Gente do Banco de Sangue: conheça Eloir Domingos

Publicado em: 27/06/2019 - 12:06:01
Tratamento
Institucional
Suporte e Reabilitação
Neoplasias Hematológicas

Uma conversa tira-dúvidas com a enfermeira que está à frente desse departamento

Há quanto tempo você trabalha no Banco de Sangue? 
Cinco anos e 11 meses, porém já atuo há 10 anos como enfermeira especialista em hemoterapia.

A agulha de doação de sangue dói mais? 
Não. Tem quem sinta dor, mas nesse caso há muita relação com a sensibilidade da pessoa e o grau de ansiedade. Alguns doadores relacionam a dor ao profissional que está puncionando a veia, mas esses profissionais são muito bem treinados e estão aptos a proporcionar uma boa experiência aos nossos doadores.

Tem gente que fica com medo na hora da doação?
Sim, alguns doadores têm. Isso acontece principalmente porque algumas pessoas que já doaram exageram um pouco. 

É verdade que no inverno há menos doadores? Algum motivo especial? 
Verdade, nessa estação acontece uma queda nas doações. Não existe um fator específico para explicar. Talvez por ser uma época onde se tenha o aumento de gripes, resfriados e outras doenças que impedem a doação. 

Qual é a média de doadores por mês?
Recebemos 2,5 mil doadores, no entanto existe uma variação que acontece semana a semana. Pode ocorrer uma determinada semana com mais pessoas se candidatando à doação, enquanto há outras mais fracas. Isso interfere diretamente no estoque.

O paciente de oncologia tem especificidades no recebimento do sangue? Por exemplo, há quem tenha doenças autoimunes e doe sangue, mas nem sempre para pacientes oncológicos. Quais aspectos são avaliados? 
Sim, o paciente tem essas especificidades. No AC.Camargo, todas as transfusões de hemácias e plaquetas são irradiadas e filtradas a fim de se minimizar os riscos de reações no paciente. Já quem tem doenças autoimunes não pode realizar doações. Isso está previsto em legislação regulamentadora para atendimento em serviços de hemoterapia.

Eloir Domingos


Doar plaquetas: o processo é o mesmo? 
Existem duas maneiras. A primeira é pela doação de sangue normal. O candidato só precisa se dirigir ao Banco de Sangue, realizar o cadastro e passar pela triagem. Estando apto, ele já pode realizar a doação. A segunda é por meio da plaquetaférese, procedimento em que somente as plaquetas são retiradas. O requisito é que o candidato tenha realizado ao menos uma doação de sangue. Aí é feita uma avaliação para identificar uma veia grossa para a realização do procedimento. Nele, se analisa a contagem de plaquetas para identificar se essa pessoa pode ou não doar sem interferir em sua saúde. Estando tudo certo, a plaquetaférese é agendada. Ela dura de 60 a 90 minutos.

Algum cuidado especial depois da doação? 
Cuidados são necessários. Deve-se evitar esforço físico ou carregar objetos pesados, sobretudo no braço da doação. Também não é recomendado ingerir muito líquido. Bebidas alcoólicas estão proibidas nas 24 horas seguintes. Não se pode fumar por no mínimo duas horas após a doação. 

Há efeitos colaterais? 
O doador também pode apresentar reações como hipotensão (uma queda de pressão mais comum), ou até mesmo diarreia, mas isso não necessariamente acontece. Depende de vários fatores, como, por exemplo, ansiedade, nervosismo, jejum ou má alimentação antes da doação.

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