Uma revisão da literatura científica sobre genética que ajuda a identificar os melhores candidatos e os diversos tratamentos no câncer de cabeça e pescoço

Publicado em: 16/07/2017 - 21:07:00
Pesquisa
Prevenção
Genética

Os cientistas analisaram artigos de 2008 a 2016 sobre microRNAs – sequências que regulam a expressão de vários genes – para entender como essas sequências podem ajudar no prognóstico.

O grupo de tumores do carcinoma de células escamosas é heterogêneo: laringe, faringe, cavidade oral, cavidade nasal. É conhecido como câncer de cabeça e pescoço, que no ranking mundial da doença é o 6º mais comum e o 7º em mortalidade. A dificuldade no seu tratamento começa pela demora no diagnóstico – muitas vezes esses tumores também apresentam metástases distantes. Para identificar potenciais marcadores genéticos que possam estar associados ao prognóstico do câncer de cabeça e pescoço, um grupo de especialistas aqui do A.C.Camargo e de instituições internacionais mergulhou na análise de trabalhos publicados de 2008 a 2016 sobre o papel dos microRNAS nesses tumores. Essas moléculas contêm sequências que regulam a expressão de vários dos nossos genes. Podem ser identificados em amostras de tecido tumoral, plasma ou saliva.

"A revisão dessa literatura é para nos ajudar a identificar os microRNAs que são melhores marcadores para apontar quais pacientes têm maior risco de apresentar recorrência da doença ou maior sensibilidade aos diferentes tipos de tratamento, o que vai funcionar ou não para cada pessoa, como age determinado tipo de quimioterápico ou novas drogas-alvo", explica Dr. Luiz Paulo Kowalski, Diretor do Departamento de Cabeça e Pescoço.

A profunda investigação resultou no artigo "Meta-analysis of microRNAs expression in head and neck cancer: uncovering association with outcome and mechanisms" (Meta-análise da expressão de microRNAs em tumores de cabeça e pescoço apontando os resultados e mecanismos dessa associação), publicado no periódico Oncotarget.

O artigo é o resultado da avaliação de 116 estudos que analisaram a relação entre a expressão dos microRNAs e o prognóstico do câncer de cabeça e pescoço. É parte do trabalho de pós-doutorado de Sabrina Daniela da Silva e de estudo para novas drogas-alvo conduzido pela McGill University. A conclusão é a de que os microRNAs têm grande potencial de correlação com a relevância  clínica. "Eles podem funcionar como marcadores de resposta de eventos-chave na progressão da doença, se algo muda durante o tratamento. Podem servir para diagnósticos, prognósticos, para a medicina personalizada."

Para conferir a pesquisa completa, clique aqui. 

Dr. Luiz Paulo Kowalski - CRM 36404
Diretor do Departamento de Cabeça e Pescoço
Especialista em Cirurgia de Cabeça e Pescoço - RQE nº 56910

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