De acordo com a idade: conheça as diferenças dos sarcomas em crianças e adultos

Publicado em: 14/07/2015 - 21:07:00
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avanço da idade é um dos principais fatores de risco para o desenvolvimento do câncer em adultos, tornando rara a doença em crianças e adolescentes. Nos Estados Unidos, por exemplo, a incidência de casos infantis corresponde a cerca de 1% entre todos os diagnósticos.



Ainda menos comuns são os sarcomas ósseos e de partes moles, que correspondem a cerca de 1% de todos os cânceres em adultos – entre os pediátricos surgem em 10% dos casos. No Brasil, independentemente da idade, são previstos 7.500 novos diagnósticos em 2015. No A.C.Camargo Cancer Center, de 1953 a 2004, foram atendidos 2.289 pacientes com sarcomas, sendo 80% em adultos e os outros 20% em crianças.

formação desse tipo de câncer é a mesma independentemente da faixa etária. "A origem dessa doença não difere: inicia-se a partir de uma anomalia na célula mesenquimal primitiva, espécie de célula-tronco presente em todo o organismo. Ao sofrer alterações nos genes, ela passa a produzir componentes atípicos nas gorduras e músculos, principais localizações dos sarcomas", explica o cirurgião oncologista, responsável pelo Núcleo de Sarcomas do A.C.Camargo, diretor do Departamento de Cirurgia Pélvica e vice-presidente da Fundação Antônio Prudente, Dr. Ademar Lopes.

Por outro lado, há tipos de sarcomas mais comuns dependendo da idade. Na população infantil, o rabdomiossarcoma corresponde a mais da metade dos casos. Esse câncer surge nas células que vão se tornar músculos esqueléticos do corpo, chamados de rabdomios, principalmente na cabeça ou pescoço do paciente. Outros tumores comuns em crianças e adolescentes são os ósseos, como o sarcoma de Ewing e o osteossarcoma, raros na população com mais idade.

Já entre os adultos, os tipos mais incidentes de sarcomas de partes moles são o leiomiossarcoma, o lipossarcoma e o fibrossarcoma. Quarto mais incidente, o rabdomiossarcoma corresponde somente a 5% de todos os diagnósticos, e, diferentemente dos pacientes pediátricos, 80% desses casos surgem nos membros superiores e inferiores. 

Os métodos aplicados no tratamento são divergentes: embora a cirurgia e a radioterapia sejam utilizadas na grande maioria dos sarcomas, a quimioterapia também é um recurso terapêutico adotado em cânceres infantis. "Nos adultos, o organismo não responde da mesma forma à quimioterapia e seus efeitos se tornam um pouco limitados. Mas é um procedimento importante em casos de metástases, nos quais os sarcomas podem se disseminar pelo sangue e atingir o pulmão", afirma Lopes. Em casos pouco agressivos, a cirurgia já remove o tumor completamente, junto de uma quantidade do tecido ao redor. E ainda, o advento do tratamento multidisciplinar diminuiu as taxas de mutilação de pacientes com sarcomas: de 40% a 60% na década de 1970 para abaixo dos 10% atualmente. 

Aumentando as chances de sucesso no tratamento
Como muitos tumores infantis, os fatores de risco são desconhecidos. "Origem hereditária pode corresponder somente a 5% dos casos, principalmente devido à Síndrome de Li-Fraumeni ou à Neurofibromatose", destaca o cirurgião oncologista. Mesmo entre os adultos há essa dificuldade. "Ao contrário de outros cânceres, como o de pulmão (causado principalmente pelo tabagismo) ou o de colo de útero (pelo vírus HPV), nós não conhecemos a origem dos sarcomas. Por isso, o importante é estar atento aos sinais do corpo e procurar um especialista". 

Dr. Ademar Lopes - CRM 21092
Vice-Presidente da Fundação Antônio Prudente
Diretor do Departamento de Cirurgia Pélvica e responsável pelo Núcleo de Sarcomas

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