HPV, a vacina vital que previne vários tipos de câncer

Publicado em: 10/01/2020 - 10:01:54
Prevenção
Diagnóstico
Epidemiologia
Tumores Ginecológicos

Segura, essencial e subutilizada, a imunização contra o papilomavírus humano pode evitar o desenvolvimento de tumores de colo do útero, orofaringe e ânus, entre outros 

HPV e sua vacina. Tema importantíssimo, mas negligenciado muitas vezes por desconhecimento e preconceito.

Embora haja consolidados programas nacionais de imunização em boa parte do Brasil e da América Latina, eles seguem sendo pouco utilizados. 

É que, para conseguir uma melhor proteção ante a infecção pelo papilomavírus humano (HPV), a vacina deve ser aplicada cedo.

Se isso não é feito, há um terreno fértil para a infecção por HPV, que pode desencadear, em casos extremos, em variados tipos de câncer. 


HPV e os tumores 

A infecção pelo HPV é comum, mas regride espontaneamente na maioria das vezes. 

Quando a infecção persiste e é causada por um tipo viral oncogênico, ocasionalmente acontecem lesões precursoras. Estas, se não identificadas e tratadas, podem evoluir para um câncer. 

“Ocorre principalmente no colo do útero, mas também na vagina, vulva, ânus, pênis e orofaringe”, explica Andréa Gadêlha, oncologista clínica do A.C.Camargo Cancer Center.


Por que vacinar tão cedo contra HPV e quais as barreiras para uma maior adesão à vacinação?

Em 2014, o Ministério da Saúde implantou no SUS a vacinação gratuita tetravalente contra o HPV em meninas entre 9 e 13 anos. Na época, a recomendação era de três doses.

Tal faixa etária foi eleita por ser a que apresenta maior benefício pela grande produção de anticorpos e por ter sido menos exposta ao vírus por meio de relações sexuais.

Em 2017, o esquema vacinal do SUS foi ampliado para meninos de 11 a 14 anos, e as garotas de 14 anos também foram incluídas – passaram a ser recomendadas duas doses com intervalo de seis meses.  

A dificuldade de alcançar crianças e adolescentes, que já não vão aos postos de saúde regularmente, como faziam na primeira infância, está longe de ser o maior problema para combater o HPV. 

De acordo com a Dra. Andréa Gadêlha, várias são as barreiras à adesão à vacinação contra HPV, que vão desde o desconhecimento – se trata de uma vacina que previne câncer – às fake news. 

“Há quem considere a vacina insegura, quem diga que está relacionada a eventos adversos. Fatores religiosos e culturais também associam a vacinação contra HPV como estímulo ao início precoce da atividade sexual, algo que não é verdade, como comprovam alguns estudos”, afirma a médica.

Em suma, é importante desmistificar esses conceitos errôneos e ratificar que a criança deve ser imunizada contra HPV da mesma forma que ocorre com outras vacinas. Essa imunização é segura e deve ser realizada antes do início da atividade sexual, onde se garante uma maior resposta protetora da vacina.

HPV vacina Doutora Andrea Gadelha

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