncer colorretal metastático: células tumorais circulantes como prognóstico
Conduzido pelo corpo clínico do A.C.Camargo Cancer Center, trabalho foi apresentado na ASCO GI 2020, em San Francisco O câncer colorretal é, no Brasil, o segundo mais frequente entre as mulheres e entre os homens, descontando-se os tumores de pele não-melanoma. Esses dados, atualizados em...
Dermatoscopia, dermatoscopia digital e microscopia confocal, os exames que ajudam a diagnosticar o câncer de pele
Conheça os procedimentos de imagem que auxiliam na identificação de tumores cutâneos Dermatoscopia, dermatoscopia digital e microscopia confocal são exames de imagem complementares que auxiliam no diagnóstico do câncer de pele. Essa associação de técnicas permite a identificação de lesões ainda sem critérios clássicos de...
Dr. Eduardo Bertolli apresenta novo nomograma no congresso da European Association of Dermato Oncology
O modelo matemático prevê a probabilidade de linfonodo sentinela comprometido por melanoma Em 26 de abril, o doutor Eduardo Bertolli, cirurgião oncológico do Centro de Referência de Tumores Cutâneos, apresentou no congresso da European Association of Dermato Oncology (EADO) um novo nomograma desenvolvido por ele...