Nosso aluno de pós-graduação propõe uma combinação inovadora de técnicas para quimioterapia em câncer de ovário avançado

Publicado em: 14/02/2018 - 22:02:00
Tratamento
Pesquisa
Quimioterapia

O estudo mostrou que a nova abordagem é segura e pode agilizar o tratamento.

O método convencional de tratamento para câncer de ovário avançado indica cirurgia para a retirada completa do tumor e, depois, seis ciclos de quimioterapia. Há alguns anos surgiu a quimioterapia intraperitonial hipertérmica (Hipec), festejada por trazer uma nova abordagem ao tratamento do câncer avançado que se espalha pelo peritônio. É uma químio aplicada logo após a remoção total do tumor, ainda na sala de cirurgia.

Um cateter é introduzido dentro da cavidade abdominal para injetar uma solução quimioterápica aquecida. "É como se lavássemos o abdome da paciente com essa quimioterapia. Deixamos o cateter irrigando a cavidade, fechamos a pele provisoriamente, depois abrimos, retiramos o cateter e fechamos o abdome da paciente", explica Dr. Levon Badiglian Filho, do Departamento de Ginecologia Oncológica.

A solução quimioterápica aquecida é mais potente do que a químio convencional por aumentar a sensibilidade da célula tumoral ao quimioterápico. No entanto, mesmo celebrado por suas vantagens, nem sempre o Hipec tem sido utilizado, porque os pacientes podem sofrer algumas complicações pós-operatórias.

Nosso aluno de Pós-graduação Thales Batista estudou uma nova abordagem, usando o Hipec em casos avançados em que não é possível a retirada completa do tumor numa primeira cirurgia. "Às vezes abrimos o abdome da paciente e constatamos que não é possível operar. Então fechamos, encaminhamos a paciente para três ciclos de quimioterapia convencional e, depois disso, com o tumor reduzido, conseguimos fazer a cirurgia", conta o Dr. Levon.

"O Thales idealizou combinar os métodos em casos assim: abrir o abdome e, se constatado que não é possível operar, fechar o abdome, encaminhar a paciente para a quimioterapia convencional e depois fazer a cirurgia combinada com o Hipec", diz o Dr. Levon, orientador do trabalho.

A nova abordagem foi testada em nove pacientes e mostrou que esse protocolo em pacote completo (cirurgia + Hipec + quimioterapia intravenosa) tem chances promissoras de ser adotado. O próximo passo da tese será um estudo comparativo dessa abordagem com as que já são feitas.

Para acessar a pesquisa completa, clique aqui.

 

Dr. Levon Badiglian Filho - CRM 94536
Médico Titular do Departamento de Ginecologia Oncológica
Especialista em Ginecologia e Obstetrícia - RQE nº 54567

Avaliação de conteúdo

Você gostaria de avaliar esse conteúdo?
Esse conteúdo foi útil?
Gostaria de comentar algo sobre esse conteúdo?

Veja também

Imunoterapia: saiba em quais casos o tratamento é eficaz para tumores colorretais
A imunoterapia é um tratamento inovador que funciona como agente do bem em nosso organismo: ele dá um comando para que o sistema imunológico reconheça e destrua as células tumorais. Para funcionar, a imunoterapia se liga a proteínas presentes em alguns tipos de tumores e...
Tratamento de tumor gastrointestinal diagnosticado cedo tem sucesso acima de 60%, mas maioria dos casos é descoberta tardiamente
Dados epidemiológicos anunciados pelo A.C.Camargo, centro de referência mundial em ensino, pesquisa e tratamento de câncer, demonstram que o diagnóstico precoce de tumores gastrointestinais é fundamental para o sucesso do tratamento, possibilitando que entre 6 e 9 a cada 10 pacientes estejam vivos cinco anos...
Câncer de próstata: um infográfico com todas as etapas de diagnóstico e tratamento
O câncer de próstata é o segundo tipo de tumor mais comum entre os homens (atrás do câncer de pele não melanoma), com previsão, segundo o INCA, de 65.840 novos casos para 2021, algo que representa 29,2% da população masculina brasileira. Para que você saiba...
Centro de Referência em Tumores de Cabeça e Pescoço: equipe multidisciplinar especializada no tratamento do câncer
Julho Verde é o mês de conscientização sobre os tumores de cabeça e pescoço, que representam o nono tipo de câncer mais comum no mundo, de acordo com os dados do IARC (sigla para Agência Internacional de Pesquisa em Câncer), uma agência da Organização Mundial...
A cirurgia robótica em tumores colorretais
Um papo com Samuel Aguiar Junior, cirurgião oncologista e head do Núcleo de Tumores Colorretais do A.C.Camargo Cirurgia robótica, grande aliada contra o câncer colorretal. Também conhecido como câncer de cólon e reto ou câncer do intestino grosso, o câncer colorretal é, no Brasil, o...