Genética

Testes genéticos: a popularização e o futuro na saúde

Linha Fina

Assista ao debate em vídeo e saiba como é possível se antecipar a um eventual câncer

Testes genéticos: a popularização e o futuro na saúde. 

Esta aí, na oncogenética, uma forma de se antecipar a um eventual tumor que ainda há de se tornar mais comum.

Assista ao debate em vídeo e saiba mais:

Pesquisa no câncer: conheça três entre as mais revolucionárias

Linha Fina

São estudos que revelaram fatores de risco importantes para desenvolver tumores nos últimos 50 anos

A pesquisa no câncer é um dos pilares do A.C.Camargo Cancer Center. Em nosso CIPE (Centro Internacional de Pesquisa), o estudo de hoje se torna o tratamento de amanhã, que cura ou melhora a qualidade de vida dos nossos pacientes.

E é assim nos centros de excelência mundo afora. Essa é a premissa da integração de diagnóstico, tratamento, ensino e pesquisa do câncer, o modelo que adotamos aqui no A.C.Camargo Cancer Center, assim como nos principais Cancer Centers do mundo.

Uma evolução do conceito de saúde em oncologia para aprofundar constantemente o conhecimento sobre a doença e gerar inovação. Para nós, a pesquisa é um tema de extrema relevância. 

Para comemorar o 50º aniversário da Lei Nacional do Câncer nos Estados Unidos, a revista científica Cancer Research, da AACR (Associação Americana para a Pesquisa do Câncer, em tradução livre), compilou algumas das descobertas mais marcantes em uma lista intitulada Cancer Research Landmarks.

Nela, foram destacados 23 estudos marcantes publicados no periódico durante esse período e queremos aqui compartilhar três deles. 


Pesquisa no câncer: imunoterapia e outros marcos

Esses artigos abrangem toda a gama da pesquisa do câncer – desde a identificação dos fatores de risco e alterações celulares associadas ao aparecimento e à progressão do câncer até o desenvolvimento de terapias revolucionárias contra os tumores. 

Conheça abaixo um resumo de três deles – para ter acesso aos estudos da lista toda (em inglês), clique aqui.


1988 - Identificação do ato de fumar e beber como fatores de risco para câncer de boca e faringe

O Dr. Joseph Fraumeni, Jr. e seus colegas compararam o uso de tabaco e álcool entre 1.114 pacientes com câncer de orofaringe e 1.268 indivíduos pareados sem a doença, representando quatro áreas distintas dos Estados Unidos.

Os pesquisadores concluíram que os fumantes tinham um risco mais de 200% maior de câncer de orofaringe do que os indivíduos que nunca fumaram. Da mesma forma, o consumo pesado de álcool foi associado a um aumento de quase 800% no risco de câncer de orofaringe. 

Fraumeni e colegas também observaram que a cessação do tabagismo reduziu significativamente esse risco.

Como se sabe, essas descobertas tiveram implicações além do câncer de orofaringe – hoje, o tabaco é um fator de risco bem estabelecido para vários tipos de câncer, incluindo formas agressivas como câncer de pulmão e pâncreas.


1990 - Células relacionadas ao câncer de mama

O Dr. Samuel Brooks Jr. comandou um estudo que permitiu várias descobertas importantes sobre a biologia das células mamárias normais, bem como as alterações genéticas e celulares básicas que levam ao desenvolvimento do câncer de mama.

Entre essas descobertas fundamentais está o melhor entendimento de como as alterações dos principais oncogenes (HER2, PTEN, TP53 e BRCA1) contribuem para o desenvolvimento do câncer de mama.


2004 - Abrindo o caminho para a imunoterapia

Hoje, a imunoterapia – estratégia que estimula o organismo a identificar as células cancerosas e atacá-las com medicamentos que modificam a resposta imunológica – é uma modalidade de tratamento muito bem estabelecida. 

Mas isso não ocorria até a publicação dessa pesquisa pela equipe do Dr. Augusto Ochoa, que demonstrou a existência de células mieloides imunossupressoras no estroma tumoral.

Ao classificar as populações de células de tumores de camundongos, eles descobriram, entre outras coisas, que a inibição da enzima arginase aumentou a atividade antitumoral em modelos de camundongos, destacando a possibilidade de regular terapeuticamente a imunidade antitumoral no microambiente tumoral.

Desta forma, esse estudo lançou as bases para pesquisas subsequentes sobre o aprimoramento da imunoterapia, compreendendo as diferenças entre as células mieloides no tecido tumoral e as dos órgãos linfoides, além de explorar os inibidores da arginase como terapia contra o câncer.

Mitos e verdades sobre a leucemia

leucemia, ainda que bastante conhecida pela população, é cercada de mitos relacionados aos seus fatores de risco. 

Veja a seguir os mais frequentes: 

A anemia pode se transformar em leucemia?

Mito. A anemia pode ser um sintoma, mas não um fator de risco para o desenvolvimento da leucemia.

As causas mais comuns de anemia na população são relacionadas à ausência de algum elemento no organismo. A mais comum é por deficiência de ferro, que pode estar relacionada à dieta ou por perda crônica de sangue. A anemia hemolítica (doença autoimune onde os anticorpos atacam os glóbulos vermelhos do próprio organismo) também não predispõe à leucemia.

No entanto, a exceção à regra ocorre somente se o paciente tiver uma síndrome mielodisplásica, doença da medula óssea que se inicia como anemia e posteriormente pode se desenvolver em uma leucemia. O ideal é sempre manter seus exames em dia e seguir as recomendações médicas. 

O tabagismo aumenta a predisposição para leucemia?

Verdade. Entre as diversas substâncias tóxicas encontradas no cigarro, algumas podem aumentar a incidência de cânceres hematológicos, como a leucemia. Elementos como metais pesados e o benzeno são os principais influenciadores. O tabagismo durante a gravidez pode influenciar no desenvolvimento dessas doenças para os filhos.

A alimentação não interfere no risco de leucemia?

Verdade. Apesar de os hábitos alimentares saudáveis serem importantes para a prevenção de tumores sólidos, como no intestino, na mama e no abdômen, não há estudos que apresentam a ligação da dieta com o risco de desenvolver leucemia. De qualquer modo, a alimentação balanceada colabora para a saúde como um todo e permanece como questão importante no cotidiano.

Medula espinhal e medula óssea é a mesma estrutura?

Mito. Quando se ouve a expressão "doação da medula óssea", costuma-se associar à estrutura localizada na região das costas, por dentro das vértebras. No entanto, essa é a medula espinhal - uma continuação do Sistema Nervoso Central.

A medula óssea está na parte de dentro de todos os ossos, em uma região conhecida como tutano. Atua na fabricação de todos os componentes celulares do sangue e, caso sua produção seja danificada, pode desencadear em doenças como a leucemia. A doação de medula óssea também pode ser importante para o tratamento desse câncer.

Somente quem tem contato com produtos químicos desenvolve leucemia?

Mito. A exposição a produtos químicos, como agrotóxicos, pesticidas e herbicidas, pode ser um fator de risco para o desenvolvimento da leucemia. Outras causas, como síndromes hereditárias e o tabagismo, também podem predispor a esse câncer hematológico, que ainda apresenta muitos casos de origem desconhecida. Mantenha seus exames em dia e siga sempre as orientações médicas. 

Leucemia tem cura?

Verdade. Receber o diagnóstico de um câncer nunca é um momento fácil, mas é preciso lembrar que a leucemia tem cura. Atualmente, todos os tipos dessa doença são tratáveis e, em grande parte das vezes, podem ser curados. Porém, para que isso aconteça, é preciso identificar o câncer precocemente e determinar, por meio de exames, qual o tratamento mais adequado. 

Crianças são muito suscetíveis à leucemia?

Mito. O câncer em crianças e adolescentes (de 0 a 19 anos) é considerado raro quando comparado com o câncer em adultos, correspondendo entre 2% e 3% de todos os tumores malignos registrados no Brasil, de acordo com o Instituto Nacional do Câncer (Inca). Os tipos de câncer que aparecem em crianças e adolescentes são diferentes dos que ocorrem em adultos e costumam responder bem à quimioterapia. Como a quimioterapia, porém, tem efeitos de longo prazo, crianças que passam pelo tratamento precisam ter acompanhamento pelo resto da vida. 

Leucemia é o câncer que tem origem na medula óssea, onde são produzidas as células do sangue. Da medula, células leucêmicas atingem o sangue e, a partir dele, podem infiltrar os gânglios linfáticos, o baço, o fígado, o sistema nervoso central, os testículos e outros órgãos. Outras neoplasias malignas da infância, como neuroblastomas, linfomas e sarcomas, têm origem em outros órgãos e podem ter metástases para a medula, mas não são leucemias. 

A medula óssea é o tecido que fica no interior dos ossos (o tutano) e onde todas as células do sangue (glóbulos vermelhos, brancos e plaquetas) são produzidas. 

Nas crianças, a medula ativa é encontrada em praticamente todos os ossos, enquanto nos adolescentes ela é encontrada principalmente nos ossos planos ou chatos (crânio, omoplatas, costelas, esterno e pelve) e nas vértebras. 

A medula é composta de células-tronco do sangue, também chamadas de células hematopoiéticas, células gordurosas e tecidos que ajudam no crescimento e amadurecimento das células sanguíneas. 

Quando as células-tronco do sangue se dividem, elas dão origem a uma nova célula-tronco e a uma célula primitiva que vai dar origem a células maduras como os glóbulos brancos, os glóbulos vermelhos e as plaquetas, que atuam na coagulação do sangue. 

Quando uma criança desenvolve leucemia, essas células se tornam anormais, não realizam suas funções e se multiplicam rapidamente, tomando o lugar das células saudáveis na medula e no sangue. 

Há dois tipos principais de leucemias, dependendo do tipo de célula-tronco em que têm origem. 

As células-tronco linfoides normais produzem diferentes tipos de glóbulos brancos para combater infecções. Na leucemia linfocítica (ou linfoide), elas não apenas proliferam demais, como também não conseguem lutar contra infecções. Já as células-tronco mieloides produzem diferentes células do sangue, tanto glóbulos vermelhos como brancos e plaquetas.

Na leucemia mieloide, um glóbulo branco imaturo, chamado mieloblasto, torna-se canceroso e passa a se multiplicar rapidamente, tomando o lugar das células saudáveis. As formas agudas representam praticamente 95% de todos os tipos de leucemia na infância (aproximadamente 75% são leucemia linfoide aguda e 20% leucemia mieloide aguda). 

As formas crônicas representam menos de 5% de todos os casos de leucemia na infância, na maioria, do tipo leucemia mieloide crônica. 

É possível retomar as rotinas cotidianas após o tratamento de leucemia?

Verdade. O tratamento para a leucemia mieloide aguda pode durar meses ou anos. Quando o tratamento termina, os médicos irão acompanhar o caso de perto por alguns anos. Por isso é muito importante comparecer a todas as consultas de acompanhamento. Nestas consultas o médico sempre o examinará, conversará com você sobre qualquer sintoma que tenha apresentado, poderá pedir alguns exames de laboratório ou de imagens para acompanhamento, reestadiamento da doença e avaliação dos efeitos colaterais.
 

Oncogenética e câncer de mama: rastreamento genético pode salvar vidas

Linha Fina

Conheça como é realizado o serviço de sequenciamento genético com foco em oncologia do A.C.Camargo Cancer Center, que pode predizer casos com base na história do seu DNA

Oncogenética: você já ouviu falar? A técnica identifica, através de um exame de sangue ou swab nasal, o painel genético a partir do DNA normal do(a) paciente.

Esse material é levado até o laboratório do Departamento de Oncogenética do A.C.Camargo, onde é analisado os principais genes associados com risco oncogenético. Assim, é possível direcionar a melhor prevenção para cada membro da família analisado.

Mas é possível evitar um câncer a partir de um sequenciamento genético?

Essa pergunta certamente teria outra resposta poucos anos atrás. Hoje sabemos que as variantes genéticas mais comuns nos genes BRCA1 e BRCA2 explicam apenas 25% dos casos de câncer de mama antes dos 40 anos. Hoje em dia, com os painéis de câncer hereditário, é possível estudar dezenas a centenas de genes comuns - os raros e os ultrarraros, que sobe para 40%.

Oncogenética e câncer de mama

A chance de um câncer de mama esporádico ocorrer em uma mulher é de 12% até os 90 anos. O rastreamento populacional genético visa detectar esse tipo de tumor e a mamografia é o método com melhor custo-efetividade, considerando sua sensibilidade na detecção e valores.

Contudo, essa técnica não serve para os casos considerados “hereditários”.

O painel do câncer hereditário inclui a análise dos principais genes associados com risco oncogenético e servem para direcionar a melhor prevenção para cada membro da família.

Como funciona

Depois de coletado o material em nossa Instituição, o aconselhamento genético deve ser agendado previamente para que o médico oncogeneticista faça a escolha do painel genético mais adequado pelo histórico pessoal e familiar de tumores benignos e malignos.

Fazemos o aconselhamento pós-teste para discussão das melhores opções de prevenção com base no risco oncogenético. Isso inclui periodicidade em exames e acompanhamento médico.

A partir dos resultados obtidos no rastreamento, a paciente pode contar com várias alternativas para prevenir o câncer.

Algumas preferem só acompanhar com exames semestrais e estão satisfeitas com essa decisão. Outras mulheres preferem reduzir o risco com cirurgia preventiva. Temos pacientes que optaram por ter seus filhos primeiro, amamentaram e só depois quiseram fazer a mastectomia, por exemplo. Hoje em dia, todas as alternativas são possíveis.

Ressaltamos que ainda existem medicamentos que reduzem o risco em até 50%, mas o mais importante não é somente decidir o programa de prevenção, mas sim adotar novos hábitos de vida, com dieta balanceada, saúde mental e atividade física regular.

Câncer de mama é hereditário?

A grande maioria dos casos de câncer diagnosticados geralmente atinge mulheres após a menopausa e podem ser determinados pelo estilo de vida (sedentarismo, obesidade), exposição hormonal (pílula anticoncepcional e reposição hormonal) e pelo envelhecimento das células pela idade (câncer esporádico).

Já um a cada dez casos de câncer de mama existe componente genético familiar forte, chamadas de variantes em genes de alto e moderado risco. São conhecidos como "câncer hereditário", geralmente afeta mulheres jovens ou que tiveram mais de um tumor, que tem história de câncer de mama, próstata, ovário ou pâncreas na família, ou ainda aquelas com tumor do tipo ‘triplo negativo’ ou ’luminal B-HER’; e origem Judia Ashenazita.

Nas mulheres portadoras de uma variante de alto risco, o risco de câncer de mama até os 90 anos chega ser até oito vezes maior. Por último, dois em cada dez casos de câncer de mama são causados por variantes genéticas em genes de baixo risco, chamado de "risco poligênico", que ao interagir com fatores de risco, aumentam a chance de câncer de mama, podendo até dobrar o risco, sendo chamados "familiais".

Oncogenética no A.C.Camargo

Para agendar uma consulta com um médico oncogeneticista do A.C.Camargo é muito fácil e pode ser presencial ou telemedicina. Contamos com um centro de excelência diagnóstica em oncogenética e oncogenômica com testes que variam desde R$ 550 (para checagem de uma variante já detectada) e uma familiar, de R$ 2300, um painel de câncer hereditário com 112 genes comuns, raros e ultrarraros.

Fonte: Dr. José Claudio Casali da Rocha
Médico geneticista do A.C.Camargo Cancer Center
CRM: 94357

 

Projeto Tarsila - O estado da arte da oncologia de precisão no Brasil

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Entenda como o projeto envolve testes moleculares oncológicos no Brasil em um estudo científico com os principais centros de medicina genômica do país

O Projeto Tarsila – estudo 100% brasileiro, com a coordenação do A.C.Camargo Cancer Center – tem o objetivo de proporcionar uma base científica para comparação técnica da qualidade e das taxas de sucesso dos testes de oncologia de precisão, realizados localmente entre laboratórios e hospitais que são referência em diagnóstico oncológico molecular. 

Dentre as vantagens de se realizar os testes moleculares localmente podemos destacar a agilidade no resultado, a qualidade técnica dos testes e o acesso e segurança aos dados genéticos dos pacientes. 

Quer saber mais sobre o tema? Participe do evento do Projeto Tarsila: o estado da arte da oncologia de precisão no Brasil, nos dias 19 e 20 de outubro! 

Serão dois dias de conteúdo gratuito, 100% online, em que você terá acesso às descobertas científicas mais relevantes que surgiram a partir do Ring Study, realizado no Projeto. 

Além disso, você terá acesso exclusivo às apresentações de profissionais renomados na pesquisa e no diagnóstico de oncologia de precisão no Brasil. 

Para saber mais sobre o Projeto Tarsila e participar do seu lançamento, clique aqui.

Genômica: no A.C.Camargo, você descobre antes se há risco de câncer – e o previne

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Testes genéticos feitos na Instituição mapeiam fatores hereditários e garantem o diagnóstico precoce de um eventual tumor, além de personalizar o tratamento de quem foi diagnosticado com trunfos como a biópsia líquida

Genômica: estima-se que de 5% a 10% dos tumores malignos sejam de origem hereditária. Parece pouco, mas trata-se de uma grande parcela da população mundial.

É aí que entra a genômica, que verifica diretamente no DNA se a pessoa tem um risco aumentado de câncer devido à hereditariedade e orienta uma prevenção com mais precisão. E, caso a pessoa seja diagnosticada, personaliza o tratamento dela, considera suas peculiaridades. 

Ou seja, ao fazer um teste genético, você pode identificar um eventual risco e monitorá-lo, garantindo o diagnóstico precoce e, logo, um tratamento mais adequado e com o desfecho mais promissor.

Pois o câncer não é uma ciência exata: um tumor de mama de uma pessoa pode ser diferente do câncer de outra.

Assim, no A.C.Camargo Cancer Center, cientistas e médicos dedicam-se a estudar os genes dos pacientes e de seus tumores para identificar alterações associadas ao câncer. E, com o apoio da equipe de aconselhamento genético, você vai entender e tirar dúvidas sobre como reduzir seu risco oncogenético. 

“Os testes genômicos ajudam na individualização da prevenção contra o câncer nos casos hereditários.  Estes testes personalizam a prevenção e o diagnóstico precoce através da análise de variantes genéticas, a fim de identificar se uma pessoa tem um risco maior ou menor e ajustar a prevenção de acordo com esse risco”, explica o Dr. José Claudio Casali da Rocha, head do Departamento de Oncogenética do A.C.Camargo.


Genômica: os tipos de testes genéticos 

Conhecer os genes associados à predisposição para o câncer ainda é algo novo. 

No caso do câncer de mama, um estudo que reuniu 113 mil mulheres em 25 países mostrou um bom panorama.
Publicada no The New England Journal of Medicine, a pesquisa Breast Cancer Risk Genes – Association Analysis in More than 113,000 Women evidenciou 18 genes associados ao risco para câncer de mama. 

“Além de fatores de risco oncogenéticos, como os genes BRCA1 e BRCA2, que aumentam naturalmente o risco para o câncer de mama, ovário, próstata e outros, é importante entender questões sobre os fatores ambientais, entender porque algumas pessoas são mais sensíveis a fatores ambientais do que outras”, afirma o Dr. Casali. 

Para identificar o risco hereditário, o A.C.Camargo disponibiliza alguns testes genéticos:

  • Teste dos genes BRCA1 e BRCA2 – indicado para suspeita de Síndrome de Câncer de Mama e Ovário Hereditários
  • Teste do gene TP53 (Síndrome de Li-Fraumeni) – indicado para suspeita de síndrome de predisposição a múltiplos tumores, casos de mama e sarcomas 
  • Teste dos genes de reparo (MLH1, MSH2, PMS2, MSH6) – suspeita de Síndrome de Lynch, com risco para câncer colorretal e de endométrio hereditários
  • Teste do gene CDKN2A e CDK4 – indicados na suspeita de Melanoma Familial
  • Teste do gene VHL (síndrome de von Hippel-Lindau) – risco de tumores renais e pancreáticos, hemangioma de retina e cerebelo


Doenças genéticas associadas ao câncer 

Há ainda algumas doenças que são um sinal de alerta para o risco de câncer e merecem atenção. As mais conhecidas são: 

  • Síndrome de Câncer de Mama e Ovário Hereditários
  • Síndrome de Li-Fraumeni
  • Síndrome de Lynch
  • Melanoma Familial
  • Síndrome de von Hippel-Lindau


Quem deve fazer testes genéticos

Eles são indicados para pacientes com vários casos de câncer na mesma família ou com câncer em idade mais precoce que a usual, além de tumores múltiplos de origens diferentes. 

O mais importante é que as pessoas com suspeita de síndromes hereditárias passem por uma avaliação com um especialista em oncogenética.


Genômica: biópsia líquida e personalização do tratamento

Caso o paciente já esteja em tratamento de um câncer, identificar alterações genéticas associadas ao tumor é muito importante. 

Com esse dado em mãos, o oncologista clínico pode indicar o tratamento com as chamadas terapias-alvo, que agem em alvos moleculares específicos do tumor, poupando as células normais. 

Dá para monitorar a resposta ao tratamento com as biópsias líquidas, um exame realizado com fluidos do corpo, como sangue, urina e saliva, sem necessidade de se submeter a uma nova biópsia cirúrgica.

Com a biópsia líquida, o médico pode acompanhar a evolução da doença verificando a presença de algum fragmento do tumor – DNA, célula, entre outros – nos líquidos corporais. 

O acompanhamento pode, ainda, evitar medicamentos que o paciente desenvolveu resistência, evitando uma exposição desnecessária.

“A genômica do A C Camargo Cancer Center está pronta para orientar você na nova era da oncologia de precisão, com precisão no cuidado para atender ainda melhor”, encerra o médico.

Avanços na Oncogenética

Linha Fina

Saiba como é possível fazer testes genéticos no A.C.Camargo e saber se você tem um risco aumentado para um eventual câncer 

A Oncogenética é uma forma de se antecipar a um eventual tumor.

Também pudera: estima-se que de 5% a 10% dos tumores malignos sejam de origem hereditária. Para isso, medidas de rastreamento podem ser adotadas, como explicou o Dr. José Claudio Casali da Rocha, head do Departamento de Oncogenética do A.C.Camargo, no Next Frontiers to Cure Cancer

Durante a aula Painel Multigênico para Cânceres Comuns, o especialista reafirmou a importância de identificar pessoas que tenham risco aumentado de desenvolver câncer devido a alterações genéticas, muitas vezes em função da grande incidência da doença na família, ou de doenças que causem essa predisposição como as síndromes de Lynch e de Li-Fraumeni.

“Precisamos nos preparar para um novo momento da Oncogenética visando a Prevenção de Precisão. Precisamos garantir a inclusão genética da maior parte da nossa população. Ao identificar mutações, a gente consegue monitorar o paciente com um risco aumentado para câncer”, afirma o Dr. Casali. 


Testes genéticos 

Os testes genéticos para identificação de síndromes hereditárias de predisposição a câncer já se tornaram mais acessíveis, com valores mais em conta, embora ainda sejam considerados exames de alto custo, não disponíveis, por exemplo, na rede pública. 

O preço, porém, não é a única barreira.

O maior desafio é o conhecimento das síndromes, a capacidade de fazer o aconselhamento pré e pós-teste, tendo competência para interpretar os resultados e passar para o paciente.


Oncogenética e seus desafios

Segundo o Dr. José Claudio Casali, o aconselhamento genético é um processo contínuo, que começa antes da consulta com o geneticista.

“As mutações hereditárias são causadas por genes dominantes, mas ainda conhecemos pouco dos genes recessivos. Mas, com o avanço da investigação genética, vamos descobrindo novos genes, inclusive recessivos, alguns raríssimos”, explica.

O Dr. Casali lembra ainda que as diferenças regionais do Brasil baseadas nos riscos particulares devem ser consideradas nas indicações de testagem genética. 

“Além de fatores de risco como os genes BRCA 1 e 2, muito associados ao câncer de mama, é importante entender questões sobre fatores ambientais, entender porque algumas pessoas são mais sensíveis a fatores ambientais do que outras”, acrescenta.

Por fim, algo importante para ser descoberto é qual protocolo adotar se a pessoa tiver duas mutações patogênicas. “Não sabemos se esses dois genes mutados, ao interagirem, criam fenótipos diferentes”, encerra.

Decisões colegiadas e baseadas na oncologia de precisão contribuem para tratamentos personalizados e mais assertivos

Linha Fina

Essa é a atuação do Tumor Board Molecular, um fórum de discussão formado por uma equipe de especialistas e cientistas do A.C.Camargo Cancer Center

A oncologia personalizada deixou de ser o futuro da medicina para estar cada vez mais presente no dia a dia dos pacientes oncológicos por meio de uma grande quantidade de testes genéticos disponíveis. 

Por isso, para discutir as alterações genéticas dos tumores e sua influência na decisão dos tratamentos recomendados, o A.C.Camargo criou o Tumor Board Molecular em agosto de 2020, pioneiro no Brasil para este tema de discussão.

Composto por oncologistas clínicos, oncogeneticistas, patologistas e cientistas do Centro Internacional de Pesquisa (CIPE), a equipe reúne-se semanalmente. 

“É um fórum no qual são discutidos casos refratários ao tratamento, com sítio tumoral primário desconhecido, com indicação de drogas off label, tumores raros molecularmente definidos, casos com resultados de testes genômicos complexos, discussões de protocolos pesquisa clínica, entre outros”, explica Dra. Rachel Riechelmann, Head do Departamento de Oncologia Clínica do A.C.Camargo.

O Tumor Board Molecular não é restrito a nenhum sítio tumoral específico, mas também atua como suporte para os outros tumor boards da Instituição.

Benefícios na prática

Com um olhar individualizado, por meio da genômica e das análises moleculares, as etapas da linha de cuidado podem ser ajustadas e as ações ficam mais precisas e na medida certa para cada paciente.

 “A equipe do Tumor Board Molecular atua na avaliação do teste realizado ou na indicação do mesmo, na escolha da melhor medicação para cada caso e, no caso de indicação de medicamentos que não constam no rol da ANS, preparam uma justificativa colegiada e baseada em evidência científica para que a equipe do comercial e de autorizações possam negociar com as operadoras, mostrando que é uma decisão personalizada, baseada em literatura e com bom custo-efetividade, evitando a judicialização do tratamento”, explica Bárbara.

Conheça nosso Núcleo de Diagnóstico Genômico e Molecular

Contamos com testes genômicos e moleculares de vanguarda no nosso extenso portfólio para o diagnóstico complementar e monitoramento do câncer.

Nossa equipe de especialistas, composta por oncologistas clínicos, hematologistas, oncogeneticistas, patologistas e biologistas moleculares está pronta para auxiliar na interpretação dos laudos e nas discussões de casos com médicos e outros profissionais de saúde.

Clique aqui para saber mais.
 

Entenda o tipos de leucemia neste vídeo

Linha Fina

Assista e conheça as diferenças entre os tipos linfoide e mieloide

Leucemia é o câncer que tem origem na medula óssea, onde são produzidas as células do sangue. Muita gente diz que a leucemia é o câncer dos glóbulos brancos, que são as células de defesa do organismo, mas a doença pode atingir outros tipos de célula também.

Da medula, essas células alcançam o sangue e, a partir dele, podem atingir os gânglios linfáticos, o baço, o fígado, o sistema nervoso central (cérebro e coluna vertebral), os testículos e outros órgãos.

Para entender o que acontece de errado no sangue quando a pessoa tem leucemia, é importante entender o que faz o sangue e a medula serem normais.

De acordo com o Instituto Nacional do Câncer (INCA), a estimativa para 2020 foi de 10.810 novos casos, sendo 5.920 homens e 4.890 mulheres.

A doença também é conhecida por acometer crianças com frequência.

Assim, entenda a diferença entre os tipos linfoide e mieloide neste vídeo a seguir: com a palavra, a Dra. Marina de Mattos Nascimento, médica titular do Centro de Referência em Tumores Hematológicos do A.C.Camargo Cancer Center.

 

 

Oncologia personalizada na América Latina

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Especialistas discutem os desafios e as oportunidades sobre estudos em oncologia de precisão nos países latino-americanos

 

A oncologia personalizada (ou de precisão) deixou de ser o futuro do tratamento oncológico para estar cada vez mais presente no dia a dia. Mas, ainda são necessários muitos estudos e pesquisas clínicas para torná-la cada vez mais acessível e precisa no combate ao câncer. Enquanto em grandes centros esses estudos avançam a passos largos, a América Latina representa apenas 4% de toda atividade global relacionada a pesquisa sobre câncer.

O estudo Personalizing Precision Oncology Clinical Trials in Latin America: An Expert Panel on Challenges and Opportunities (Personalização de ensaios clínicos de oncologia de precisão na América Latina: um painel de especialistas sobre desafios e oportunidades, em português) reuniu especialistas de oito países da América Latina para avaliar os principais desafios da região.

Segundo Dr. Helano Carioca Freitas, médico oncologista do A.C.Camargo Cancer Center e um dos autores do estudo, os ensaios clínicos para oncologia de precisão precisam de candidatos que tenham tumores com alterações moleculares específicas, considerados como o alvo da terapia experimental do ensaio. Como muitas alterações moleculares são raras, menos pacientes são inscritos e, como consequência, o sucesso da triagem diminui e aumentam os custos. Dessa forma, muitos testes são viáveis apenas quando são multicêntricos e multinacionais.

“Durante os testes, é gerada uma quantidade muito grande de dados genômicos, que requerem equipamentos caros e sofisticados, além de pessoal altamente treinado. São recursos que estão restritos a alguns centros de pesquisa e não amplamente disponíveis na América Latina”, explica Dr. Helano.

Oportunidades de melhorias

Dra. Rachel Riechelmann, médica oncologista do A.C.Camargo e autora sênior do estudo, explica que o uso de bancos de tumor (ou biobancos) pode ajudar a superar alguns desafios. “Os biobancos são reconhecidos como vitais para a pesquisa em oncologia. Mas, na América Latina, existem poucas unidades e, com exceção do Brasil, operam sem regulamentação específica”, comenta a médica.

Confidencialidade e ética na pesquisa de oncologia personalizada

Outro ponto levantando pelos autores é a questão da supervisão ética, que deve ser mais dinâmica e personalizada para cada região, mantendo os fundamentos morais. “Ao traduzir essa enorme quantidade de dados para a prática clínica, o grande desafio é como fazer isso garantindo a privacidade dos participantes e a confidencialidade de suas informações genéticas”, comenta Dra. Rachel.

A especialista explica que a América Latina apresenta uma população única em termos de características clínicas, sociais, ambientais e genéticas na pesquisa do câncer. Por isso, a aceleração da oncologia de precisão é uma esperança de tratamento mais eficaz não só para os tumores mais comuns, mas também para os subtipos mais raros. “Com a inevitável globalização da pesquisa clínica do câncer, é importante a América Latina implantar melhorias para a pesquisa em oncologia de precisão a fim de fornecer mais acesso a novos medicamentos para pacientes latino-americanos com câncer”.