Tumores neuroendócrinos: pesquisa indica ligação entre Everolimo e infecções oportunistas

Publicado em: 31/07/2020 - 15:07:06
Pesquisa
Tratamento
Biologia celular

Doenças causadas por fungos são as principais causas infecciosas entre pacientes diagnosticados com esse tipo de câncer que fazem uso do medicamento

Uma pesquisa realizada com 111 pacientes da América Latina, diagnosticados com tumores neuroendócrinos e em tratamento com Everolimo, mostrou que o medicamento pode causar infecções graves.

O artigo Opportunistic and serious infections in patients with neuroendocrine tumors treated with Everolimus: a multicenter study of real-world patients apontou que o uso prolongado (de quatro a cinco anos) da droga pode trazer infecções – de quadro leves a moderados –, o que pode até ocasionar óbitos, segundo o estudo.

Essas infecções podem ser candidíase, toxoplasmose, pneumonia, erisipela, diarreias graves, entre outras.

A Dra. Rachel Riechelmann, head do Departamento de Oncologia Clínica do A.C.Camargo Cancer Center, é uma das autoras do artigo.


Everolimo e infecções

"A partir deste estudo, pudemos ver que essas infecções ocorriam por conta da imunidade baixa do paciente, que é a causa de um uso prolongado do medicamento. Esses fungos acometem principalmente o pulmão", explica a Dra. Rachel Riechelmann.

Com os resultados, foi possível estabelecer uma forma mais intensa de orientação sobre os possíveis sintomas do uso de Everolimo. "Aqui no A.C.Camargo, orientamos o paciente sobre riscos e possíveis sintomas de infecções graves, principalmente se ele está tomando o medicamento há mais de seis meses a um ano", acrescenta a médica.

A orientação é que o paciente seja acompanhado mensalmente por uma avaliação clínica e por exames laboratoriais.

"Durante a pandemia do novo Coronavírus, temos que estar ainda mais atentos a isso, para evitar uma contaminação pelo vírus", diz.


Outras opções

O medicamento "substituto" do Everolimo deve ser analisado a depender de cada paciente. "Podemos usar uma classe de remédios, como somatostatina, que são injeções mensais que não alteram a imunidade. Assim como o Lutécio 177, que faz parte da medicina nuclear e é aplicado com o paciente internado", conta a Dra. Rachel.

Para saber mais sobre a pesquisa (em inglês), clique aqui

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