Participamos de um importante estudo sobre o impacto global do câncer que mostra aumento de casos no mundo, suas causas e perfil da doença em 195 países

Publicado em: 28/08/2018 - 12:08:53
Pesquisa
Institucional
Epidemiologia

17,2 milhões de casos novos e 8,9 milhões de mortes em 2016.

Entre 2006 e 2016, a incidência de casos de câncer no mundo aumentou em 28%. Em 2016, tivemos 17,2 milhões de novos casos da doença no planeta e 8,9 milhões de mortes. Os números impressionantes – até então a estimativa era de 14 milhões de novos casos – são do estudo global feito em 195 países pelos membros do Global Burden of Disease Cancer (Peso Global da Doença – Câncer, em tradução livre), um consórcio internacional que se dedica à compilação e análise sistemática de dados para compreender a incidência, a mortalidade e as desabilidades causadas pelo câncer e para avaliar o impacto social da doença nos diferentes países do mundo .

Todo esse conhecimento permite a discussão de políticas públicas de saúde, o investimento de recursos tanto para campanhas de prevenção quanto para assegurar o maior acesso das populações a tratamentos, a abertura para novas pesquisas em câncer. Nós, do A.C.Camargo, participamos do estudo, com a Dra. Maria Paula Curado, chefe do Núcleo de Epidemiologia do CIPE, que avaliou os dados da América Latina e do Brasil.

É um gigantesco perfil do câncer no mundo. Apresenta o aumento de volume de casos da doença, suas causas e a distribuição do câncer em cada país e também por cada tipo de tumor, idade e sexo dos pacientes. Traz informações para entendermos o impacto mundial, nacional e regional do câncer. Foram avaliados 29 grupos de tipos de câncer, quais são e onde estão os tumores mais frequentes e o que mudou nesse cenário em dez anos. O aumento de quase 30% na incidência e na mortalidade por câncer pode ser explicado, em parte, pela melhora da expectativa de vida e consequente envelhecimento da população (aumentou 17%) e, é claro, pelo crescimento da população mundial (que foi de 12% no período).

“Foram medidos os índices de mortalidade, os anos que as pessoas perdem de vida devido ao câncer, os anos vivendo com limitações/deficiências, os anos de vida ajustados a essas limitações. Tudo isso tem um custo para a sociedade, para o sistema de saúde, enfim, o estudo avalia a carga global da doença na economia”, explica a Dra. Maria Paula Curado. Para dar uma ideia do tamanho do impacto econômico provocado pela incapacidade produtiva de quem sofre de câncer, só em 2016 a doença afetou 213,2 milhões de pessoas no item anos de vida ajustados a deficiências. “Esse item significa, por exemplo, que o paciente continua em tratamento, ou fazendo exames, ou tem outros problemas decorrentes do câncer, e tudo isso impacta também a família do paciente e a sociedade”, diz a Dra. Maria Paula. Estudos mostram que doenças crônicas não transmissíveis, como o câncer, representam uma carga devastadora sobre a economia global.

O câncer de pulmão aparece como líder mundial nos quesitos mortalidade (1,2 milhão), novos casos (mais de 2 milhões) e anos de vida ajustados a limitações (25,4 milhões). Depois dele, os tipos de câncer mais incidentes são: colorretal, mama, câncer de pele não melanoma e próstata. Entre os homens, o câncer de próstata é o mais frequente (1,4 milhão de novos casos) e, entre as mulheres, o recordista ainda é o câncer de mama (1,7 milhão de novos casos, 535 mil mortes e 14,9 milhões de vidas ajustadas a limitações). Globalmente, as probabilidades de uma pessoa desenvolver um câncer durante a vida (na faixa de 0 a 79 anos) variam de acordo com o sexo: uma em 3, para homens, e uma em 5, para mulheres.

Ao cruzarmos os dados por países e tipos de tumor, o que salta aos olhos – como em tantos quesitos da vida – é a grande disparidade entre os países desenvolvidos e os países não desenvolvidos. O grande objetivo do estudo é proporcionar o máximo de informações para o combate ao câncer, já que a população está envelhecendo e a incidência de câncer continuará aumentando no futuro. A ideia é fazer com que setores públicos e privados possam desenhar, planejar e implementar soluções para ampliar o acesso da população aos tratamentos do câncer até 2025, data em que a Organização Mundial de Saúde estabeleceu como limite para reduzir a mortalidade do câncer em 25%.

O Brasil em comparação com alguns países (Estados Unidos, Canadá, Reino Unido e Argentina) no ranking do câncer:

  • Em número de mortes por tipo de tumor, o Brasil tem perfil semelhante a esses países: em todos eles, o câncer de pulmão é o que aparece como líder no número de mortes. Em segundo lugar, mudamos um pouco: temos o câncer de estômago, enquanto nos EUA, no Canadá, no Reino Unido e na Argentina o segundo tumor mais mortal é o câncer de cólon.

  • Em incidência de casos, o tumor mais frequente no Brasil é o câncer de pele não melanoma. O mesmo acontece nos Estados Unidos e no Reino Unido. Já no Canadá, o câncer mais frequente é o de próstata e na Argentina é o tumor de mama. Em segundo lugar, nós temos o tumor de próstata, assim como os Estados Unidos e o Reino Unido. Na Argentina, o segundo mais incidente é o tumor colorretal e, no Canadá, é o tumor de pulmão.

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