Tabagismo: um manual
sobre o que o cigarro
faz com seu corpo
Tabagismo: um manual sobre o que o cigarro faz com seu corpo

Publicado em: 27/01/2020 - 09:50

Quando detectados no início, nove entre dez casos de câncer têm chances de cura; assim, veja este guia com dicas para quem quer largar o vício

O tabagismo é diretamente responsável por 80% das mortes por câncer de pulmão e 30% das mortes por outros tipos de câncer. Casos como boca, faringe, laringe, pâncreas, estômago, bexiga, intestino, entre outros.

Além disso, o tabaco está ligado a cerca de 50 outros diferentes tipos de doenças.

Criado em 1996, o GAT (Grupo de Apoio ao Tabagista do A.C.Camargo Cancer Center) integra um vasto leque de ações pioneiras na história da Instituição. De forma multidisciplinar, desenvolve um plano terapêutico individualizado, com elevados índices de sucesso, para aqueles que desejam parar de fumar.

O câncer é uma doença passível de prevenção em boa parte dos casos. E, quando detectados no início, nove entre dez casos de câncer têm chances de cura. 

A seguir, veja na imagem os benefícios para quem deixa de fumar e, em seguida, confira um manual para entender o tabagismo e se livrar do cigarro. 

Tabagismo benefícios de parar

Fonte: American Cancer Society

O cigarro é composto por cerca de 4.700 substâncias tóxicas como naftalina, acetona, terebentina, formol e mais outras tantas. Entre elas destacam-se principalmente a nicotina, que causa dependência, e o alcatrão, que contém os produtos cancerígenos do cigarro.

Todas estas substâncias estão presentes na fumaça do cigarro em consequência da combustão do tabaco.

Apesar de o cigarro ser a maneira mais comum de consumo do tabaco, devemos lembrar que qualquer forma de consumo (cachimbo, charuto, narguile, entre outros) leva à exposição a esses componentes tóxicos do tabaco.

Para o fumante, o primeiro local de contato dos componentes do tabaco com o organismo é a boca. Ali, os atributos da fumaça do cigarro já causam muitos prejuízos para a saúde bucal.

Dentes amarelados, manchas nos dentes e na boca, maior predisposição para cáries dentárias e mau-hálito estão entre as principais alterações. Além disso, o câncer dos lábios, da boca e da língua estão fortemente associados ao consumo de tabaco.

Além de ser o primeiro órgão a sofrer as consequências nocivas do tabaco, a boca é a porta de entrada natural para a fumaça do cigarro se propagar pelo organismo e causar danos em diversos outros órgãos.

Ao ser inalada, a fumaça é carregada pelo ar e trilha um caminho natural em nosso organismo, chegando finalmente aos pulmões.

Depois de passar pela boca, a fumaça atinge outros órgãos como a faringe e a laringe, onde pode causar graves problemas como faringites, laringites e, principalmente, o câncer da laringe.

Ao ser transportada pelo ar através da traqueia e dos brônquios, a fumaça chega ao seu destino final: os pulmões. É neste órgão que ocorre o contato mais intenso entre o organismo e os componentes da fumaça do tabaco.

Por ser o depósito final de todos os componentes da fumaça do tabaco, o pulmão é o órgão mais seriamente comprometido pelas doenças relacionadas ao tabagismo. Enfisema pulmonar, bronquite e sobretudo o câncer de pulmão são as principais doenças observadas.

Cerca de 80% de todos os casos de câncer pulmonar são atribuídos diretamente ao consumo de tabaco.

A relação entre câncer de pulmão e o consumo de tabaco é bastante estreita: quanto maior a quantidade de consumo de tabaco, maior será o risco de desenvolver câncer de pulmão.

Por outro lado, após a cessação do tabagismo, observamos uma redução progressiva desse risco.

Entretanto, mesmo depois de 20 anos de abandono do tabagismo, o risco é ainda ligeiramente maior do que o observado nas pessoas que nunca fumaram.

Por esses motivos, a recomendação é de que as pessoas jamais fumem. E, para aqueles que fumam, é de abandonar o consumo de tabaco o mais rapidamente possível.

Assim, poderemos reduzir as taxas de mortalidade por câncer de pulmão.

Depois de passar pelo "filtro" nos pulmões, as substâncias que compõem o tabaco são absorvidas pela corrente sanguínea e, por esta via, ganham acesso a todos os órgãos do corpo.

Muito nem imaginam, mas a fumaça é transportada para além dos caminhos naturais atingidos pelas vias aéreas.

Através da corrente sanguínea, as substâncias nocivas inaladas ganham todos os órgãos do nosso corpo, aumentando os riscos e podendo causar inúmeros danos para a saúde.

As substâncias nocivas inaladas com a fumaça do tabaco também atingem órgãos do sistema digestivo.

Diversas doenças do esôfago, estômago e pâncreas são causadas por essas substâncias.

Esofagite, gastrite, pancreatite e refluxo gastro-esofágico podem ser causados e piorados pelo consumo de tabaco.

A associação entre álcool e tabaco aumenta ainda mais o risco destas doenças. Entretanto, o câncer nesses órgãos é a doença mais grave e tem relação direta com o consumo de tabaco.

Depois de serem absorvidas pela corrente sanguínea, as substâncias presentes na fumaça do tabaco disseminam-se por todos os órgãos do corpo humano.

Em seguida dessa viagem pelo organismo, os componentes da fumaça do cigarro são eliminados pelo sistema urinário.

Presentes na corrente sanguínea, os componentes do tabaco passam pelo sistema urinário, onde são filtrados pelos rins e armazenados na bexiga, sob a forma de urina.

Ao serem filtradas pelos rins e principalmente ao serem armazenadas na bexiga, as substâncias da fumaça do tabaco permanecem por um longo tempo em contato com o interior desses órgãos.

A exposição prolongada a tais substâncias nocivas faz com que as células que constituem esses órgãos sejam
"atacadas" e se transformem em células malignas.

Devido à sua gravidade, o câncer é o principal temor dos fumantes, porém diversas outras doenças potencialmente fatais também são causadas diretamente pelo consumo de tabaco.

Da mesma forma que a fumaça do cigarro leva agentes cancerígenos para todo o organismo, outras substâncias tóxicas presentes na fumaça do tabaco também viajam pelas vias aéreas, digestivas e sanguíneas, atingindo e causando outras doenças em diversos órgãos.

Por receberem diretamente toda a fumaça inalada pelas vias aéreas, os pulmões sofrem seriamente com a presença de todas essas substâncias nocivas. Enfisema pulmonar, bronquite e pneumonia estão frequentemente associadas com o consumo de tabaco.

Ao serem absorvidos pela corrente sanguínea, os componentes da fumaça comprometem frequentemente o coração e o cérebro.

As substâncias nocivas causam problemas na circulação do sangue, dentro do coração e do cérebro, levando às chamadas doenças cardiovasculares, onde se destacam o infarto agudo do miocárdio e o acidente vascular cerebral (derrame cerebral).

Tanto o infarto do coração quanto o derrame cerebral estão entre as principais causas de morte em toda a população.

Além de causar mal a quem inala diretamente a fumaça do tabaco, os malefícios são estendidos mesmo aos não fumantes que absorvem a fumaça proveniente dos cigarros.

A exposição ambiental à fumaça do tabaco aumenta em cerca de 30% o risco de morrer por câncer de pulmão, por infarto do miocárdio ou por derrame cerebral.

Todas as doenças causadas pelo consumo de tabaco podem comprometer os fumantes passivos.

As mulheres são as principais vítimas do consumo passivo da fumaça do cigarro. Não fumar é um sinal de respeito a si próprio e às pessoas que compartilham o mesmo ambiente.

As crianças também são afetadas, algo que a aumenta as chances de sofrerem com doenças respiratórias.

Certamente, o tabagista ficará assustado com a quantidade de substâncias tóxicas que entraram em seu organismo durante todo o tempo de vida em que foi fumante.

Além disso, todas as doenças causadas pelos componentes da fumaça do cigarro têm a característica de serem diretamente relacionadas à quantidade de tabaco consumida.

Quanto mais intensa for a exposição à fumaça, maiores serão os riscos de desenvolver câncer, principalmente o câncer de pulmão, fora outras doenças relacionadas ao tabaco, como infarto agudo do miocárdio, derrame cerebral e enfisema pulmonar.

O raciocínio inverso é verdadeiro, ou seja, quanto menos exposto ao tabaco, menores serão os riscos de desenvolver todas estas doenças.

Por esses motivos, o fumante deve abandonar o consumo de tabaco o mais precocemente possível, pois dessa forma estará reduzindo drasticamente a probabilidade de morrer das doenças causadas pelo tabagismo.

Entre os componentes do cigarro há a nicotina, que é uma droga psicoativa e responsável pela dependência observada entre os fumantes.

Este é um dos grandes problemas do tabagismo, pois, ao agir no sistema nervoso, a nicotina faz com que o fumante fique cada vez mais dependente do consumo do tabaco.

Em geral, o nível de dependência é grande e esse é o motivo da dificuldade que os tabagistas têm para se livrar do consumo.

Mesmo consciente de todas as doenças graves que o tabaco pode trazer, o fumante continua a consumir as substâncias tóxicas que compõem a fumaça do cigarro.

O cigarro é uma arma muito perigosa porque combina, em um mesmo produto, componentes altamente nocivos à saúde com outras substâncias que tornam o tabagista dependente, mesmo tendo conhecimento de todos os malefícios.

Os fumantes devem cessar imediatamente o consumo de tabaco para preservar ou restabelecer a sua saúde. Para isso, em geral, precisam da ajuda de profissionais especializados em direcionar um tratamento que contemple as diferentes esferas de dependência.

Se levássemos em conta apenas os aspectos racionais, seria muito fácil escolher entre o caminho do bem-estar e o caminho da dependência.

Certamente, escolheríamos o caminho do bem-estar, pois a dependência de tabaco vai trazer sérias consequências à saúde.

Essa decisão, porém, geralmente é tomada em uma fase da vida onde somos muito vulneráveis às influências externas.

Cerca de 80% a 90% das pessoas começam a fumar antes dos 17 anos de idade, e, com o tempo, tornam-se dependentes do tabaco.

Uma vez a dependência estabelecida, é muito difícil abandonar o vício, mesmo tendo-se pleno conhecimento de todos os malefícios que ela pode trazer.

Resistir às influências perniciosas que levam a essa escolha, com atitude firme, e dizer não ao tabaco são decisões sábias que principalmente os jovens devem ter.

Escolher o caminho do bem-estar e ter uma vida saudável é cuidar da saúde e assegurar um futuro melhor.

A prática de atividade física é uma das atitudes mais saudáveis que podemos adquirir e representa o extremo oposto do consumo de cigarros.

Além disso, outras atitudes preventivas como boa alimentação, sono adequado e lazer contribuem para melhorar a qualidade de vida.

Lembre-se: estilo de vida é uma questão de escolha. Ao invés de fumar, pratique esporte e tenha uma vida saudável.

• Tome 1 ou 2 copos de água cada vez que tiver vontade de fumar

• Leia um livro ou faça alguma atividade que o distraia

• Evite aquilo que dê vontade de fumar: café, bebida alcoólica, doces etc

• Após as refeições, levante, deixe a mesa imediatamente e escove os dentes

• Tire os estímulos que possam lembrar o cigarro: cinzeiros, isqueiros e outros objetos

• Faça exercícios físicos: caminhadas diárias, musculação, natação, alongamento, entre outros

• Trabalhe seus pensamentos automáticos: reveja as tentativas anteriores de parar de fumar e lembre os fatores que ajudaram e os que atrapalharam

• Lembre-se sempre de todas as razões que o levaram a parar de fumar

• Se necessário, recorra a alimentos que não engordam: frutas, legumes, balas ou goma de mascar sem açúcar; e tome bastante líquido

• Sempre que possível, procure ajuda especializada