Pacientes em estado crítico, na UTI, devem receber quimioterapia?

Publicado em: 14/02/2018 - 22:02:00
Tratamento
Pesquisa
Quimioterapia

Quando se pensa em índice de mortalidade dos pacientes oncológicos, em estado grave, na UTI, surge a dúvida: eles devem ou não receber quimioterapia urgente? "Nós nos perguntamos se a quimioterapia em um paciente muito doente poderia contribuir para sua piora ou melhora", diz o Dr. Pedro Caruso, Diretor da UTI, que coordenou o estudo Impact of Urgent Chemotherapy in Critically Ill Patients, publicado em dezembro no Journal of Intensive Care Medicine.

Um estudo comparou pacientes em dois grupos semelhantes: mesma idade, mesma gravidade clínica e mesmos tipos de tumores – um grupo recebeu químio e outro, não.

A comparação foi feita entre 47 pacientes que receberam quimioterapia e 94 pacientes semelhantes que não receberam quimioterapia. Os grupos eram semelhantes em dez características, como idade, tipo de tumor e gravidade da doença. Dos pacientes que receberam químio, 57% tinham tumores sólidos e 43% tinham tumores no sangue (como leucemia, mieloma e linfomas). O objetivo era entender se a quimioterapia tinha relação com a mortalidade desses pacientes em estado muito grave.

"Chegamos à conclusão de que a quimioterapia em pacientes gravemente doentes e internados na UTI aumentou a mortalidade dos pacientes com tumores sólidos, talvez porque os efeitos colaterais se sobrepuseram aos benefícios", explica o Dr. Pedro. Já os pacientes com tumores no sangue não apresentaram esse aumento de mortalidade. No entanto, ainda são necessários novos estudos. "É possível que a quimioterapia seja benéfica em tumores sólidos, em casos selecionados", explica.

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