Síndrome metabólica e os riscos de diabetes, doenças do coração e câncer de fígado

Publicado em: 11/04/2017 - 21:04:00
Notícias

Não é uma doença nova, mas de uns anos para cá a chamada síndrome metabólica passou a chamar a atenção dos médicos de várias áreas, inclusive da oncologia.

Síndrome metabólica é um quadro clínico que envolve pelo menos três das seguintes características:

  • Pressão alta
  • Obesidade ou sobrepeso com gordura acumulada na região abdominal
  • Taxa de glicemia (açúcar no sangue) alta em jejum
  • Taxa de triglicérides alta
  • Níveis de HDL (o colesterol bom) baixos

Também chamada de síndrome da resistência à insulina e síndrome X, ela predispõe tanto ao diabetes tipo 2 quanto a doenças cardiovasculares, mas também começa a ser associada ao risco de câncer, especialmente o de fígado. Portadores da síndrome costumam apresentar ainda problemas de coagulação do sangue e uma leve, porém constante, inflamação no corpo, mas os especialistas ainda não sabem se esses dois fatores são consequência da síndrome ou se a agravam.

"O fato de a síndrome predispor ao diabetes e à doença cardiovascular já seria suficiente para termos atenção redobrada com esse quadro, mas é sempre bom lembrar que a obesidade é fator de risco importante para vários tipos de câncer", alerta Dr. Felipe Coimbra, nosso Diretor do Departamento de Cirurgia Abdominal. A preocupação é ainda maior em relação ao câncer de fígado. "A esteatose, ou seja, o acúmulo de gordura no fígado, está entre os principais fatores de risco desse tipo de câncer, da mesma forma que o diabetes e a obesidade", destaca.

O risco de desenvolvimento da síndrome aumenta com a idade e também é maior em pessoas que sofrem de apneia do sono e ovário policístico. No entanto, se o envelhecimento não pode ser controlado, outros fatores podem e devem. "A síndrome está associada a vários fatores comportamentais, como sedentarismo, excesso do consumo de sal e alimentação inadequada, excessivamente gordurosa", afirma o especialista. Daí a recomendação para uma alimentação saudável, rica em frutas e legumes frescos, com pouca fritura e uso moderado de sal. Além disso, controle da pressão arterial, já que a hipertensão costuma ser uma doença silenciosa, que não apresenta sintomas, e muitos hipertensos descuidam de medicação e dieta.

Outra recomendação importante é o controle periódico das taxas de glicemia (açúcar no sangue), notadamente em pessoas com histórico familiar de diabetes tipo 2. "Há uma série de estratégias para lidar com o pré-diabetes, que incluem dieta com restrição calórica e de açúcares, prática de exercícios físicos e, em alguns casos, até medicação", diz Dr. Felipe. Vale o mesmo para os baixos níveis de colesterol bom – perigosos, porque é o colesterol bom que elimina o colesterol ruim, aquele que se acumula nas paredes das artérias.

Fundamental também é o controle dos triglicérides, já que eles estão relacionados ao acúmulo de gordura no fígado, sobrecarregando o órgão e podendo levar a quadros de hepatite, fibrose ou cirrose hepática, todos fatores que aumentam o risco de câncer de fígado. Segundo especialistas, nos Estados Unidos, que convivem com uma epidemia de obesidade, 25% da população sofre de esteatose e o número de casos de câncer de fígado vem aumentando.

 

Dr. Felipe José Fernández Coimbra - CRM 93020
Diretor do Departamento de Cirurgia Abdominal
Especialista em Cancerologia/Cirúrgica - RQE nº 30634
Especialista em Cirurgia Geral - RQE nº 30635

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