Dia Mundial do Câncer de Rim: terapia-alvo é um dos pilares do tratamento

Publicado em: 19/06/2019 - 11:06:36
Pesquisa
Tratamento
Genética
Tumores Urológicos

Publicada na Urologic Oncology, a pesquisa identificou biomarcadores tumorais que determinam se esse procedimento é indicado

Um estudo realizado no A.C.Camargo reuniu uma das maiores quantidades de casos de metástases de tumores de rim já publicadas na literatura mundial. Esse trabalho foi veiculado na revista Urologic Oncology e batizado como Loss of BAP1 Expression in Metastatic Tumor Tissue is an Event of Poor Prognosis in Patients with Metastatic Clear Cell Renal Cell Carcinoma (Perda de Expressão de BAP1 no Tecido Tumoral Metastático é um Acontecimento de Mau Prognóstico em Pacientes com Carcinoma Renal de Células Claras). 

O assunto se mostra ainda mais relevante por causa do Dia Mundial do Câncer de Rim (20/6), uma data lançada mês passado durante o Next Frontiers to Cure Cancer – foi idealizada pela International Kidney Cancer Coalition (IKCC). 

 

O estudo

Foram analisadas 124 pessoas submetidas a biópsias do tecido tumoral entre 2007 e 2016. “Nosso objetivo foi avaliar os biomarcadores no tecido metastático, para entender se a expressão de determinadas proteínas está relacionada a um prognóstico pior”, explica o doutor Walter Henriques da Costa, do Departamento de Urologia.

Os pacientes, que já tinham passado por tratamento no tumor primário do rim, estavam sendo majoritariamente cuidados com a chamada terapia-alvo, aquela que utiliza drogas que atingem diretamente moléculas específicas essenciais para o tumor. “Nós avaliamos a perda da expressão da proteína BAP1 no tecido da metástase e constatamos que, de fato, isso indica uma piora no prognóstico da doença”, conta o especialista. 

Dos 124 pacientes analisados, 77 exibiram uma expressão negativa da proteína BAP1, enquanto os outros 47 demonstraram uma expressão positiva. “Em tumores sem a expressão dessa proteína, a doença tem características mais agressivas”, complementa o doutor Walter. 

Isso revela, também, que os pacientes com essa perda de expressão da proteína se beneficiam menos de terapia-alvo convencional. “Essa descoberta abre a possibilidade de buscarmos alternativas de tratamento para pacientes com doença metastática”, finaliza o médico. 

Se somada à cirurgia, à radioterapia, à quimioterapia e à imunoterapia, a terapia-alvo – um método que o A.C.Camargo disponibiliza para os pacientes como mais uma opção terapêutica – é considerada um dos pilares do tratamento oncológico. Trata-se de um método no qual os medicamentos são desenvolvidos para identificar células tumorais baseadas em características específicas, localizando e bloqueando o crescimento e a disseminação do câncer.  

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