Oncologista explica: transplante de medula óssea pode ajudar no tratamento de tumor de testículo

Publicado em: 22/03/2019 - 16:03:30
Diagnóstico
Tratamento
Serviços ao Paciente
Tumores Urológicos

Este tipo de câncer é mais comum em jovens entre 15 e 35 anos  

Considerado incomum, um em cada 250 homens desenvolverá câncer de testículo em algum momento da vida. Nos Estados Unidos, a estimativa é de 9.560 novos casos, com 410 mortes, para o ano de 2019. Apesar de representar menos de 1% de todos os cânceres, esta é a malignidade mais diagnosticada em jovens entre os 15 e os 35 anos de idade. Infelizmente, ainda não temos disponibilizados dados sobre a incidência deste tumor no Brasil.

Nas últimas quatro décadas, grandes avanços - como a introdução do quimioterápico cisplatina em meados da década de 1970 - ajudaram a aumentar as taxas de cura deste tumor para mais de 95%. Nos pacientes com doença avançada, cerca de 70% ainda atingem a cura com quimioterapia em doses convencionais. Entre os que não obtêm remissão após o tratamento inicial, até cerca de 60% são curados ​​com tratamentos subsequentes. Dentre estes tratamentos, a quimioterapia em doses convencionais - geralmente cisplatina combinada a outros quimioterápicos – e a quimioterapia em altas doses seguida de transplante de medula óssea (TMO) podem ser utilizados.

Na década de 1970, a quimioterapia de alta dose seguida de TMO mostrou-se eficaz no tratamento de neoplasias hematológicas, como por exemplo, as leucemias e os linfomas. Baseados nestas experiências, os pesquisadores começaram a investigar a utilidade de tal tratamento em tumores sólidos, como os de testículo. Os ensaios iniciais foram feitos no início da década de 1980 e, após os resultados positivos em alguns pacientes, protocolos dedicados para este tipo de tumor foram realizados tanto na Europa como nos Estados Unidos.


Como funciona o transplante de medula óssea no tumor de testículo?

Em uma analogia, imagine um computador infectado por um vírus. Com o intuito de não perder os arquivos importantes, é realizado primeiramente um “back-up”, ou seja, os arquivos-chave não infectados pelo vírus são guardados em um disco separado. O computador é então formatado, apagando-se todos os dados do sistema, que inclui o vírus e os arquivos saudáveis. É realizada, então, a reintrodução daqueles dados armazenados no “back-up” de volta para o computador, restaurando o sistema. No caso do TMO, o “back-up” são as células-tronco presentes na medula óssea do paciente, que são coletadas e armazenadas em um freezer especial, capaz de congelar estas células a uma temperatura de -80°C, preservando-as.

Após, é realizada a quimioterapia em altas doses, que elimina o tumor, mas também destrói as células saudáveis da medula óssea. Com o término da quimioterapia, as células-tronco armazenadas no freezer - o “back-up” - são então reinfundidas no paciente, restaurando a medula óssea. Não é, portanto, necessário um doador de medula neste procedimento, uma vez que é utilizada a medula do próprio paciente. 

Detentor de uma biologia complexa e de um tratamento igualmente desafiador é altamente recomendado que o paciente diagnosticado com tumor de testículo seja tratado em um centro com ampla experiência no manejo desta doença como o do A.C.Camargo Cancer Center.

Saiba mais sobre o TMO no A.C.Camargo

Nosso serviço é referenciado pelo Ministério da Saúde como um dos poucos centros do País a realizar todas as modalidades do transplante: alogênico aparentado e não aparentado e autólogo ou autogênico.

Composto por uma equipe multiprofissional formada por médicos, enfermeiros, fisioterapeutas, odontologistas, assistentes sociais e psicólogos, o serviço de TMO conta com uma estrutura completa para o atendimento de pacientes que necessitam de cuidados de alta complexidade.  

Dr. Daniel Garcia

Médico Oncologista Clínico do A.C.Camargo Cancer Center

Avaliação de conteúdo

Você gostaria de avaliar esse conteúdo?
Esse conteúdo foi útil?
Gostaria de comentar algo sobre esse conteúdo?

Veja também

Leucemia, linfoma e mieloma: atenção aos sinais e sintomas
Leucemia, linfoma e mieloma são tumores hematológicos que merecem total atenção. Sim, a pandemia de Covid-19 permanece em curso, mas o câncer não espera. Por isso, o A.C.Camargo Cancer Center conta com um Atendimento Oncológico Protegido, para que seus pacientes possam vir à Instituição para...
Licopeno em receitas saudáveis: bolo de tomate
Assista ao vídeo e aprenda a fazer um prato rápido e gostoso Licopeno, a garantia de uma alimentação saudável, hábito que é uma das formas de prevenir o câncer. Essa substância antioxidante ajuda a inibir alterações no DNA das células que provocam o surgimento de...
Câncer de cabeça e pescoço: artigo científico traz recomendações para cirurgias oncológicas
Estudo internacional teve a contribuição do Dr. Luiz Paulo Kowalski, líder do Centro de Referência em Tumores de Cabeça e Pescoço Câncer de cabeça e pescoço e Covid-19. Em artigo divulgado pela revista científica The Lancet Oncology, especialistas representando mais de 30 sociedades médicas do...
Presença de proteína no sangue é um importante biomarcador para controle de câncer de estômago
Oncogene HER 2 é maior nas células tumorais circulantes do que nos tumores primários O câncer de estômago é a terceira neoplasia maligna mais letal do planeta, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS) – corresponde a 8% de todos os tumores. Entre as causas...
Telemedicina: mais segurança e conforto para os pacientes oncológicos seguirem seus tratamentos e diagnósticos em tempos de Covid-19
Pensando na segurança e no conforto dos nossos pacientes em tempos de Covid-19, lançamos a plataforma de Telemedicina do A.C.Camargo Cancer Center, que oferece um atendimento inovador para que o paciente não interrompa o seu tratamento, proporcionando mais comodidade e praticidade no combate ao câncer...