Tomografia computadorizada: aliada no diagnóstico da Covid-19 para pacientes sintomáticos

Publicado em: 10/06/2020 - 18:06:56
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Diagnóstico
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Estudo realizado pelo corpo clínico do A.C.Camargo discute a eficiência desse exame de imagem na pandemia 

A tomografia computadorizada (TC) pode auxiliar na realização do diagnóstico da Covid-19 em pacientes sintomáticos.

É a tese de um estudo realizado pelo corpo clínico do A.C.Camargo, intitulado Chest CT Accuracy in the Diagnosis of Sars-Cov-2 Infection: Initial Experience in a Cancer Center (em tradução livre, Acurácia da TC de Tórax no Diagnóstico da Infecção por SARS-CoV-2: Experiência Inicial em um Cancer Center).


Como nasceu o estudo

O corpo clínico da Instituição percebeu que a tomografia computadorizada já vinha sendo utilizada como auxiliar diagnóstico para Covid-19 na triagem de alguns pacientes sintomáticos. Isto porque já eram conhecidos os achados de TC típicos para esta doença e pela necessidade de tomada de decisões de tratamento, antes de se ter o resultado do teste de PCR, considerado o padrão de referência para esse diagnóstico. 

“Resolvemos, então, comparar os resultados de exames de TC com os resultados de teste de PCR em pacientes atendidos no hospital com suspeita de Covid-19. O objetivo era verificar a acurácia da TC para o diagnóstico de Covid-19, neste contexto”, explica o Dr. Rubens Chojniak, head do Departamento de Imagem do A.C.Camargo Cancer Center e um dos autores do estudo. 

Os exames de TC e o teste de PCR foram feitos no mesmo dia. Os achados dos exames de TC foram classificados de acordo com diretrizes internacionais já publicadas, segundo a suspeita para Covid-19.

Com esses dados, foi analisada a acurácia da tomografia computadorizada para Covid-19 utilizando dois critérios de interpretação.

“Em um deles, consideramos positivas para Covid-19 apenas as TCs que apresentavam achados descritos como típicos. Neste cenário de interpretação, verificamos uma alta especificidade da TC e uma taxa mais baixa de resultados falso-positivos”, afirma o Dr. Rubens. 

“No outro critério de interpretação, consideramos positivas para Covid-19 as TCs que apresentavam tanto achados típicos como também achados classificados como indeterminados. Neste cenário, verificamos uma alta sensibilidade da TC e uma taxa baixa de resultados falso-negativos”, complementa o médico. 


A contribuição do estudo

Como os testes de PCR são escassos e seus resultados demoram a sair, foi identificado que a tomografia computadorizada pode auxiliar na triagem nesse grupo de pacientes sintomáticos. 

O resultado do exame de TC separa dois grupos: um com alta e outro com baixa chance de infecção por Covid-19. E, desta forma, o achado pode auxiliar em decisões que precisam ser tomadas antes do resultado do teste de PCR. 

Os resultados da pesquisa ajudam a quantificar a eficiência da TC na separação desses dois grupos. 

“Na análise dos resultados, um aspecto interessante é que sabemos que o teste de PCR também tem suas limitações, e que não são raros os resultados negativos em portadores de Covid-19. Diante disso, o desempenho da TC pode ser ainda melhor do que o estimado por estudos como o nosso, que utilizam resultados de PCR como padrão de referência. Alguns estudos sugerem que a TC pode inclusive ter sensibilidade superior ao teste de PCR em pacientes com quadros de moderada/elevada suspeita clínica para Covid-19”, analisa o Dr. Rubens Chojniak. 


Tomografia computadorizada na prática

Segundo o médico, num contexto de recursos e estrutura limitados, em que podem faltar testes de PCR, no qual um resultado do teste de PCR demora a sair, em que faltam unidades de isolamento e leitos de UTI, como já verificamos em alguns locais do Brasil, é necessário tomar decisões sem o resultado do teste de PCR – decidir quem será testado, quem será hospitalizado, isolado ou internado em leito de UTI.

“O resultado da TC, apesar de não ter a acurácia ideal para um teste de diagnóstico de Covid-19 e de não poder verificar diretamente a presença do vírus, tem desempenho suficiente para ajudar na triagem, na decisão de alocação de recursos, particularmente no critério de maior especificidade que considera apenas os achados típicos. Priorizando o uso dos recursos para pacientes com alta probabilidade para a doença”, comenta o médico.

O outro critério de interpretação, que considera também os achados indeterminados com positivos para Covid-19, é mais sensível, não perderá muitos pacientes contaminados. Tende, porém, a demandar recursos para um número maior de pacientes, pela taxa elevada de resultados falso-positivos. 

Para conhecer a íntegra do estudo (em inglês), clique aqui.

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