Next Frontiers

Nutrição para pacientes com câncer: os desafios

Linha Fina

Conversa, medicamentos adequados e alimentação correta estão entre eles

A nutrição para pacientes com câncer é um pilar muito importante do tratamento, assunto abordado no do Next Frontiers to Cure Cancer, congresso internacional organizado pelo A.C.Camargo de 22 a 25 de junho.

No Simpósio de Nutrição e Nutrologia do evento, foi lembrado que é essencial que as equipes de nutrição tenham empatia e se dediquem ao ter uma conversa com os pacientes, pois assim é possível entendê-los por completo, já que eles chegam com uma grande carga psicológica e física.

“Muitas vezes, o paciente não consegue compreender o que estamos explicando. Ele até diz que entendeu, mas tem dificuldade por todo o contexto”, alerta Lidiane Pereira Magalhães, tutora do Programa de Residência Multi em Oncologia (Nutrição) e nutricionista do ambulatório de Nutrição em Oncologia do Departamento de Oncologia Clínica e Experimental da UNIFESP/HSP.


Uso inadequado de medicamentos e alimentação 

Esta é uma questão importante. “Por vezes, eles têm um tumor no estômago que está sendo tratado como gastrite e já chegam com o problema avançado. Ou eles acham que já tomam muito remédio e deixam de tomar, por exemplo, algo para a náusea. Ou o estômago está doendo e eles tomam Omeprazol por conta própria”, explica Lidiane.

A alimentação também é vital. “Às vezes, eles vêm de outros estados com um hábito alimentar diferente e ficam na casa de parentes, o que faz que ele coma menos. Economizar também é um ponto importante, pois eles podem apelar, por exemplo, por se alimentar com macarrão instantâneo. Se eles não se tratarem direito, vão desidratar”, acrescenta a especialista, que diz que faz falta um cuidador para monitorar essas questões. 


Nutrição para pacientes com câncer: outros desafios

De acordo com Lidiane, muitas coisas envolvem o paciente. Falta orientação e atendimento correto – muitos profissionais não têm paciência de explicar o quadro.

“Pode haver medo e preconceito, eles ‘não querem encontrar doença’. Às vezes, na região em que eles moram não há acesso ao serviço que eles necessitam, então eles precisam ir a outra cidade ou não conseguem a medicação para o problema que eles têm, e tudo isso agrava mais a saúde”, alerta a nutricionista Lidiane Pereira Magalhães.

Nutrição para pacientes com câncer: lidiane, branca, 40 anos

 

Confira os destaques do terceiro dia do Next Frontiers

Nosso 3º dia do Next Frontiers to Cure Cancer foi um sucesso! Confira no vídeo um resumo com os principais acontecimentos de hoje.

No 4º e último dia ainda teremos muitas atividades em diversas salas, a divulgação dos selecionados dos Resumos Científicos e o lançamento do Prêmio Inovações pela Vida 2022. Acompanhe com a gente! ?

??Confira a programação e não fique de fora: https://www.nextfrontiers.com.br/nfcc2022

 

Atualizações no diagnóstico dos tumores neuroendócrinos

No segundo dia do Next Frontiers to Cure Cancer, o Dr. Rodrigo Gomes Taboada, oncologista clínico do A.C.Camargo Cancer Center, abordou as atualizações no diagnóstico dos tumores neuroendócrinos em sua aula. 

O especialista explicou que os tumores neuroendócrinos são raros. “Embora rara, essa incidência está aumentando nos últimos 30 anos. Provavelmente devido ao refinamento dos métodos de imagem, maior uso desses métodos para rastreamento de outras condições e maior conhecimento da comunidade clínica e patológica”. 

O aumento de incidência ocorre a todos os sítios primários, mas principalmente nos pulmões, intestino delgado, pâncreas e estômago. Considerando todas as neoplasias malignas do trato gastrointestinal, os tumores neuroendócrinos representam cerca de 1,5%. 

Tumores neuroendócrinos: heterogeneidade e classificação 

Dr. Rodrigo explica que os tumores neuroendócrinos formam um grupo de neoplasias tão heterogêneo que sua imprevisibilidade torna o manejo desafiador. O diagnóstico é fundamentalmente patológico e depende da morfologia e de marcadores de imuno-histoquímica de diferenciação neuroendócrina. 

“Os marcadores imuno-histoquímicos são fundamentais para o diagnóstico, mas também podem ser úteis para a diferenciação de neoplasias de alto grau, que são divididas em tumores neuroendócrinos de grau 3 e carcinomas neuroendócrinos”, comenta Dr. Rodrigo. Ele também reforça a importância de saber que pode haver a mesma multiplicidade de marcadores positivos em distintos sítios. 

Em um grupo de neoplasias tão heterogêneo é natural que existam diversas classificações, a maioria delas com aplicações prognósticas ou terapêuticas. Podem ser diferenciadas pela localização do sítio primário e a presença de síndromes funcionantes ou associadas à predisposição hereditária ao câncer. 

Os médicos que tratam os pacientes com tumores neuroendócrinos precisam ficar sempre atentos e suspeitar de heterogeneidade tumoral, tanto no diagnóstico quanto durante o curso da doença. Pode ser útil combinar métodos de imagens funcionais se a doença está demonstrando um curso mais agressivo. Até mesmo repetir uma biópsia pode ser necessário em alguns casos. 

Dr. Rodrigo comenta que é preciso individualizar o tratamento, avaliar a carga de sintomas, a carga tumoral, a ressecabilidade, se é predominantemente metastática para o fígado, a taxa de progressão e a performance do paciente, que são características extremamente subjetivas. Tudo isso é essencial, assim como a análise desse paciente e definição de conduta em uma reunião multidisciplinar. 

“A área multidisciplinar reduz o atraso do diagnóstico, dos tratamentos, facilita a continuidade do cuidado, personaliza o tratamento do paciente e é uma possibilidade de educação e pesquisa para a Instituição”, finaliza. 

Cirurgia Robótica em Oncologia - Assistência, Ensino e Pesquisa

Linha Fina

Encontro reuniu grandes nomes para debater ampliação, ensino, certificações e o custo-efetividade do tema 

A cirurgia robótica foi destaque no segundo dia de apresentações no Next Frontiers to Cure Cancer. O Dr. Stênio de Cassio Zequi, líder do Centro de Referência de Tumores Urológicos, conduziu os trabalhos da sala. Foram discutidos pontos como a importância da formação de cirurgiões que operam por robô, as certificações, a efetividade dessa prática e as vantagens assistenciais, além de sua custo-efetividade. 

O procedimento, que é minimamente invasivo, traz diversos benefícios para pacientes quando comparado à cirurgia convencional. 

O A.C.Camargo Cancer Center é um dos principais centros da América Latina especializados em cirurgia robótica para o câncer. Além de especialista em oncologia, a experiência em robótica torna a Instituição uma referência neste tipo de procedimento para tratamento de tumores.  

Porém, para aproveitar o máximo potencial da cirurgia robótica, é preciso uma equipe multidisciplinar de especialistas em oncologia que atuam de forma integrada. Por isso, esse tipo de procedimento desse levar em consideração também o contexto de tratamento e como os demais profissionais, como nutricionistas e fisioterapeutas, por exemplo, estão capacitados. 

O trabalho destes profissionais na preparação do paciente para o procedimento também é importante. O preparo físico, nutricional e psicológico antes da cirurgia são essenciais para que o paciente tenha uma recuperação mais segura e eficiente. 

Em uma das salas de transmissão, no segundo dia de sessões do evento, o Dr. Stênio de Cassio Zequi explanou sobre a especialização da Instituição. São 9 anos e mais de 3.600 cirurgias.  

Segundo o Dr. Stênio, o programa de cirurgia robótica é um sucesso e muito bem estabelecido devido estratégias mercadológicas, programas de ensino e alta especialização de todos envolvidos no processo. “No Brasil, temos 90 robôs. Somente em São Paulo 32 e, mesmo assim, o A.C.Camargo foi um dos hospitais que mais operou por robótica durante a pandemia”, comenta o especialista.  

Já o Dr. Luiz Paulo Kowalski, Líder do Centro de Referência em Tumores de Cabeça e Pescoço, abordou o ensino de Cirurgia Robótica em fellowship de um cancer center. Entre seus comentários, a necessidade de levar assistência de qualidade para a população. “São 4.8 bi de pessoas no mundo que não têm acesso a cirurgias de qualidade”, dado que reforça a necessidade de ampliação de ensino, pesquisa e assistência no planeta.   

Ainda tivemos a participação do Dr. Héber Salvador De Castro Ribeiro, presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncológica, que trouxe a importância das certificações. Segundo o Dr. Héber, as entidades de classe, como SBCO, tem um papel importante para assegurar as certificações de qualidade no país e, dessa forma, contribuir diretamente com o desenvolvimento da técnica e com o desfecho clínico para pacientes.   

O Dr. Walter Henriques da Costa, Gerente Médico do A.C.Camargo Cancer Center, finalizou o encontro trazendo o olhar da gestão sobre a cirurgia robótica, enumerou algumas vantagens diretas do procedimento, além de salientar o custo-efetividade. “Se num primeiro momento a cirurgia robótica se apresenta como mais cara para as operadoras de saúde, em médio e longo prazo mostra-se mais efetiva, pois reduz as complicações clínicas e retornos aos especialistas, tornando o processo todo menos dispendioso".

Saiba tudo sobre cirurgia robótica em nossa página especial dedicada ao tema.  

“A imunoterapia está mudando o tratamento do câncer e o futuro parece bem iluminado”

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Entenda mais sobre este tipo de tratamento e sobre as CAR-T Cells com o Doutor David Maloney, norte-americano da Universidade de Washington e do Fred Hutchinson Cancer Research Center

As CAR-T Cells – em português, células CAR-T – são uma modalidade de imunoterapia que promete revolucionar o tratamento do câncer, sobretudo tumores hematológicos.

Trata-se de terapias personalizadas que agem em alvos específicos, usando células do paciente e não medicamentos sintéticos. 

Nela, as células de defesa do organismo são extraídas do paciente e moldadas em laboratório para combaterem seu próprio tumor. Depois, são infundidas de volta no paciente. Ou seja, elas atuam reprogramando as próprias células do paciente contra a doença.

Essa modalidade de tratamento imunoterápico foi discutida não apenas em painéis do Next Frontiers to Cure Cancer, congresso internacional organizado pelo A.C.Camargo: foi o assunto da aula magna Terapias com células CAR-T na prática clínica, dada pelo Doutor David Maloney, norte-americano da Universidade de Washington e do Fred Hutchinson Cancer Research Center.


CAR-T Cells e imunoterapia: futuro promissor

“A imunoterapia está mudando o tratamento do câncer e o futuro parece bem iluminado”, comemora o Doutor David Maloney, sem se esquecer que ainda há desafios importantes, principalmente em relação às CAR-T Cells.

“Há vários estudos em andamento nos quais estamos discutindo o poder das CAR-T Cells para acabar com as células cancerígenas, mas é difícil, precisamos compreender melhor como os receptores funcionam e cuidar da questão da toxicidade”, acrescenta o médico.

O Doutor David Maloney explicou que os estudos demonstram que há melhores respostas em leucemias, linfomas e mieloma múltiplo, mas ainda é preciso avançar, por exemplo, em compreensão para tumores sólidos e de pulmão.

Doutor David, cabelo e cavanhaque brancos, fala de imunoterapia
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Para avançarmos para este futuro iluminado, há estudos em andamento que discutem o poder das CAR-T Cells para acabar com as células cancerígenas, mas precisamos compreender melhor como os receptores funcionam e cuidar da questão da toxicidade.
Doutor David Maloney, da Universidade de Washington e do Fred Hutchinson Cancer Research Center

As tendências do design na área da saúde

No primeiro dia do Next Frontiers to Cure Cancer, a sessão de “Experiência do Paciente” trouxe profissionais que abordaram temas relacionados a arquitetura e design. 

Durante a aula Tendências do design – Hospitais do futuro, a arquiteta e urbanista Ana Paula Naffah Perez trouxe 10 tendências para a área da saúde.

Hospitais conectados

Segundo a arquiteta, adultos passam em média 11 horas por dia olhando uma tela. Por isso, é importante que as unidades de saúde estejam conectadas e que possam ser utilizadas de forma remota. “A unidade de saúde tem que refletir essa nova realidade e transformá-la em uma experiência interessante para o paciente, familiar e profissionais”, cometa Ana Paula.

Como contraponto à tecnologia, Ana Paula comenta sobre a tendência da biofilia, que é a natureza cada vez mais integrada às unidades hospitalares, trazendo bem-estar e conforto emocional.

Design limpável, durável e sustentável

Embora o controle de infecção não seja novidade, a avaliação correta no uso e especificação dos materiais se transformou num dos itens mais importantes dos projetos. A especificação ideal são materiais que possam alinhar facilidade de assepsia, durabilidade, estética e sustentabilidade.

Por isso, a sustentabilidade como tendência é um desafio para o arquiteto, que precisa trabalhar com revestimentos, por exemplo, de forma inteligente.

“A arquitetura é a vontade de uma época, traduzida em espaço, como diz o mestre da arquitetura, Mies Van Der Rohe. E precisamos traduzir o futuro na arquitetura para a área da saúde”, finaliza Ana Paula.
 

Ana Paula Naffah Perez

CAR-T Cells: será o fim do transplante alogênico para a leucemia linfoide aguda?

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Confira o que acha o Doutor Ryan Cassaday, norte-americano que deu uma aula no Next Frontiers to Cure Cancer, congresso internacional organizado pelo A.C.Camargo

As CAR-T Cells, também conhecidas como células CAR-T, são uma grande novidade no tratamento de tumores hematológicos, embora seja um tratamento que não esteja disponível para o grande público.

O assunto foi tema no Next Frontiers to Cure Cancer, congresso internacional organizado pelo A.C.Camargo.

No painel Neoplasias Hematológicas - Leucemia Linfoide Aguda - O futuro da terapia com células CAR-T: será o fim do transplante alogênico?, o Doutor Ryan Cassaday, norte-americano que é professor na Universidade de Washington e no Fred Hutchinson Cancer Research Center, diz que ainda são necessários alguns avanços.


CAR-T Cells: o que são 

As CAR-T Cells são terapias personalizadas e agem em alvos específicos, usando células do paciente e não medicamentos sintéticos. 

Trata-se de células de defesa do organismo, que são extraídas do paciente e moldadas em laboratório para combaterem seu próprio tumor. 

Depois, são infundidas de volta no paciente. Ou seja, elas atuam reprogramando as próprias células do paciente contra a doença. 

Segundo o Doutor Ryan Cassaday, precisamos responder a perguntas para as quais ainda não temos respostas.

"Precisamos conseguir respostas mais rápidas, eficazes e seguras. Temos diferentes prognósticos, como fatores de pré-tratamento, o peso das doenças e terapias anteriores. Também precisamos de mais centros realizando as terapias com CAR-T Cells no mundo para entender mais sobre quais pacientes respondem melhor às CAR-T Cells. Enquanto não tivermos isso, o transplante pode seguir como uma opção interessante”, analisa o médico.

Doutor Ryan, branco, 40 anos, CAR-T Cells

Terapia canabinoide no tratamento do câncer: estudos mostram benefícios

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Entre eles, diminuição de náusea e vômito, ação ansiolítica e anti-inflamatória e redução de dores crônicas e neuropáticas 

A terapia canabinoide no tratamento do câncer é algo comprovado por vários estudos, sobretudo internacionais, inclusive reconhecidos pela ASCO (Sociedade Americana de Oncologia).

Foi esta a temática de uma das aulas de abertura do Next Frontiers to Cure Cancer, congresso internacional organizado pelo A.C.Camargo de 22 a 25 de junho.

No painel Cannabis no Controle de Sintomas em Oncologia, a Doutora Carolina Nocetti, Coordenadora Internacional da Academia Americana de Medicina Canabinoide e que tem larga experiência internacional no assunto, explicou que há mais de 100 fitocanabinoides.

"O sistema canabinoide é complexo e se relaciona com outros sistemas fisiológicos. O CB1 atua no sistema nervoso central e o CB2 nas células imunológicas", diz a médica. 


Terapia canabinoide no tratamento do câncer: não cura, mas melhora a qualidade de vida

Segundo a Doutora Carolina Nocetti, há inúmeros estudos que mostram a associação positiva do uso da terapia canabinoide no manejo de sintomas oncológicos, algo que inclusive é reconhecido pelo Conselho Federal de Medicina. 

“O CBD pode atuar na diminuição de náusea e vômito induzidos por quimioterápicos, além de atenuar dores crônicas e neuropáticas, ter ação ansiolítica e anti-inflamatória e ajudar no apetite. O CBD não cura, mas pode trazer uma melhor qualidade de vida”, afirma a Doutora Carolina Nocetti.

Doutora Carolina, 40 anos, branca e cabelo curto negro, Terapia canabinoide no tratamento do câncer

Câncer de pulmão em não fumantes: por que a incidência aumenta?

Na aula “Câncer de pulmão em não fumantes: por que a incidência aumenta”, a Dra. Viviane Alencar, oncologista clínica e oncogeneticista do A.C.Camargo, explicou que o câncer de pulmão em não fumantes apresenta alta mortalidade e é questão de saúde pública.

De 10% a 25% dos casos de câncer de pulmão no mundo são de não fumantes e sua incidência vem aumentando nas últimas décadas. Segundo a especialista, o principal fator de risco é a exposição ambiental ao tabaco, ou seja, tabagismo passivo.

Outros fatores de risco são: exposição a vapores de óleo de cozinha e carvão em uso domiciliar, poluição do ar, idade, fatores genéticos, doenças pulmores crônicas, alimentação desbalanceada, exposição a asbestos, dentre outros.