Fisiatra, o médico que promove mobilidade e qualidade de vida

Publicado em: 05/12/2019 - 10:12:07

Conheça esse profissional de essencial importância para o “ir e vir”, inclusive para o paciente oncológico 

Fisiatra. Está aí um médico de fundamental função para quem adquire algum problema de locomoção, algo que pode vir a acometer o paciente oncológico.

A seguir, entenda melhor como a fisiatria atua na oncologia com o Dr. Victor Figueiredo Leite, fisiatra do A.C.Camargo Cancer Center.


Fisiatra oncológico: como ele trabalha

“O fisiatra é um médico especialista em reabilitação, que foca na melhora da funcionalidade e na qualidade de vida, algo de muita importância na oncologia. 

O câncer e seu tratamento podem trazer muitas complicações. O fisiatra entra para recuperar e reabilitar, ele estrutura o plano de reabilitação para cada paciente.

A atuação pode ocorrer em qualquer momento do tratamento do câncer. Na chamada pré-habilitação, antecipamos um problema, agimos para minimizá-lo. Exemplo: para quem vai fazer cirurgia ou transplante de medula óssea, podemos fazer um treino específico para minimizar as consequências desses tratamentos.

Para quem já tem uma incapacidade, como, por exemplo, dores, linfedema e alteração do equilíbrio, o fisiatra faz os diagnósticos dessas incapacidades e estabelece um plano que pode incluir medicação, exercício ou infiltração.”


Visão multidisciplinar 

“Para conceber o plano, o fisiatra está acompanhado de uma equipe multidisciplinar que geralmente conta com fisioterapia, fonoaudiologia e terapia ocupacional. 

E, como o paciente com câncer tem muitas peculiaridades, há sempre a interação com o oncologista, o cirurgião e o radioterapeuta.”


O fisiatra e as dores neuropáticas 

“Quimioterapia e outras questões relacionadas ao tratamento podem causar dores ligadas ao sistema nervoso central. Além de medicamentos de via oral que agem no sistema nervoso central, pode-se tratar esse tipo de dor com cremes e géis tópicos, infiltrações ou eletroterapia. Em alguns casos, indicamos o uso de calor ou frio no local do incômodo.

Técnicas de dessensibilização são essenciais para o controle dessas dores. Elas consistem em expor a pele a diferentes temperaturas e consistências, por exemplo, podemos passar um algodão mais macio e depois um pano áspero.

Alongamentos e exercícios de equilíbrio também são essenciais para o controle das dores, e para dar melhor movimentação e agilidade para o paciente.” 


Como se reabilita a marcha dos pacientes

“Uma pessoa com linfoma ou outras enfermidades pode apresentar um caminhar instável. Claro que há peculiaridades de cada caso, mas a reabilitação geralmente envolve treino de fortalecimento para as pernas e treino do equilíbrio.

O treino de equilíbrio é progressivo, com exercícios que passam do mais fácil para o mais difícil: começa em pé sem apoio, depois o paciente pode andar por uma superfície rígida, depois por uma com obstáculos como espuma ou argolas; assim há um ganho neurológico, de agilidade e força.”


Outras limitações comuns ao paciente com câncer 

“A atuação do fisiatra é ampla, mas o que mais vemos são dores musculoesqueléticas, fadiga oncológica e neuropatia periférica. Mas o fisiatra continua sendo essencial na reabilitação de lesões encefálicas, lesões medulares, e amputações.”


Órteses 

“A depender do tipo de complicação, elas são prescritas. Um exemplo são as braçadeiras que pacientes com linfedema usam. Há ainda as pessoas que sofrem com lesão neurológica, como lesão medular ou lesão encefálica, e que podem necessitar de órteses para o posicionamento das mãos e/ou dos pés.”


Acessibilidade nas ruas e em casa

“No caso dos pacientes que adquirem um problema de locomoção, queixas comuns são as calçadas inviáveis para cadeiras de rodas, ou para locomoção de pessoas com alteração do equilíbrio. Dentro de casa, eles também lamentam que a cadeira geralmente não passa pelas portas, sobretudo as do banheiro, que tendem a ser mais apertadas.” 

Fisiatra Victor Figueiredo Leite

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