Estudo PRADO introduz grande melhoria no atendimento de pacientes com melanoma e metástase em gânglios

Publicado em: 01/06/2020 - 10:06:39
Pesquisa
Tratamento
Cirurgia
Tumores Cutâneos

 

Por João Pedreira Duprat Neto, head da Oncologia Cutânea do A.C.Camargo Cancer Center

Estudo PRADO: pacientes com metástase de melanoma para linfonodos palpável têm prognósticos ruins, em torno de 30% de sobrevida. 

A imunoterapia por tempo curto com apenas 2 ciclos ainda com o tumor presente pode gerar maior resposta. 


Como funciona

Foi multicêntrico, realizado na Holanda. Pacientes com linfonodo (gânglio) palpável fazem a marcação deste e, depois, recebem dois ciclos de imunoterapia com duas drogas (Ipilimumabe e Nivolumabe). 

Seis semanas depois do início, o linfonodo marcado é retirado. Se a resposta foi completa ou restou menos de 10% de células viáveis, o paciente é apenas seguido, sem necessidade de cirurgia maior ou imunoterapia.

Se tiver resposta entre 10 e 50%, recebe a cirurgia completa. Se não tiver nem isso, recebe cirurgia e adjuvância.


Objetivo 

Foi desenvolvido para melhorar a cura desses pacientes. A imunoterapia tem reconhecido efeito no melanoma, porém a adjuvância, ou seja, receber após ser operado, tem tido uma falha importante em relação à imunidade. 

 

Novidades

As vantagens são grandes: aumento da cura dos pacientes e menor necessidade de cirurgias maiores, com maior morbidade.


Benefícios para a ciência

Com certeza, hoje está mais claro o mecanismo de ação da imunoterapia e do melanoma. Esse estudo coloca em prática esse conhecimento para aumentar a cura e diminuir a necessidade de cirurgia com morbidade.

Enfim, esse estudo é muito prático e, com esses dados, nos autoriza a fazer essa mudança. Já temos feito para alguns pacientes, com boa aceitação e bons resultados.

Dr. João Pedreira Duprat Neto e o melanoma

Saiba mais:

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