Reabilitação em câncer de mama no Brasil: onde estamos e futuros desafios

Publicado em: 16/05/2019 - 20:05:38
Tratamento
Diagnóstico
Reabilitação
tumores de mama

O cuidado precoce, multidisciplinar e global é necessário para a qualidade de vida das pacientes

A reabilitação é um tema de suma importância e ao mesmo tempo um desafio no cenário do câncer de mama. Além da prevalência e frequência, existem as dificuldades de acesso aos tratamentos e apoios necessários que os pacientes ainda enfrentam na realidade brasileira. O assunto foi tema do painel Reabilitação em Câncer de Mama no Brasil: onde estamos e futuros desafios, apresentado pela doutora Linamara Rizzo Battistella, da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP) no Pre Annual Meeting do Next Frontiers to Cure Cancer, congresso do A.C.Camargo.

Além dos esforços de reabilitação pela equipe profissional, a médica fisiatra destacou a importância do alinhamento com o paciente para o sucesso do tratamento, estabelecendo uma comunicação continuada e promovendo o autocuidado. De acordo com dados Global Burden Disease (GBD), considerado um dos maiores estudos epidemiológicos do mundo, há um aumento da prevalência do câncer de mama em relação à média global. 

“Também notamos um crescente número de óbitos no país e de mortes evitáveis, apesar da tendência global em reduzir as taxas. Isso traz um impacto imenso na sustentabilidade de todo um planeta, assim como numa geração inteira. Temos um desafio que é garantir que a pessoa com câncer tenha autonomia e sua capacidade de participação social na mesma condição de qualquer outro indivíduo, da mesma faixa etária e condição econômica.”, destaca a doutora Linamara. 

Os quatro pilares da reabilitação

Para mudarmos essa realidade, a reabilitação deve ser precoce e iniciada juntamente com o diagnóstico do câncer. Por meio de quatro pilares, o processo de reabilitação começa com as medidas preventivas; passando pelas terapêuticas, que propõem identificar a incapacidade e a construção da qualidade de vida; e, por fim, pelo “suporte e adaptação e paliativos, no qual todos os esforços em curar são limitados e só nos resta cuidar, confortar e consolar”, conta a fisiatra. 

Ambiência faz parte da reabilitação

Tudo isso deve ser feito em um ambiente acolhedor e agradável. “A ambiência é necessária e parte da estratégia da nossa humanização, que só se faz presente quando os profissionais envolvidos olham para o paciente e entendem a complexidade da doença”, diz a doutora Linamara. 

Para o estabelecimento do plano terapêutico, é necessário a abordagem do paciente do ponto de vista global e multidisciplinar, entendendo suas necessidades e funcionalidades, por meio de um diálogo. Por fim, a médica destacou a importância da avaliação da condição de saúde, que olha para a função, limitações e quais restrições a paciente apresenta ou poderá apresentar no futuro. Com isso é possível determinar o tamanho da alteração funcional, a estrutura que está comprometida e o grau de restrição. Essa avaliação também leva em consideração os fatores ambientais e pessoais, como falta de acesso a medicamentos e terapias. 
 

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