Muitos pacientes que deixam a UTI com cuidados paliativos sobrevivem e retomam o tratamento do câncer

Publicado em: 22/07/2019 - 14:07:47
Pesquisa
Tratamento
Suporte e Reabilitação

Estudo revela que aproximadamente 20% dos pacientes receberam alta para casa e até voltaram às terapias contra o câncer

 

Alguns pacientes internados em UTI e que não apresentam melhora no quadro deixam esse serviço em cuidados paliativos. 

Há, no entanto, pouca amostragem sobre o que acontece com eles após a alta da UTI. E foi isso que motivou uma pesquisa do corpo clínico do A.C.Camargo Cancer Center, que foi publicada na revista científica Critical Care Medicine. Nela, identificou-se que mais da metade consegue retomar o tratamento.

Intitulado Outcomes of Cancer Patients Discharged from ICU After a Decision to Forgo Life-Sustaining Therapies (Resultados de Pacientes com Câncer Saídos da UTI Após Decisão de Abrir Mão de Terapias de Manutenção de Vida), o estudo avaliou 507 pessoas que receberam alta com doenças terminais e incuráveis. 

“Entre as conclusões do trabalho, a primeira é que um a cada cinco pacientes que passaram pela UTI e receberam alta com cuidados paliativos consegue voltar para casa”, explica um dos autores, Pedro Caruso, head do Departamento de UTI Adulto do A.C.Camargo. 

A segunda é bem melhor: “Mais de 50% destes pacientes que recebem alta para casa conseguem retomar seu tratamento oncológico, o que lhes confere aumento da sobrevida”, acrescenta o médico. 

 

O que se analisa

O cuidado é paliativo, pois, como esses pacientes têm doenças terminais e incuráveis, essas medidas extremas e invasivas de suporte avançado da vida – caso de hemodiálise ou ventilação mecânica – costumam ser desproporcionais. “Elas apenas acrescentam sofrimento ao paciente”, afirma Pedro Caruso. 

É importante ressaltar que a decisão de limitar o suporte avançado da vida é sempre consensual entre médicos, pacientes e responsáveis. Se não houver concordância de todas as partes, a decisão não é tomada. “E quem decide pela alta da UTI é o médico da UTI em consenso com o oncologista clínico ou cirúrgico”, diz Pedro Caruso. “A decisão é 100% centrada no paciente”, salienta.

Em todo o mundo, aproximadamente 10% dos pacientes internados em UTI recebem a determinação de abrir mão de medidas extremas e invasivas de suporte avançado da vida – seja por diretriz da família ou por protocolos médicos.

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