A.C.Camargo ajuda a definir condutas oncológicas nacionais e internacionais na era da Covid-19

Publicado em: 16/06/2020 - 10:06:22
Tratamento
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Tumores Urológicos

Médicos participaram da elaboração de diretrizes em especialidades como cirurgia oncológica, tumores urológicos, gastrointestinais e de cabeça e pescoço

A Covid-19 requer que todas as orientações médicas sejam respeitadas. Assim como o câncer, cujo tratamento não pode ser modificado ou abandonado por vontade própria – somente a equipe médica é competente para definir.

Por isso, o A.C.Camargo Cancer Center dispõe de um Atendimento Oncológico Protegido, para que seu pacientes se tratem ou façam uma consulta de rastreamento, caso observem sinais ou sintomas que mereçam atenção.

A excelência do corpo clínico, inclusive, gerou contribuições significativas em condutas oncológicas nacionais e internacionais na era da Covid-19.

A seguir, conheça algumas das participações de nossos médicos em entidades que ajudaram a proteger os pacientes oncológicos durante a pandemia.


Doutor Stênio Zequi, líder do Centro de Referência em Tumores Urológicos

“Somos fundadores e coordenadores do Latin American Renal Cancer Group, o LARCG. Numa iniciativa da Confederación Americana de Urología, fui convidado por colegas ibero-latinos, juntamente com o Dr. Diego Abreu do Hospital Pasteur do Uruguai, a escrever sobre as melhores estratégias de tratamento durante a pandemia para pacientes com tumores renais.

O artigo está publicado no periódico International Brazilian Journal of Urology – juntamente com trabalhos de especialistas do mundo todo, que foram chamados para estipular as melhores práticas em tumores urológicos.

Nessas diretrizes, deixamos claro que não é todo mundo que tem câncer que pode postergar o tratamento. Há tumores agressivos que precisam ser tratados de imediato para preservar a chance de cura e o aumento de sobrevida. Por exemplo, casos localmente avançados que estão invadindo órgãos adjacentes ou o trombo tumoral na veia cava.

No entanto, há tumores mais intermediários, cujo tratamento pode ser adiado em 60 ou 90 dias, quando a gente repete um exame de imagem e reavalia. Se a pandemia ainda apresentar riscos, a gente pode acompanhar mais um pouco. Existem até alguns raros casos metastáticos em que se pode fazer isso. 

Outros casos em que se pode esperar um pouco são os de pequenos nódulos, com menos de 4 cm – em média, 20% deles são benignos, 60% são tumores de baixa agressividade e apenas 20% são perigosos. Essa pequena massa renal cresce cerca de 3 mm por ano, então posso pedir para a pessoa voltar entre quatro e seis meses.

Pacientes com câncer rim metastático podem receber tratamento sistêmico, como imunoterapia associada ou não à terapia de alvos moleculares e, a depender da resposta ao tratamento, poderão ter a remoção do tumor renal primário postergada. A maioria destes não precisará operar o rim urgentemente. 

Mesmo assim, alguns pacientes não suportam esperar e pedem para ser tratados de imediato, seja por motivos psicológicos ou por questões econômicas – vai acabar o convênio, por exemplo.

Nesses casos, temos alternativas de tratamento não cirúrgicos menos invasivas. Exemplos: se forem essas pequenas massas renais, podemos fazer uma punção e uma ablação (destruição térmica) com radiofrequência (calor) e crioterapia (esfriamento); já no câncer de próstata, podemos dar hormonioterapia ou fazer radioterapia, em vez de operar.

Uma coisa é a doença, a outra é o “portador” da doença. Às vezes, o tumor é de fácil tratamento, a cirurgia não é complexa, mas o paciente é muito idoso, hipertenso, diabético, tem problemas respiratórios, então há um risco de tratá-lo durante a Covid-19. Em outros casos, o tratamento é mais complexo, mas o doente é forte e pode suportar abordagem da lesão.

Assim, o importante é avaliar o câncer de cada paciente individualmente. Em resumo, os colegas do A.C.Camargo, que têm experiência para fazer essa avaliação, estão ajudando nas diretrizes nacionais e internacionais do tratamento do câncer.”


Doutor Luiz Paulo Kowalski, líder do Centro de Referência em Tumores de Cabeça e Pescoço 

“Sou da diretoria do Grupo Brasileiro de Câncer de Cabeça e Pescoço (GBCP) e fizemos uma revisão emergencial das práticas, colaborando com colegas internacionais em alguns pontos principais, revisão esta publicada na Oral Oncology.

Em um segundo artigo aprovado para publicação na The Lancet Oncology, representamos o Latin American Cooperative Oncology Group (LACOG) e a Sociedade Americana de Cabeça e Pescoço. A elaboração dessa revisão contou com a participação de 40 especialistas do mundo todo.

A recomendação mais importante é não interromper nem adiar o tratamento do câncer de cabeça e pescoço, independentemente da Covid-19. Salvo raríssimas exceções, como alguns casos de câncer de tireoide, a pessoa tem de se cuidar de imediato, ou se submeter a um seguimento muito próximo, para que o tumor não se torne intratável.

Da mesma forma que, caso tenha algum sinal ou sintoma, ela deve procurar ajuda médica para conseguir um diagnóstico. 

Para que não haja confusão, é importante enfatizar: no começo da pandemia havia a recomendação da OMS, da CDC e de sociedades médicas nacionais e internacionais de se adiar um pouco o tratamento, mas isso recentemente mudou, diante das novas evidências. No A.C.Camargo, o paciente encontra um ambiente seguro para o cuidado oncológico.” 


Doutora Rachel Riechelmann, head da Oncologia Clínica 

“Fora do A.C.Camargo, minha atuação é como presidente do Grupo Brasileiro de Tumores Gastrointestinais (GTG) e como coordenadora do Comitê de Tumores Gastrointestinais da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (SBOC).

Vale destacar o artigo que publicamos no periódico eCancer Medical Science, que apresentou as diretrizes de tratamento de tumores gastrointestinais em tempos de Covid-19, pois foi o primeiro do mundo sobre o assunto.

O grande desafio tem sido informar o paciente oncológico para conscientizá-lo da importância de seguir seu tratamento. A gente o orienta, explica que o tratamento não pode ser atrasado, pois um tumor pode crescer e/ou criar resistência a uma medicação, ou mesmo tornar uma eventual cirurgia ineficaz.

Ao mesmo tempo, a gente tenta minimizar riscos, então, se for possível em termos de evidência científica, pode-se trocar o tratamento, por exemplo, de uma quimioterapia na veia para via oral, assim a pessoa vem menos ao Cancer Center.

O que podemos frisar para o paciente é que ele está seguro para seguir seu tratamento nas unidades do A.C.Camargo, onde temos um fluxo oncológico protegido, que o preserva de qualquer proximidade com alguém que tenha tido, por exemplo, um sintoma gripal ou contato com alguém com sintoma gripal – quem chega com esse histórico, já é testado no pronto atendimento e conduzido por um fluxo separado. Ou seja, se você vier ao pronto atendimento por um motivo oncológico como dor ou sangramento, não estará exposto.

Ainda assim, claro, se a pessoa puder pegar um resultado de exame pela internet, tanto melhor. O importante é não deixar de se cuidar, pois o câncer não pode esperar.”


Doutor Felipe Coimbra, líder do Centro de Referência em Tumores Gastrointestinais 

“Até março, fui presidente da Americas Hepato-Pancreato-Biliary Association (AHPBA), entidade responsável pelos médicos e cirurgiões que tratam doenças de fígado, pâncreas e vias biliares nas américas. 

Estávamos em um congresso em Miami, quando estourou a pandemia – colegas de países como Itália e Japão participaram por vídeo. Lá, discutimos como seria essa nova realidade, que mais do que nunca utilizará a tecnologia, com recursos como a telemedicina.

Depois, fizemos um guideline com orientações para tratamentos e cirurgias em tumores de fígado, pâncreas e vias biliares. Foi um encontro online no qual representei o Brasil. 

Foram estipuladas várias medidas de segurança para essas cirurgias, de acordo com cada instituição e com cada momento da pandemia do país em questão. 

O importante é manter essa retomada de tratamento, como se faz em um Cancer Center como o A.C.Camargo. Temos tendo um papel protagonista na tomada de condutas seguras para esses pacientes, que precisam de um tratamento curativo e personalizado mesmo durante a pandemia, para que eles não sofram a consequência de uma doença mais avançada posteriormente.

Também vale ressaltar as condutas oncológicas seguras propostas pela Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncológica (veja a seguir), a qual presidi entre 2015 e 2017 e que conta com a participação de médicos do A.C.Camargo em seu comando.”  


Doutor Heber Salvador de Castro Ribeiro, cirurgião oncológico  

“Sou vice-presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncológica (SBCO), que tem uma história ligada ao A.C.Camargo – além de contar com membros da Instituição como o Dr. Glauco Baiocchi Neto, que é vice-diretor de relações internacionais, teve o Dr. Ademar Lopes como um dos fundadores e o Dr. Felipe Coimbra como presidente, cujo trabalho foi fundamental para tornar a cirurgia oncológica uma especialidade.

Desde que saíram os primeiros casos, tivemos de entender a dimensão da pandemia e orientar médicos e instituições, que trabalham com câncer, sobre qual seria o manejo apropriado frente a demanda das estruturas de saúde para atendimento de pacientes com Covid. Sempre pensando em quem tem câncer, uma doença heterogênea e com parte considerável dos pacientes que não tem como adiar seus tratamentos.

Em março, a SBCO lançou uma primeira nota. Nela, ponderava que, naquele momento, a pandemia estava em estágios diferentes no país e tinha casos numa curva importante em cidades como São Paulo e Rio, mas outros municípios ainda não estavam com o serviço de saúde pressionado. Nossa recomendação foi: em lugares com o serviço pressionado, que se fizesse uma análise dos procedimentos eletivos e que se postergasse os casos de menor agressividade, como lesões pré-malignas ou cirurgias associadas à prevenção do câncer. 

Também sugerimos o adiamento dos procedimentos nas instituições onde a curva de casos era muito grande e a estrutura hospitalar estava completamente pressionada.

Com o decorrer do tempo e a evolução da Covid, fomos soltando novas notas, preocupados também com a segurança dos profissionais. Fomos a primeira sociedade a levantar a bandeira do rastreamento pré-operatório para pacientes que fariam cirurgias eletivas. A terceira nota que soltamos, no fim de março, mostrava que esse rastreamento para proteger pacientes e profissionais deveria ser feito, pois já se percebia que o pico da pandemia não seria curto. A gente já dizia que os casos mais críticos deveriam ser operados. 

Ainda em março, a SBCO lançou um termo de consentimento que serviu de referência no Brasil inteiro. Ele alertava os pacientes que seriam submetidos a cirurgias eletivas a respeito do risco de eles estarem infectados e desenvolverem sintomas no pós-operatório, além de haver um risco de a equipe se infectar, causando a mudança de quem estava cuidando desses pacientes. 

No início de abril, começamos a trabalhar a ideia das “Rotas Livres de Covid”, o conceito de rotas protegidas para reduzir o risco de contaminação desses pacientes e profissionais. A SBCO produziu dois materiais muito completos. Fomos convidados para entrar na comissão da Anvisa, que emitiu uma nota técnica com todas as recomendações oficiais a respeito de como os procedimentos cirúrgicos precisam ser, os cuidados no intra e no pós-operatório, o uso de EPIs e tudo mais. 

Em maio, a gente propôs a retomada dos procedimentos, a depender da fase da pandemia na determinada cidade – em Belém, por exemplo, um colega relatou que não poderia operar câncer porque não havia leito nem para a Covid, então essas cidades que estão com o sistema completamente travado não conseguem aplicar o modelo e manter o atendimento oncológico.

Outro ponto importante que temos discutido é que, independentemente do pico, temos que pensar no tratamento oncológico de agora para frente. Não é só cirurgia. Pacientes oncológicos precisam voltar a fazer exames. Há toda a cadeia de tratamento: rastrear, investigar sintomas, estadiar e conseguir chegar à cirurgia. Sem isso, a perspectiva é de um aumento grande da mortalidade dessa população.”

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