Um novo olhar para o tratamento do câncer em adolescentes e jovens adultos

Publicado em: 01/06/2018 - 21:06:00
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O tratamento oncológico caminha para a organização de uma nova área: o câncer em Adolescente e Adulto Jovem, já conhecido pelos especialistas como AYA, do inglês Adolescent and Young Adult. Trata-se de um novo segmento para atender pacientes na faixa etária de 12 a 30 anos. Atualmente, a oncologia pediátrica cuida de crianças e adolescentes até 18 anos.

"A grande questão é que, além de os tipos de câncer serem diferentes, o tumor que atinge uma criança de 3 anos tem outras características biológicas em comparação com um adolescente de 16 anos, ou jovem adulto de 25 anos. Por isso, o Memorial Sloan Kettering e o MD Anderson, entre outros Cancer Centers de ponta nos Estados Unidos, já possuem seus núcleos de AYA para atender um público que fica entre o infantojuvenil e o adulto e nós já caminhamos nesta linha", destaca Cecília Maria Lima da Costa, líder do Departamento de Oncologia Pediátrica do A.C.Camargo Cancer Center.

Cerca de 70 mil jovens com idades entre 15 e 39 anos são diagnosticados com câncer todos os anos nos Estados Unidos, correspondendo a aproximadamente 5% dos diagnósticos, de acordo com o National Cancer Institute (NIH). O número é quase seis vezes maior que os diagnosticados em crianças de até 14 anos. Leucemia, linfoma, câncer testicular e câncer de tireoide são os cânceres mais comuns entre os jovens de 15 a 24 anos.
 
No Brasil, segundo o Instituto Nacional de Câncer (Inca), para cada ano do biênio 2018-2019, ocorrerão 12,5 mil novos casos de câncer em crianças e adolescentes (até 19 anos), sem considerar o câncer de pele não melanoma.

"Este olhar específico em paciente da faixa etária do AYA é fundamental e permite um tratamento mais adequado, com melhores resultados e cuidados como, por exemplo, na preservação da fertilidade em homens e mulheres. Trata-se de uma idade de conquista de independência, ingresso em faculdade ou emprego – e iniciar o tratamento de um câncer nesse cenário muitas vezes parece impedir a vida", explica a especialista.

Atualmente, o A.C.Camargo Cancer Center discute casos desta faixa etária nas reuniões do Tumor Board, quando cirurgiões, oncologistas clínicos, radioterapeutas, patologistas, pesquisadores e outros profissionais se reúnem para analisar a conduta terapêutica mais efetiva para determinados pacientes, sob uma visão multidisciplinar. "A especialização é um caminho, mas a troca de experiências e visões já nos possibilita aprimoramentos em prol do paciente, que é o que almejamos todos os dias", diz.

Dra. Cecília Maria Lima da Costa - CRM 77799
Líder do Departamento de Oncologia Pediátrica
Especialista em Pediatria - RQE nº 57880 

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