Estudo sugere reduzir tempo de quimioterapia para pacientes de baixo risco de recidiva de câncer de cólon

Publicado em: 12/04/2017 - 21:04:00
Tratamento
Pesquisa
Quimioterapia

Um novo estudo comparou a eficácia de 3 meses de quimioterapia em vez dos 6 meses atuais para pacientes de câncer de colón em estágio III. E isso pode mudar a forma de tratamento para um subgrupo considerável de pessoas. 

A pesquisa reviu dados de outros seis estudos realizados em 12 países e que envolviam mais de 12.800 pacientes e concluiu que 3 meses de quimioterapia após a cirurgia são quase tão eficientes quanto 6 meses, com a vantagem de que pacientes sofrem bem menos efeitos neurotóxicos e definitivos após o tratamento.

A mudança pode impactar cerca de 400 mil pacientes em todo o mundo.

Os dados não são estatisticamente significativos para alterar imediatamente o padrão de tratamento para todos os pacientes, mas são suficientes para alterar o protocolo de quimioterapia para aqueles com menor risco de recidiva – o que, segundo os autores, impacta cerca de 400 mil pacientes em todo o mundo.

Os resultados

A diferença na proporção de pacientes sem recaída após 3 anos foi pequena: 74,6% para o esquema com 3 meses x 75,5% para o esquema com 6 meses.

Entre pacientes com baixo risco de recidiva (60% do total), os resultados foram mais expressivos: 83,1% de sobrevida sem recaída para os que fizeram quimioterapia por 3 meses x 83,3% entre os que seguiram por 6 meses.

"É bem provável que, para esses pacientes com baixo risco de recidiva, esse regime de 3 meses de quimioterapia se torne um novo padrão", afirmou Dr. Axel Grothey, da Mayo Clinic, em Rochester, principal autor do estudo. "Já os pacientes de maior risco devem discutir essa possibilidade com seus médicos, levando em conta sua idade, preferências e sua capacidade de tolerar a quimioterapia", recomendou. "Além do risco de danos neurológicos, uma quimioterapia mais longa também significa mais efeitos colaterais, como diarreia e fadiga, maior número de consultas médicas e exames e mais tempo de afastamento da vida social e profissional", acrescentou.

De acordo com Dr. Samuel Aguiar Jr., nosso diretor do Departamento de Tumores Colorretais, que acompanhou tanto a apresentação do trabalho, como o debate que se seguiu, concorda com o autor. "Apesar de o esquema por 3 meses não ter atingido os critérios estatísticos para não inferioridade em comparação ao esquema de 6 meses, os resultados foram tão próximos que devemos discutir com pacientes os riscos e benefícios da extensão da quimioterapia por mais 3 meses, pensando na toxicidade. Para os pacientes de menor risco, o esquema de 3 meses já pode ser considerado como primeira opção", afirmou.

Fonte: <http://ascopubs.org/doi/abs/10.1200/JCO.2017.35.18_suppl.LBA1>.

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