Dr. Daniel Garcia

Transplante de medula óssea para tratamento contra o câncer de testículo

Publicado em: 11/05/2021 - 11:05:23
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Confira na coluna “Fala, Doutor”, que traz as dúvidas mais frequentes entre os pacientes no consultório, por Daniel Garcia, oncologista clínico do A.C.Camargo Cancer Center

O câncer de testículo é o tumor sólido mais comum em homens entre os 15 e 35 anos de idade, embora seja responsável por apenas 1% de todos os cânceres em homens quando não se leva em conta a idade. Existem diversos tipos de tumores que podem se originar nos testículos. Os tumores do tipo células germinativas representam 95% dos cânceres testiculares e são classificados em duas grandes categorias: tumores do tipo seminoma puro e tumores do tipo não seminoma.

Enquanto o seminoma puro é composto apenas por tumores do tipo seminoma, o não seminoma pode ter um tipo tumoral predominante ou uma mistura de vários tipos, como, por exemplo, o carcinoma embrionário, coriocarcinoma, tumor de seio endodérmico e teratoma. 

Devido aos avanços notáveis no tratamento a partir do final dos anos 1970, o câncer de testículo tornou-se uma das neoplasias sólidas mais curáveis. Antes disso, o câncer testicular era responsável por 11% de todas as mortes por câncer em homens entre 25 e 34 anos e a taxa de sobrevivência em cinco anos era de 64%. Em 2020, espera-se que o câncer testicular seja responsável por apenas 0,1% de todas as mortes por câncer em homens nos Estados Unidos, e a taxa de sobrevivência em cinco anos seja superior a 95%. No Brasil, o Instituto Nacional de Câncer (INCA) não dispõe de estimativas para o câncer de testículo. 

Em meados de 1970, a quimioterapia em alta dose seguida de transplante de medula óssea (TMO) mostrou-se eficaz no tratamento de neoplasias hematológicas, como por exemplo, as leucemias e os linfomas. Baseados nestas experiências, os pesquisadores começaram a investigar a utilidade de tal tratamento em tumores sólidos, como o de testículo. Os ensaios iniciais foram realizados no início da década de 1980 e, após resultados encorajadores em alguns pacientes, protocolos dedicados para este tipo de tumor foram realizados tanto na Europa como nos EUA. A quimioterapia utilizada para TMO em pacientes com câncer de testículo é baseada em carboplatina, um quimioterápico da família da cisplatina.

Como funciona o transplante de medula óssea para combater o câncer de testículo?

Em uma analogia, imagine um computador infectado por um vírus. Com o intuito de não perder os arquivos importantes, é realizado primeiramente um “back-up”, ou seja, os arquivos chave não infectados pelo vírus são guardados em um disco separado. O computador é então formatado, apagando-se todos os dados do sistema, que inclui o vírus e os arquivos saudáveis. 

É realizada, então, a reintrodução daqueles dados armazenados no “back-up” de volta para o computador, restaurando o sistema. No caso do TMO, o “back-up” são as células-tronco presentes na medula óssea do paciente, que são coletadas e armazenadas em um freezer especial, capaz de congelar estas células a uma temperatura de -80°C, preservando-as. 

É realizada, então, a quimioterapia em altas doses, que elimina o tumor, mas também destrói as células saudáveis da medula óssea. Após o término da quimioterapia, as células tronco armazenadas no freezer - o “back-up” – são reinfundidas no paciente, restaurando a medula óssea. Não é, portanto, necessário um doador de medula neste procedimento, uma vez que é utilizada a medula do próprio paciente.
 

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