Levantamento aponta sinal de alerta para diagnóstico tardio de câncer de cabeça e pescoço

Publicado em: 22/02/2017 - 21:02:00
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Os tumores de cabeça e pescoço representam o 9º tipo de câncer mais comum no mundo, com maior prevalência nos países em desenvolvimento, segundo o Globocan 2012, levantamento da Organização Mundial de Saúde. Incluindo todas as áreas da cavidade oral, como a língua e a boca, e localizações como laringe, faringe, seios paranasais, cavidade nasal e glândulas salivares. No Brasil, segundo o Inca, estima-se, para 2017, que cerca de 22 mil brasileiros receberão o diagnóstico dos dois tipos mais comuns de câncer nessa região: cavidade oral e laringe.

De acordo com o levantamento SEER do NIH,  cerca de 70% a 80% dos tumores na região de cabeça e pescoço são descobertos em fase avançada da doença, o que resulta em pior qualidade de vida, maiores taxas de morbidade e mortalidade, maior risco de mutilação e maior complexidade no tratamento e na reabilitação do paciente.

Atualmente, a negligência dos sintomas e a demora no encaminhamento para centros especializados em oncologia são alguns dos fatores que retardam o diagnóstico desses tipos de tumores. 

Quem chama a atenção para esse cenário, fazendo alusão ao Julho Verde – mês de conscientização mundial sobre o combate ao câncer de cabeça e pescoço –, é o cirurgião oncologista e nosso Diretor do Departamento de Cirurgia de Cabeça e Pescoço, Dr. Luiz Paulo Kowalski.

"Infelizmente o país enfrenta esta triste realidade. Mas há uma boa notícia: é possível reverter esse cenário, conjugando os esforços de diferentes profissionais da saúde para identificar precocemente as lesões pré-cancerosas. Dentistas, médicos e demais profissionais da saúde podem fazer a diferença e a doença passar a ser diagnosticada mais precocemente", ressalta.

O especialista também ressalta que é possível prevenir e fazer diagnóstico precoce de câncer oral na cadeira do cirurgião-dentista. "Esse profissional é capaz de detectar sinais como placas esbranquiçadas, lesões avermelhadas e feridas. Quando essas lesões não cicatrizam em menos de 15 dias, uma investigação mais cuidadosa é necessária", reforça.

É importante também, acrescenta Kowalski, que o profissional que atua na saúde primária saiba investigar a possível ocorrência de um câncer. "É bastante comum que o tumor esteja em locais de difícil visualização, como a borda posterior da língua, o palato mole e outros. É preciso conhecer para saber diagnosticar essas lesões", explica.

Precisamos falar sobre prevenção

Diferentemente de muitos tipos de câncer, os fatores de risco dos tumores de cabeça e pescoço são bem conhecidos.

Atenção aos sinais e sintomas

Qualquer um dos sinais e sintomas abaixo, que persista por mais de duas semanas, pode sugerir a existência de câncer e é importante que um médico avalie a necessidade da realização de exames para confirmar ou não o diagnóstico. Quanto mais cedo for feito o diagnóstico e iniciado o tratamento, maiores são as chances de sucesso.

 

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