Seguimento de longo prazo de Lifileucel – terapia com TILs para pacientes com melanoma avançado que falharam em múltiplos tratamentos

Publicado em: 01/06/2020 - 11:06:06
Pesquisa
Tratamento
Imunoterapia
Tumores Cutâneos

Por Milton José de Barros e Silva, oncologista clínico do A.C.Camargo Cancer Center

O tratamento do melanoma metastático avançou muito na última década com a imunoterapia, através dos inibidores de pontos de verificação e da terapia-alvo para os pacientes com a mutação do gene BRAF. 

Entretanto, existe um percentual significativo de pacientes que não respondem a esses tratamentos ou, em algum momento, deixam de responder. 

Para esses pacientes, ainda não existe tratamento considerado padrão até o momento. Nesse sentido, os dados do estudo com Lifileucel, uma terapia de células T adotivas, são realmente animadores. 


Como funciona 

A terapia de células T adotivas consiste em retirar do próprio paciente fragmentos do tumor, para que possam ser extraídas as células de defesa que lá se encontram, nesse caso, os linfócitos T CD8. 

De maneira resumida, após a extração dessas células, existe um processo de amplificação em laboratório das mesmas, seguido da infusão de volta nos pacientes, acrescido de um tratamento complexo para aumentar a sua atividade já no corpo do paciente. 

Em teoria, essas células já possuem a capacidade de reconhecer o câncer do paciente em questão. Esse processo é muito complexo e atualmente restrito a poucos centros no mundo. Entretanto, tentativas de padronização e comercialização dessa tecnologia encontram-se em franca expansão, como é o caso do Lifileucel.
 
No estudo apresentado na seção oral de melanoma da ASCO 2020, 66 pacientes com melanoma metastático, que já haviam falhado a pelo menos duas linhas de tratamento, receberam o tratamento com células T adotivas com Lifileucel. 

A taxa de redução dos tumores foi de 36,4% (objetivo primário do estudo) e a taxa de controle total foi de 80,3%. 

No seguimento mediano de 17 meses, a duração mediana de resposta do tratamento ainda não foi atingida (ou seja, mais de 50% dos pacientes ainda mantêm a doença sob controle). 

Os efeitos colaterais desse tratamento são severos, porém basicamente restritos às primeiras semanas de tratamento, onde todo o processo de ativação do sistema imune é induzido. 

Os dados de controle de doença nessa população de pacientes politratados chama muito a atenção. Ainda necessitamos de maiores estudos confirmatórios e, sobretudo, estar preparados para oferecer esse tipo de tecnologia quando estiver amplamente disponível. 

Para conferir mais (em inglês) sobre o estudo Long-term follow up of lifileucel (LN-144) cryopreserved autologous tumor infiltrating lymphocyte therapy in patients with advanced melanoma progressed on multiple prior therapies, clique aqui.

Saiba mais:

- Acompanhe aqui o melhor do ASCO Annual Meeting 2020

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