Destruindo tumores: células podem programar de que forma vão morrer

Publicado em: 08/11/2015 - 22:11:00
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Estudos apresentados no AACR Meeting 2017, em Washington, mostram que mecanismos que levam a célula para a morte programada podem colaborar no tratamento do câncer.

O processo de morte celular programada, isto é, em que a célula decide a própria morte, ocorre em todo o organismo e é fundamental para a harmonia de todos os sistemas do nosso corpo.

Um exemplo muito interessante acontece durante a formação do embrião, quando células que estão em uma massa tecidual que vai formar as mãos morrem possibilitando a formação dos espaços entre os dedos. Portanto, olhe o espaço entre seus dedos: eles existem porque as células que estavam aí foram programadas para morrer por um tipo de morte denominada apoptose.

A morte celular programada também deve ser acionada quando surgem erros ou danos no DNA, impedindo que células filhas perpetuem a alteração que pode, por exemplo, participar na iniciação de um tumor.

É sabido que muitas células tumorais são resistentes a alguns tipos de morte celular programada e aos agentes desenvolvidos para induzir esse tipo de morte. Uma nova forma de morte celular programada foi recentemente descrita pelo Dr. Douglas Green do S. Jude Childres's Research Hospital, Tennessee, Estados Unidos: é a chamada necroptose, cujos atores moleculares são um receptor denominado RIPK1, seu correlato RIPK3 e seu substrato MLKL. A descoberta da atividade de moléculas como essas abre possibilidades para a identificação de compostos que podem ter a habilidade de induzir morte específica das células tumorais sem atingir células normais.

Além disso, resultados importantes mostram que a morte por necroptose pode estimular o sistema imune a atacar as células tumorais. Sendo isso muito desejado para a eliminação dos tumores.

Na sessão conduzida no AACR sobre o assunto, foram apresentados vários outros atores envolvidos em diferentes tipos de morte celular programada, assim como drogas que podem agir direta ou indiretamente nessas vias. Isso aponta possibilidades para o desenvolvimento de estudos clínicos futuros com esses compostos.

"O exemplo mostra claramente como a descoberta que é feita na ciência básica pode apontar para o que futuramente estará na linha do desenvolvimento de uma terapia contra o câncer", diz Dra. Vilma Martins, Superintendente de Pesquisa.

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