Outubro Rosa: retomada pós-pandemia é urgente

Publicado em: 20/10/2021 - 17:10:37
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Mês especial alerta sobre diagnósticos precoces de câncer de mama; Centro de Referência em Tumores de Mama do A.C.Camargo Cancer Center identificou que cerca de 7.500 pacientes não fizeram suas rotinas de diagnóstico e tratamento de 2019 para 2020

Em 2019 a área de mastologia do A.C.Camargo Cancer Center atendeu 27.755 pacientes e, em 2020, foram 20.233, ou seja, queda de 7.522 consultas. Até agosto de 2021, os consultórios receberam 14.704 pacientes, 4.193 a menos do que agosto de 2019, que registrou 18.897. Porém a quantidade de novos casos de tumores de mama não muda. O Instituto Nacional de Câncer (INCA) estima 66.280 para cada ano do triênio 2020-2022. Trata-se do segundo mais comum entre as mulheres no Brasil, atrás apenas dos recorrentes tumores de pele não melanoma.  

A maior mensagem sobre o Outubro Rosa 2021 ainda é o apelo para que as pacientes voltem aos consultórios agora que a vacina contra a Covid-19 é realidade. O câncer não espera, então é preciso lidar com as duas doenças ao mesmo tempo. O número de pacientes com tumores não diminui por causa da pandemia, só está deixando de ser diagnosticado e, por conta disso, os casos podem chegar mais complexos e avançados.  

O aspecto emocional é um fator que afetou a todos. Ainda temos pacientes que se sentem inseguras e acham que o correto é ficarem isoladas. Muita gente se descuidou, teve crises por conta da dificuldade de relacionamento humano e sentiam que havia algo errado, mas não tinham acesso ao diagnóstico. Tudo está sendo feito para que a paciente seja recebida da forma mais segura possível, inclusive com atendimento híbrido. Também estamos focados em tecnologias para que fique menos tempo nos hospitais, com a ajuda da telemedicina e de equipamentos diferenciados no tratamento, como o Intrabeam, por exemplo, que oferece para pacientes selecionadas a possibilidade de radioterapia no mesmo momento da cirurgia. 

Outro grande ponto a ser abordado no Outubro Rosa é o desafio de pensar em câncer como um todo, não apenas no diagnóstico ou no tratamento. É necessário identificar os pacientes de risco e colocá-los em jornada especifica. Ainda tem médico que pensa de forma isolada, no conceito de que apenas um profissional pode fazer tudo sozinho. Enxergar cada caso em 360º, de forma multidisciplinar, é o melhor para qualquer tipo de câncer. Trabalhar todos juntos na jornada do paciente é o que nos diferencia no melhor desfecho clínico final.  

O modelo Cancer Center adotado pelo A.C.Camargo engloba todos os cuidados e aumenta a sobrevida. Estudo conduzido pela Dra. Fabiana Makdissi com 5.095 mulheres tratadas na Instituição aponta que as pacientes que recebem cuidado multidisciplinar no Centro de Referência em Tumores de Mama do hospital estão superando a doença em todos os estágios. A pesquisa – publicada em 2019 na revista Mastology, da Sociedade Brasileira de Mastologia – revela que, entre as pacientes com metástases, a taxa de sobrevida (cinco anos) saltou de 20,7% no ano 2000 para os atuais 40,8%. Para casos de tumores detectados precocemente, os índices chegam a 98,7%. Ao considerar a média de todos os estágios (sobrevida global), os números subiram de 83% para 90% no período estudado. 

Outro ponto importante do estudo foi identificar que 4 entre 10 pacientes descobriram a doença em idade mais jovem, ou seja, antes da fase de pico de incidência de câncer na população que é a partir dos 50 anos, por esse motivo a grande importância dos exames de rastreamento com mamografia anual a partir dos 40 anos, como recomenda a Sociedade Brasileira de Mastologia. Entram na lista de maiores riscos para a doença a obesidade, o sedentarismo, a ingestão de álcool, ter filhos tarde ou não ter filhos, não amamentar e também a questão genética, além do uso excessivo de terapias hormonais após a menopausa. Na pandemia vários desses fatores de risco aumentaram, principalmente obesidade e sedentarismo. Não temos como garantir que exista menor incidência de câncer na população, visto que câncer é uma doença degenerativa e que conforme envelhecemos o diagnóstico aumenta, mas dá para trabalhar para detectar o quanto antes os casos e usar os tratamentos adequados. 

Fonte: Dra. Fabiana Makdissi, head do Centro de Referência em Tumores da Mama do A.C.Camargo Cancer Center. 

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