Tipo raro de câncer de pele, o melanoma acral exige maior atenção ao diagnóstico

Publicado em: 20/12/2015 - 22:12:00
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Principal pigmento na produção da cor da pele, a melanina é gerada por uma célula chamada melanócito. Seu crescimento, quando normal, é controlado e substitui regularmente células velhas por novas e saudáveis. Porém, a exposição excessiva à radiação ultravioleta (UV), presente nos raios solares, pode causar danos ao DNA dos melanócitos, tornar seu crescimento desordenado e formar uma massa de células tumorais chamada melanoma, o câncer de pele mais agressivo.



O melanoma pode ser dividido em quatro subtipos. Em três deles, conhecer a Regra ABCD é o método mais importante para se atentar aos sintomas e ajudar no diagnóstico precoce da doença – quando as chances no sucesso do tratamento podem ser de 90%. Porém, alguns desses subtipos podem não apresentar estas características, como no caso do melanoma acral, de incidência não tão comum quanto os demais.

Esse tumor, em seu aspecto inicial, também costuma ser semelhante a uma pinta. "Mas pode surgir embaixo da unha e distorcê-la, como uma linha preta. É preciso ficar atento principalmente a manchas que crescem continuamente na palma da mão ou na planta do pé, os principais locais onde surge esse tipo de melanoma", explica o diretor do Núcleo de Câncer de Pele do A.C.Camargo, Dr. João Pedreira Duprat Neto.

O melanoma acral pode ser confundido com outras doenças benignas. "Há casos em que o tumor é tratado como uma simples micose por anos", alerta Duprat. Manicures e pedicures podem ajudar a observar essa alteração, mas o especialista recomendável para avaliação dos casos é um dermatologista. "Em alguns casos a suspeita é clara, mas em outros nem tanto. Se uma micose da unha não tem melhora com o tratamento após algum tempo, é preciso realizar exames precisos, tais como uma biópsia". O oncologista ressalta, porém, que a maioria das pintas nas mãos e nos pés é benigna e raramente se torna um câncer.

Outra particularidade é o fator de risco, explica Dr. João Duprat. "Diferentemente de outros tipos de câncer dermatológico, o melanoma acral surge independentemente da cor da pele ou da exposição ao sol. Ainda não se conhece um fator de risco específico para essa doença", explica o médico.
 

Cirurgia mais cautelosa

O principal método de tratamento do melanoma acral é cirúrgico, com a remoção da massa tumoral – somente em casos muito avançados há necessidade de tratamento quimioterápico. "Porém, a pele encontrada na planta do pé é importante para nos ajudar a andar ou para nos manter em pé. Ao retirá-la na cirurgia, cria-se uma dificuldade para essas ações", diz Dr. João Duprat. "Em alguns casos, é possível deixar a região aberta até cicatrizar completamente. Já o reparo pode ser feito, por exemplo, com o enxerto ou retalho". A resposta dada ao tratamento pode variar entre os pacientes, por isso, a avaliação individualizada de um especialista é recomendada.

Dr. João Pedreira Duprat Neto - CRM 49571
Diretor do Núcleo de Câncer de Pele
Especialista em Cancerologia Cirúrgica - RQE 42350

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