Inibidores de PARP: estamos vivendo uma mudança de paradigma?

Publicado em: 17/05/2019 - 20:05:26

Medicamento atua inibindo enzimas relacionadas às mutações BRCA1 e BRCA2 presentes no desenvolvimento de câncer de ovário

Os inibidores de PARP. estão quebrando paradigmas no tratamento de câncer de ovário. O medicamento, que funciona como uma quimioterapia oral, tem sido utilizado para tratamento de uma parcela das pacientes que possuem uma mutação nos genes BRCA1 e BRCA2. 

O assunto foi destaque na palestra  Inibidores de PARP. Estamos vivendo uma mudança de paradigma?, da ginecologista oncológica do Stephenson Cancer Center, Kathleen Moore, durante o painel de câncer de ovário no Next Frontiers to Cure Cancer, congresso do A.C.Camargo Cancer Center.

Mutações BRCA 1 e BRCA 2

Os genes BRCA1 e BRCA2 estão correlacionados com o câncer de ovário: as mulheres que possuem o primeiro gene apresentam 45% de chance de desenvolver esse tipo de câncer; já as portadoras do segundo gene têm 25%.

Nas últimas décadas, estudos clínicos estabeleceram relações entre alguns genes e a predisposição a tipos específicos de câncer. A associação entre mutações nos genes BRCA1 e BRCA2 e a predisposição ao câncer de mama e ovário hereditário (HBOC) foi bem estabelecida e estas mutações no grupo de genes BRCA são responsáveis por 5% dos cânceres de mama em torno de 18% dos cânceres de ovário.

De olho nisso, durante a palestra,, a médica destacou a importância do mapeamento destes genes para tratamento e prognóstico das pacientes. “Nos Estados Unidos, apenas 50% das mulheres com câncer de ovário realizam o teste genético para identificar as mutações. Precisamos melhorar esse quadro”, complementou.

Como funcionam os inibidores de PARP?

Com a mutação identificada, o tratamento inicia-se com o uso dos inibidores de PARP. O medicamento age inibindo as enzimas PARP, que fazem parte da via onde o BRCA atua. Dessa forma, os inibidores de PARP atuam evitando a multiplicação e eliminado as células cancerosas. Atualmente, há disponível quatro medicamentos desta linha: Olaparib, Rucaparibe, Niraparibe e Talazoparib.   

Os resultados de eficácia dos medicamentos têm sido bastante promissores. De acordo com Kathleen, há diversos estudos em andamento que estão avaliando o uso dos inibidores concomitantemente com outras drogas e tratamentos, como a imunoterapia, e para outros tipos de tumores. “Nos próximos cinco anos, teremos uma nova quebra de paradigma no tratamento do câncer de ovário: usaremos os inibidores de PARP para todos os casos, mesmo para aqueles que não são portadores da mutação BRCA”, contou. 

Avaliação de conteúdo

Você gostaria de avaliar esse conteúdo?
Esse conteúdo foi útil?
Gostaria de comentar algo sobre esse conteúdo?
Ao continuar você confirma ter ciência de nossa Política de Privacidade e dos respectivos Avisos de Privacidade e Proteção de Dados presentes em nosso Portal de Privacidade.
CAPTCHA
Esta pergunta é para testar se você é humano e para evitar envios de spam

Veja também

A mamografia e o tumor de intervalo: entenda a relação
Em 5 de fevereiro, comemoramos o Dia Nacional da Mamografia. Esta data precisa mesmo ser comemorada, pois a mamografia é o exame capaz de diagnosticar o câncer de mama em seus estágios iniciais e salvar vidas de mulheres. O câncer de mama está em primeiro...
O papel do enfermeiro navegador e seu impacto na jornada oncológica
Durante a jornada oncológica, pacientes do A.C.Camargo Cancer Center podem contar com a expertise dos enfermeiros navegadores. São profissionais altamente especializados em oncologia que atuam como um elo entre o paciente e todas as equipes (assistenciais e administrativas), desenvolvendo um trabalho fundamental para melhorar os...
"O homem não pode se descuidar de jeito nenhum!"
Sou Carlos Levy, tenho 75 anos, funcionário público aposentado e pai de cinco filhos. Também sou avô dos meus quatro queridos netos e casado com o amor da minha vida, Amália. Desde meus 50 anos tenho um compromisso comigo mesmo: fazer meus exames periódicos. Sigo...
15/09 - Dia Mundial de Conscientização sobre Linfomas
A conversa de hoje é sobre linfomas. Entre os 10 tipos de câncer mais frequentes na população brasileira está o linfoma, que é caracterizado pelo aumento de um gânglio linfático, causando um "inchaço" no local. Existe até um Dia Mundial de Conscientização sobre Linfomas, que...
2020, O Ano do Profissional de Enfermagem
Saiba mais sobre essa especialidade vital para o cuidado. Clique aqui caso tenha problemas para acessar o vídeo abaixo. video { width: 100%; height: auto; }