Laringe: caminhos para a cura
e a preservação das funções
Laringe: caminhos para
a cura e a preservação
das funções

Publicado em: 12/07/2019

Destaque da revista Oral Oncology, pesquisa do A.C.Camargo estabelece moléculas micro-RNAs como biomarcadores para a terapia do câncer nesse órgão  

 

A laringe é um órgão vital, responsável pela fala, pela deglutição e pela respiração. Os cânceres nessa região são dos mais frequentes. De acordo com estimativa do INCA foram diagnosticados cerca de 7.670 novos casos em 2018. O Brasil tem uma das maiores incidências mundiais de câncer de laringe, com 3.1 casos a cada 100 mil habitantes, dos quais 60 a 70% são detectados em estágios avançados. 

“Nesse cenário, a quimioradioterapia é uma das estratégias terapêuticas com o objetivo de preservação das funções do órgão, mas infelizmente cerca de 40% desses pacientes não respondem ao tratamento”, explica um dos autores do estudo, Genival Barbosa, titular do Departamento de Cirurgia em Cabeça e Pescoço do A.C.Camargo.

Foi o motivo para a realização de um estudo intitulado Integrated miRNA and mRNA Expression Analysis Uncovers Drug Targets in Laryngeal Squamous Cell Carcinoma Patients (Análise Integrada de Expressão de miRNA e mRNA Revela Alvos de Drogas em Pacientes com Carcinoma de Células Escamosas da Laringe).

Foram investigadas moléculas com potencial para serem usadas como biomarcadores ou alvos para a terapia do câncer. O estudo girou em torno da RNA (ácido ribonucleico), uma macromolécula essencial que tem como principal função a produção de proteínas a partir de informações adquiridas do DNA. Também observou moléculas endógenas de RNA, as mirRNAs e as mrRNAs, que atuam como reguladores da expressão gênica. 

Destaque na capa da revista Oral Oncology, a pesquisa analisou 41 casos: 36 de células escamosas da laringe e outras cinco amostras de controle não neoplásico. “Avaliamos a relação da expressão de micro-RNAs e a sobrevida de pacientes com tumores de laringe”, conta Genival, médico que também é mestre e doutorando em oncologia com linha de pesquisa em tumores de laringe.

De acordo com o doutor Genival Barbosa, foi observado o envolvimento de 28 miRNAs e 817 genes diferencialmente expressos. A diminuição da expressão do miR-199b foi significativamente associada à menor sobrevida livre de doença nesse subgrupos de pacientes.  

“Após diversas abordagens computacionais e validações na bancada, identificamos que pacientes que possuem menores níveis desse miRNA nos tumores apresentam pior sobrevida livre de doença”, afirma outro dos autores do estudo, o pesquisador Fabio Marchi, do Centro Internacional de Pesquisa do A.C.Camargo (CIPE). 

“O potencial uso dessa pesquisa é o desenvolvimento de estratégia de escolha terapêutica baseada na expressão desses micro-RNAs, buscando o uso de drogas, ou de uma combinação delas, que sejam mais eficientes nesse cenário”, avalia Genival Barbosa. “Isso pode levar a uma maior chance de cura ou de preservação da laringe nesses pacientes”, projeta o especialista.