Pesquisa indica mudança imediata no tratamento de pacientes com câncer gástrico avançado

Publicado em: 11/06/2017 - 21:06:00
Tratamento
Pesquisa
Epidemiologia
Tumores do Aparelho Digestivo Alto

Um novo estudo apresentado no ASCO 2017 sinaliza mudanças no tratamento dos tumores gástricos e de junção gastroesofágica operáveis. Até recentemente, o padrão era quimioterapia baseada em platina e fluoropirimidina, por 2 a 3 meses antes da cirurgia e 2 a 3 meses depois.

A pesquisa "Perioperative chemotherapy with docetaxel, oxaliplatin, and fluorouracil/ leucovorin (FLOR) versus epirubicin, cisplatin, and fluorouracil/ capecitabine (ECF/ECX) for resectable gastric or gastroesophageal junction (GEJ) adenocarcinoma (FLOT4-AIO): a multicenter, randomized phase 3 trial", chefiada pelo Dr. Salah-Eddin Al-Batran, do University Cancer Center, de Frankfurt, apresenta um novo esquema, capaz de aumentar o período sem progressão da doença e a sobrevida global.

O estudo (um ensaio clínico de fase 3 multicêntrico) envolveu 716 pacientes: 74% deles homens, com idade média de 62 anos, com tumores com estadiamento T3/T4. Eles foram divididos aleatoriamente em dois grupos:

  • Grupo 1: recebeu o tratamento tradicional (esquema ECF ou ECX).
  • Grupo 2: recebeu o tratamento experimental (FLOT), composto por Docetaxel, Oxaliplatina e 5-FLuorouracil/Leucovorin por 2 meses antes da cirurgia (4 ciclos) e mais 2 meses depois da cirurgia (4 ciclos).

A ideia de acrescentar o Docetaxel surgiu de alguns estudos sobre câncer gástrico metastático, indicando que sua inclusão aumentava a eficácia da quimioterapia tradicional, para esses casos.

"O estudo demonstrou aumento de sobrevida livre de progressão mediana (30 meses para esquema FLOT vs. 18 meses para o tradicional) e sobrevida global mediana (50 meses para esquema FLOT vs. 35 para o convencional)", relata Dr. Victor Hugo Fonseca, da nossa equipe de Oncologia Clínica, que esteve presente na apresentação da pesquisa, em Chicago.

De acordo com ele, a nova estratégia de tratamento aumenta a frequência de efeitos colaterais como diarreia, infecções, queda de imunidade (neutropenia), mas nada que leve a complicações graves. "Esses dados têm consequência direta e indicam uma imediata mudança no manejo dos pacientes com câncer gástrico e de junção esôfago-gástrica, com a adoção do novo protocolo de tratamento," afirma.

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