Diagnóstico tardio do câncer pode causar insuficiência cardíaca

Publicado em: 17/06/2019 - 15:06:44
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Tumores do Sistema Nervoso Central

Publicado no Journal of Clinical Medicine, estudo avalia que cardiopatia carcinoide demonstra relação com tumores neuroendócrinos

Para a literatura médica em geral, não é comum colocar a cardiopatia carcinoide como consequência de tumores neuroendócrinos. Isso até a realização de um estudo desenvolvido pelo corpo clínico do A.C.Camargo Cancer Center. 

Veiculado no periódico Journal of Clinical Medicine, o trabalho Carcinoid Heart Disease and Decreased Overall Survival among Patients with Neuroendocrine Tumors: a Retrospective Multicenter Latin American Cohort Study (Cardiopatia Carcinoide e Diminuição da Sobrevida Global em Pacientes com Tumores Neuroendócrinos: um Estudo Retrospectivo Multicêntrico de Coorte Latino-Americano) surgiu de uma percepção clínica de que a cardiopatia é frequente em pacientes com tumores neuroendócrinos. 

“Apesar disso, não tínhamos dados sobre essa correlação na América Latina”, pondera Rachel Riechelmann, head da Oncologia Clínica e autora principal da pesquisa. “Mostramos que essa complicação não é algo tão raro, especialmente no caso de pacientes tratados no sistema público”, afirma a médica.

 

Entendendo os problemas

Antes de detalhar o estudo, é necessário compreender como funcionam os tumores neuroendócrinos e a cardiopatia carcinoide. 

Um tumor neuroendócrino começa nas células do sistema neuroendócrino. “Essas células têm características tanto de células endócrinas produtoras de hormônios quanto de células nervosas. São encontradas em praticamente todos os órgãos do corpo”, explica Daniel Garcia, oncologista clínico do A.C.Camargo. 

Já a cardiopatia carcinoide não é um câncer no coração, como a nomenclatura pode sugerir. É uma lesão das válvulas cardíacas, geralmente do lado direito, a parte que recebe o sangue venoso vindo do corpo. Essa lesão é causada pelo excesso de substâncias que alguns tumores neuroendócrinos produzem e liberam na corrente sanguínea. Um exemplo dessas substâncias é a serotonina.

A relação: esses tumores neuroendócrinos produzem as tais substâncias como a serotonina, que podem rumar para o coração e, consequentemente, provocar a lesão do mesmo. Portanto, neste caso, os tumores neuroendócrinos são a causa da cardiopatia. 

 

O estudo 

Foram analisados 139 pacientes tratados na Instituição durante 39 meses. Neste período, 48 deles desenvolveram a cardiopatia carcinoide.

Um fato a se considerar: 77,2% dos pacientes que desenvolveram o problema usavam a saúde pública – 22,9% foram tratados no sistema privado. A cardiopatia carcinoide ainda se mostrou significativamente associada às metástases hepáticas. “O atraso no diagnóstico e no início do tratamento impacta negativamente na vida deles”, diz Rachel Riechelmann. 

Assim, o benefício do estudo é que ele evidencia que a cardiopatia carcinoide é mais comum do que o esperado. “Dessa forma, serve como um alerta para que os médicos possam rastrear e identificar a cardiopatia com mais frequência e mais precocemente, possivelmente melhorando a saúde dos pacientes”, salienta Daniel Garcia.

“No A.C.Camargo, temos uma abordagem integrada: todo paciente com tumores neuroendócrinos é investigado sobre a possível presença de cardiopatia carcinoide em seu quadro”, finaliza a doutora Rachel.

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