Novos agentes imuno-oncológicos em desenvolvimento

Publicado em: 03/03/2016 - 21:03:00
Pesquisa
Tratamento
Imunoterapia

Um dos paradoxos da oncologia é que a combinação de tratamentos, se, por um lado, pode melhorar os resultados, por outro, também apresenta o risco de aumento da toxicidade, ou seja, de causar mais efeitos adversos.

Um estudo apresentado no AACR Meeting 2017, em Washington, mostrou os primeiros resultados de um novo medicamento, Indoximod, que em combinação com Pembrolizumabe (anti-PD1) pode beneficiar pacientes com melanoma avançado sem aumentar a toxicidade.

Apresentado por Yousef Zakharia, da Universidade de Iowa, na sessão "Clinical Trials Plenary Session - Novel immuno-oncology Agent Clinical Trials" (Ensaios clínicos de novos agentes imuno-oncológicos), o estudo, que envolveu diversos centros de câncer dos Estados Unidos, mostrou números promissores de controle de doença (80%) e de redução dos tumores (59%). "São números maiores do que os observados com Pembrolizumabe isoladamente e semelhantes aos dados da combinação de Nivolumabe e Ipilimumabe, sem aumento significativo da toxicidade", diz Dr. Milton Barros, da Oncologia Clínica.

 

Como funciona?

O Induximod é uma medicação oral que atua diretamente nas células imunes revertendo a imunossupressão causada pela via IDO, uma enzima expressa em diferentes células do sistema imune.

Pembrolizumabe (anti-PD1) é uma das imunoterapias consideradas padrão para pacientes com melanoma metastático; entretanto, parte dos pacientes pode não responder a essas medicações. Entre os pacientes que se beneficiam, cerca de 25% apresentarão resistência durante o tratamento.

Uma das formas de controlar essa resistência é o aumento da concentração da IDO1, enzima que inibe a função das células T (células de defesa) através da diminuição de um aminoácido importante para o funcionamento do sistema imune, o triptófano.

O estudo ainda não está terminado, mas os resultados até agora são promissores. "Trata-se de uma pesquisa de fase II, que em geral avalia grupos de 50 a 100 pacientes. Precisamos confirmar esses dados em um estudo maior e, sobretudo, com uma comparação com anti-PD1 isolado para podermos saber o real benefício da adição de Indoximod ao tratamento. No futuro, confirmando esses achados, muitos pontos ainda terão de ser respondidos, como melhor combinar essa droga e em que momento do tratamento", explica Dr. Milton.

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