Covid-19 e transplante de medula óssea: a relação

Publicado em: 25/06/2021 - 09:06:55
Diagnóstico
Tratamento
Epidemiologia
Neoplasias Hematológicas
Next Frontiers
Linha Fina

Os insights do Dr. Steven Pergam, do Fred Hutchinson Cancer Research Center, de Seattle

Covid-19 e transplante de medula óssea: as infecções respiratórias têm impacto importante em pacientes transplantados. Isso foi reafirmado no Next Frontiers to Cure Cancer pelo Dr. Steven Pergam, do Fred Hutchinson Cancer Research Center, de Seattle (EUA).

Na Sessão IV do congresso – Complicações Infecciosas em Terapia Celular e Transplante de Medula Óssea –, o especialista apresentou o painel O Impacto das Infecções Respiratórias, Incluindo a Covid-19, no Transplante de Medula Óssea.


Vírus respiratórios x transplantes

Os vírus respiratórios respondem por grande parte das doenças infecciosas, algo que causa impacto na população de pacientes imunossuprimidos, sobretudo os que fizeram ou farão um transplante de medula óssea (TMO). 

Isso já ocorria antes mesmo da pandemia de Covid-19. “Há um estudo que mostrou que 40% da população desenvolvia alguma infecção respiratória nos primeiros 100 dias após o transplante”, afirma o Dr. Steven Pergam.


Covid-19 e transplante de medula óssea 

Há alguns estudos que discutem a vacinação para Covid-19 em pacientes transplantados de medula óssea. 

Entre os achados, a malignidade maior para tumores hematológicos em relação aos sólidos fica evidente. 

“Um estudo com 318 transplantados mostrou que 51% desenvolveram quadro grave de Covid um mês após o procedimento, sendo que as variantes delta e gama (brasileira) foram motivo de grande preocupação”, explica o Dr. Steven.

“Não se sabe ainda exatamente o melhor momento de dar a vacina em pacientes transplantados de medula óssea, mas verificamos que a vacina tem eficácia e deve ser aplicada pelo menos 3 meses após o transplante”, acrescenta o médico.  

O especialista do Fred Hutchinson Cancer Research Center reforça que é essencial vacinar urgentemente as pessoas que mantêm contato com o paciente que será transplantado, como familiares e equipe médica. 


PCR e outros vírus 

Além dos sequenciamentos genômicos, para detectar surtos de vírus respiratórios, o segredo é sempre testar pacientes de TMO.

“Muitos sintomas podem estar associados a vírus respiratórios, mas não estão. No caso do Influenza, a gente imagina dor muscular e febre, mas isso não ocorre com frequência nos transplantados”, conta o Dr. Steven. 

“Coriza, a reclamação mais comum, pode ser um vírus ou não ser nada, por isso precisamos testar esses pacientes e tratar o quanto antes, é importante esse diagnóstico preciso para eles”, acrescenta.

Segundo o médico, entre os testes, a cultura se mostra interessante para verificar a resistência da bactéria ou novas cepas, mas demora mais. 

Já o teste rápido, só vale pela rapidez, já que carece de precisão. “O PCR é o melhor, como vimos no trato da Covid-19, mas é um teste caro e, por vezes, sensível demais, mostrando até falsos positivos”, analisa.

“Seja para Covid-19 ou para outros vírus, como o Influenza, é muito importante testar, pois há pacientes assintomáticos, que, além de não estarem aptos a ser transplantados, podem estar transmitindo vírus sem saber”, finaliza o especialista.

Dr. Steven Pergam, careca, loiro, de óculos e blusa de lã azul
"
Temos alguns papers que discutem a vacinação para Covid-19 em pacientes transplantados de medula óssea. Verificou-se que a vacina deve ser aplicada pelo menos 3 meses após o transplante.
Dr. Steven Pergam, do Fred Hutchinson Cancer Research Center

Avaliação de conteúdo

Você gostaria de avaliar esse conteúdo?
Esse conteúdo foi útil?
Gostaria de comentar algo sobre esse conteúdo?

Veja também

Endometriose pode virar câncer?
Endometriose, um mal que atinge cerca de 6 milhões de mulheres. A doença ocorre quando o endométrio, mucosa que reveste a parede interna do útero, cresce em outras partes do corpo. Geralmente, órgãos como ovários, trompas e peritônio são os mais afetados, causando cólicas muito...
Levantamento aponta sinal de alerta para diagnóstico tardio de câncer de cabeça e pescoço
Os tumores de cabeça e pescoço representam o 9º tipo de câncer mais comum no mundo, com maior prevalência nos países em desenvolvimento, segundo o Globocan 2012, levantamento da Organização Mundial de Saúde. Incluindo todas as áreas da cavidade oral, como a língua e a...
Exames que ajudam a diagnosticar um câncer ginecológico
Existem diversos exames que são importantes para detecção de um câncer ginecológico. Cada um tem uma função específica e alguns são comuns para vários tipos de câncer na mulher. Dra. Andrea Paiva Gadelha Guimarães, oncologista clínica do A.C.Camargo Cancer Center, explica quais são os principais...
Podcast Rádio Cancer Center #5 - Panorama da oncologia
Ouça o programa e aprenda mais sobre o cenário da causa da Instituição Este episódio do Podcast Rádio Cancer Center apresenta um formato um pouco diferente. Diretor Médico do A.C.Camargo, o Dr. Victor Piana de Andrade traçou um importante panorama geral da oncologia em entrevista...
A.C.Camargo Cancer Center apresenta cartilhas sobre tumores ginecológicos
Materiais contêm informações simples e didáticas, como sinais e sintomas, sobre os principais tipos de câncer do sistema reprodutor feminino A equipe do Centro de Referência de Tumores Ginecológicos disponibilizou cartilhas sobre tumores do colo do útero, endométrio, ovário e vulva. Com informações simples e...