Uso de ômega 3, probióticos e glutamina em pacientes oncológicos é pauta em painel de Nutrição de Congresso promovido pelo A.C.Camargo Cancer Center

Publicado em: 10/04/2017 - 21:04:00
Release

Quando indicar a suplementação de Ômega 3, probiótico e glutamina para um paciente com diagnóstico de câncer? Quais são os riscos e benefícios? Suplementação in natura, em pó ou por comprimidos? Essas são as principais questões que estarão em discussão no Painel de Nutrição do Next Frontiers to Cure Cancer, evento internacional que ocorre de 20 a 22 de abril, em São Paulo

A avaliação e o acompanhamento nutricional são importantes para o paciente oncológico em todas as etapas do tratamento. O impacto da suplementação de ômega 3, probióticos e glutamina, assim como os potenciais benefícios e efeitos adversos desse consumo para o paciente oncológico, são assuntos que estarão em pauta no painel de Nutrição do Next Frontiers to Cure Cancer, congresso promovido pelo A.C.Camargo Cancer Center, que acontecerá de 20 a 22 de abril no Hotel Renaissance, em São Paulo.

Voltado a nutricionistas, médicos nutrólogos, e também aos estudantes de graduação e de pós-graduação na área de Nutrição, o painel debaterá as evidências científicas e as novas fronteiras quanto à indicação dos três nutrientes seja pelo consumo de alimentos naturais, de suplemento em pó ou em comprimido. Durante o evento, haverá a apresentação de recentes estudos de alto impacto e as novas fronteiras das diretrizes que apontam para quais grupos de pacientes a suplementação alimentar pode ser indicada.

"Essa é uma dúvida muito comum entre os profissionais da área de Nutrição, principalmente entre os que não trabalham com Oncologia em sua rotina clínica. O evento é uma ótima oportunidade para um debate de alto nível em torno dos protocolos em nutrição voltada ao paciente com câncer", explica a coordenadora de Nutrição Clinica do Serviço de Nutrição do A.C.Camargo, Thaís Manfrinato Miola.

 

GLUTAMINA - Um tipo de aminoácido existente em nosso corpo, a glutamina atua em síntese de proteína, no ciclo celular, no músculo esquelético e é a principal fonte de alimento para as células do intestino. Em outras palavras, ela tem o potencial de atuar como protetora do intestino, regularizando a flora intestinal, diminuindo o risco de infecções e de desenvolvimento de câncer. Quando o paciente está em tratamento de câncer, pode haver perda de imunidade e de massa magra, situações que afetam negativamente a produção de glutamina.

A indicação de suplementação dependerá do resultado da avaliação nutricional.  "É levado em conta se o paciente apresenta desnutrição leve, moderada ou grave e se, apesar de estar com sobrepeso ou obeso, ele perdeu bastante peso em pouco tempo. Esse pode ser um indicativo de que ele está com depleção de massa magra e a reposição de glutamina se torna recomendável", explica Thaís Manfrinato.

O tema é alvo de controvérsias. Segundo a nutricionista, alguns estudos in vitro mostram que não há benefícios para o paciente oncológico, enquanto que outros trabalhos mostram, por exemplo, que a glutamina reduz efeitos colaterais da qumioterapia e radioterapia, sem inteferir na sobrevida livre de doença e na sobrevida global dos pacientes estudados.

De acordo com Thaís Manfrinato, as evidências mais robustas apontam para a redução de mucosite quando a suplementação de glutamina é oferecida ao paciente que recebe radioterapia na região de Cabeça e Pescoço. Por sua vez, em quimioterapia convencional, não há indicativos desse benefício.

A glutamina é encontrada em fontes de proteínas como carnes, frangos, peixe, leites e derivados. Porém, em situações de estresse, como no caso do paciente oncológico, a alimentação pode estar deficiente, pelos efeitos colaterais do tratamento, e ele ainda pode não conseguir absorver toda a glutamina necessária. Em razão disso, a suplementação dos pacientes em tratamento de câncer se mostra mais eficaz em pó, sempre com orientação de um nutricionista.

 

ÔMEGA 3 - Presente em peixes de água gelada e salgada e na linhaça, o ômega 3 é, classicamente, indicado para pacientes que apresentam desnutrição. No entanto, conforme explica Thaís Manfrinato, essa suplementação pode ser mais precoce, para prevenção desse quadro, pois ele tem ação antiinflamatória e, com isso, potencial para auxiliar na prevenção de câncer de mama e de próstata, por exemplo.

"Outros paradigmas também estão mudando. Estudos apontam que a qualidade de vida do paciente com desnutrição grave pode reduzir com o uso da suplementação de ômega 3, pois os pacientes estudados apresentaram náusea após o consumo desse nutriente. Com isso, há discussão se, nos pacientes com desnutrição grave, o ômega 3 apresente tanto benefício", alerta Thaís.

Porém, em linhas gerais, o que se preconiza hoje é que o paciente em tratamento de câncer, independentemente do seu estado nutricional, pode apresentar alguma resposta positiva, sendo que a suplementação por cápsulas é a mais eficaz.

Na alimentação in natura, ressalta Thaís, a equipe clínica não consegue garantir que o paciente conseguirá absorver a quantidade adequada de ômega 3. Isso porque há vários fatores envolvidos, dentre eles saber se o peixe é de água salgada de fato ou se é de cativeiro, saber qual é o tipo de linhaça, pois entre as linhaças há variações de ômega 3, dentre outros. Já para o paciente que não está em tratamento, mas sim em segmento, é factível manter o ômega 3 por meio da alimentação, principalmente pelo consumo de linhaça.

 

PROBIÓTICOS - A utilização dos probióticos (bactérias do bem) se dá tanto na prevenção de tumores e na regularização da flora intestinal, como também pode ser eficaz como abordagem auxiliar ao tratamento de pacientes com câncer colorretal. No âmbito da prevenção, os probióticos podem ser encontrados na forma in natura em leites fermentados e iogurtes. Eles ajudam a manter o intestino mais saudável, gerando menos inflamação que pode levar ao desenvolvimento de tumores.

Para os pacientes em tratamento oncológico, os probióticos não são indicados para aqueles que apresentam imunidade baixa. Nesse grupo de pacientes, mesmo se tratando de uma bactéria benéfica, o probiótico pode sofrer uma translocação bacteriana (tornar-se maléfica), colonizar, entrar na corrente sanguínea e até levar a um quadro de sepse. A boa notícia é que muitos pacientes, mesmo em quimioterapia, podem estar com uma imunidade adequada, que é medida pelo valor de leucócitos. Com isso, são elegíveis para a suplementação de probióticos.

De acordo com Thaís Manfrinato, o paciente faz uso de antibióticos que soltam o intestino e os probióticos ajudam a regularizar a flora intestinal. Há também, segundo ela, outros benefícios. "Os pacientes que vão receber radioterapia na região do intestino ou no colo do útero, que também acaba afetando o intestino, pode desenvolver uma grave inflamação chamada enterite actínica. Quando há o uso de probióticos, esse processo pode ser impedido. Além disso, o probiótico reduz tanto a gravidade quanto a incidência de diarréia durante a radioterapia e também o risco de que o paciente desenvolva uma enterite actínica após o tratamento", explica a nutricionista.

Em quimioterapia, os probióticos ajudam a reduzir quadros de diarréia principalmente em quem usa irinotecano. Também há evidências, explica a especialista, do benefício do uso de probióticos na cirurgia de câncer de intestino. "O paciente fica menos tempo internado e, com mais rapidez, recupera a flora intestinal e volta a se alimentar normalmente", acrescenta Thais Manfrinato.

Assim como ocorre com glutamina e omêga 3, a suplementação mais adequada para os pacientes em tratamento é por meio de cápsulas ou em pó, o que é mais comum. "É difícil que o paciente tenha garantido o seu consumo de probióticos com a devida absorção, em se tratando de alimentos in natura, pois eles sofrem alterações quando são levados do supermercado para casa e quando são retirados da geladeira, por exemplo. A mudança de temperatura reduz a quantidade de probióticos do produto. Portanto, o consumo em cápsula ou em sache é mais adequado".

 

OUTRAS ABORDAGENS - A programação do Painel de Nutrição do Next Frontiers to Cure Cancer destaca também a avaliação nutricional por métodos de imagem. Uma nova fronteira na prática clínica, essa análise ocorre com auxílio da tomografia computadorizada. De acordo com Thaís Manfrinato, quando o paciente é submetido à tomografia para fazer o estadiamento da doença, aproveita-se para avaliar o seu nível de massa magra. É um método com grande acurácia e mais objetivo, quando comparado à avaliação tradicional, que usa fita métrica e adipômetro. "Há estudos que apontam que pacientes que aparentam ter o mesmo biotipo, quando são submetidos à tomografia, apresentam diferentes níveis de massa magra", observa.

O desafio, segundo ela, está em responder como adotar essa avaliação na rotina clínica, qual deve ser o valor de referência, dentre outras questões. Haverá aulas também sobre calorimetria indireta, dieta para radioterapia na região pélvica, adoção ou não do jejum nos exames de imagem e resultados referentes aos protocolos de recuperação precoce dos pacientes tratados no A.C.Camargo. A programação completa está disponível em http://www.nextfrontiers.com.br/.

 

NEXT FRONTIERS TO CURE CANCER - Nesta que é a sua segunda edição, o Next Frontiers to Cure Cancer acontece de 20 a 22 de abril no Hotel Renaissance, em São Paulo. Com o olhar atento ao presente e futuro da oncologia, o A.C.Camargo Cancer Center reúne palestrantes de renomadas instituições nacionais e internacionais de mais de 16 especialidades para falar sobre os avanços e novas fronteiras no combate ao câncer.

Participam palestrantes internacionais do MD Anderson Cancer Center, Memorial Sloan Kettering Cancer Center, Mayo Clinic, Harvard Medical School, National Cancer Institute (NIH), Winona State University, University of Miami (Estados Unidos), Heidelberg University (Alemanha), University of Torino (Itália), Universidad de Buenos Aires (Argentina) e Princess Margaret Cancer Center - University Health Network (Canadá).

Com o tema central a "Perspectiva multidisciplinar no diagnóstico, tratamento e pesquisa do câncer", o Congresso enfatizará os avanços nesta tríade em câncer de mama e tumores gastrointestinais, ósseos, urológicos e ginecológicos e também em sarcomas de partes moles e na pesquisa translacional em oncologia. Também serão discutidos os efeitos tardios do tratamento do câncer, a abordagem cardiológica no tratamento e seguimento do paciente oncológico (onco-cardiologia), a epidemiologia e questões ligadas à enfermagem, farmácia, nutrição, fisioterapia e psicologia, sempre voltadas para o paciente oncológico. Serão seis salas simultâneas para acomodar todos os temas.

 

Facebook: http://www.facebook.com/accamargocancercenter
Twitter: http://www.twitter.com/haccamargo
Google+: https://plus.google.com/+ACCamargoCancerCenter
YouTube: http://www.youtube.com/accamargovideos
LinkedIn: http://www.linkedin.com/company/accamargo
Instagram: https://instagram.com/accamargocancercenter/

 



Moura Leite Netto - Mtb 44.949 - moura@comunique.srv.br 

Veja também

A.C.Camargo Cancer Center aposta no inusitado para afastar adolescentes do desejo de fumar
Na próxima segunda, 29 - Dia Nacional de Combate ao Fumo - o A.C.Camargo Cancer Center inicia campanha para alertar adolescentes sobre os malefícios do consumo de tabaco, cigarro eletrônico e narguilé. Haverá veiculação de quatro vídeos, apoio de influenciadores em mídias sociais e palestras...
A.C.Camargo Cancer Center reforça a importância da prevenção e do acesso à informação para o combate ao câncer
Um relatório da Sociedade Americana de Câncer confirmou no início de janeiro que continuam em queda as mortes por câncer nos Estados Unidos: 26% quando comparados os números de 1991 (215 para cada 100 mil pessoas) e 2015 (158 por 100 mil), resultado das ações...
A.C.Camargo apóia movimento global que une forças contra o câncer via redes sociais
Liderado pela Union for International Cancer Control (UICC), o movimento do Dia Mundial do Câncer - 4 de fevereiro - traz o tema WeCanICan - Nós Podemos... Eu Posso. Campanha visa conscientizar a sociedade sobre a importância de cada pessoa na desmistificação e disseminação de...
Personalização do tratamento de câncer de próstata estará em pauta em Congresso promovido pelo A.C.Camargo Cancer Center
Avanços das técnicas cirúrgicas minimamente invasivas e dos tratamentos focalizados de lesões malignas na próstata, assim como o papel da imunoterapia em tumores uroteliais, serão algumas das abordagens do painel de Urologia do Next Fronteiras to Cure Cancer, evento promovido pelo A.C.Camargo Cancer Center. Congresso...
Inscrições para bolsas de Iniciação Científica do A.C.Camargo Cancer Center estão abertas até dia 27
Alunos matriculados em programas de Graduação podem concorrer a uma das seis vagas da nova turma de Iniciação Científica (PIBIC), do A.C.Camargo, com apoio do CNPq. Objetivo é estimular a inclusão de jovens cientistas em projetos de pesquisa básica e clínica em Oncologia Uma oportunidade...