Congresso internacional promovido pelo A.C.Camargo Cancer Center discute novas abordagens para o câncer de pâncreas

Publicado em: 09/04/2017 - 21:04:00
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Oito entre dez casos de câncer de pâncreas são diagnosticados em fase mais avançada, o que resulta em abordagens mais complexas e menos efetivas. Com o desafio de ampliar o entendimento sobre esta doença, cientistas do Brasil e exterior se reúnem em São Paulo de 20 a 22 no painel de Trato Gastrointestinal Alto do congresso Next Frontiers to Cure Cancer

Responsável por produzir enzimas que atuam na digestão dos alimentos e produção de insulina, o pâncreas é uma glândula do aparelho digestivo localizada na parte superior do abdômen, atrás do estômago e em continuidade com o duodeno. Trata-se de uma localização complexa que dificulta o diagnóstico, por exemplo, de um tumor nesse órgão. Somado ao fato de ser uma doença silenciosa, o câncer de pâncreas é diagnosticado em fase mais avançada em oito entre dez casos. Trazer respostas que resultem em avanços no diagnóstico e tratamento dos tumores pancreáticos é um grande desafio para a comunidade médico-científica e será a principal discussão do painel sobre câncer do trato gastrointestinal alto do Next Frontiers to Cure Cancer, congresso promovido pelo A.C.Camargo Cancer Center, que acontecerá de 20 a 22 de abril no Hotel Renaissance, em São Paulo.  

Mais comum a partir da sexta e sétima décadas de vida, o câncer de pâncreas, embora não seja um tumor de alta incidência, resulta em mais de 8 mil mortes anuais no país, segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA). De acordo com o cirurgião oncologista, diretor do Departamento de Cirurgia Abdominal do A.C.Camargo e coordenador do painel, Felipe José Fernàndez Coimbra, há muitas indagações quando o assunto é câncer pancreático. Isso porque, dos pacientes que têm o diagnóstico da doença, só 20% está numa situação considerada factível para cirurgia com foco curativo. A maioria dos pacientes tem uma doença disseminada e as quimioterapias atuais ainda têm uma limitação na taxa de resposta.  

Por sua vez, ressalta o especialista, o evento debaterá temas que ampliam as perspectivas de haver uma mudança positiva desse cenário. "A quimioterapia está se tornando mais efetiva, há muitos estudos em andamento com foco em biópsia líquida e em imunoterapia como sendo um possível tratamento sistêmico, assim como estão crescendo as indicações de cirurgias minimamente invasivas. Hoje, seis entre dez cirurgias realizadas no A.C.Camargo são por laparoscopia ou via robótica", destaca Felipe Coimbra.

A busca pelas respostas começa pela epidemiologia. Felipe Coimbra observa que há uma diferença dos dados sobre câncer de pâncreas no Brasil com os de outros países, como os Estados Unidos, por exemplo, onde a doença é mais incidente. "Nosso papel está em entender melhor os fatores de risco para, desta forma, sabermos como notificar a doença no país, principalmente no grupo de pessoas com maior predisposição", ressalta. Segundo Felipe Coimbra, o objetivo é identificar quais são as mutações relacionadas com desenvolvimento da doença e com o grau de agressividade e, desta forma, identificar possibilidades de terapia-alvo e de reconhecer fatores que indiquem sensibilidade às terapias, antevendo assim quem poderá responder ou não à quimioterapia.

Os especialistas também irão compartilhar conhecimento quanto ao manejo dos pacientes com câncer de pâncreas. Tanto o adenocarcinoma (o mais incidente, representado 90% dos casos), quanto o neuroendócrino, são mais comum em idosos e com alta prevalência de comorbidades (doenças associadas) como diabetes do tipo 2. A boa notícia, comenta Felipe Coimbra, é que está aumentando a indicação de neoadjuvância (receber quimio e/ou radioterapia antes da cirurgia) nesse grupo de pacientes. "Os avanços terapêuticos estão possibilitando que até mesmo o paciente com comorbidades possa, de acordo com critérios clínicos,  ser submetido a uma cirurgia maior,inclusive com a ressecção e a reconstrucão de veias comumente acometidas neste tumor ou tratamento mais agressivo, com quimioterapia, radioterapia e terapias ablativas, sem detrimento de sua qualidade de vida", afirma Felipe Coimbra.

Outro destaque do painel sobre o trato gastrointestinal alto será a apresentação dos resultados parciais do estudo temático sobre câncer gástrico que está em andamento no A.C.Camargo. A pesquisa, feita em caráter multidisciplinar, busca novos agentes etiológicos alterações moleculares da doença familiar ou de ocorrência em idades precoces, investigando marcadores de resposta à quimioterapia neoadjuvante e pesquisando fatores relacionados ao prognóstico e diversidade de seus diferentes tipos histopatológicos. Para tanto, foi estruturada uma rede colaborativa envolvendo centros em São Paulo, Fortaleza, e Belém, onde estão sendo coletados dados epidemiológicos detalhados de mais de 2 mil pessoas. Estão sendo aplicados questionários e coletados fluidos biológicos e tecidos, que serão analisados com técnicas modernas de patologia, metagenômica, genômica e epigenômica. O painel abordará, dentre outros temas, a segurança do paciente, o papel da nutrição na reabilitação dos pacientes, abordagens em UTI e o papel dos cuidados paliativos. A programação completa está disponível em www.nextfrontiers.com.br.

 

NEXT FRONTIERS TO CURE CANCER - Nesta que é a sua segunda edição, o Next Frontiers to Cure Cancer acontece de 20 a 22 de abril no Hotel Renaissance, em São Paulo. Com o olhar atento ao presente e futuro da oncologia, o A.C.Camargo Cancer Center reúne palestrantes de renomadas instituições nacionais e internacionais de mais de 16 especialidades para falar sobre os avanços e novas fronteiras no combate ao câncer.

Participam palestrantes internacionais do MD Anderson Cancer Center, Memorial Sloan Kettering Cancer Center, Mayo Clinic, Harvard Medical School, National Cancer Institute (NIH), Winona State University, University of Miami (Estados Unidos), Heidelberg University (Alemanha), University of Torino (Itália), Universidad de Buenos Aires (Argentina) e Princess Margaret Cancer Center - University Health Network (Canadá).

Com o tema central a "Perspectiva multidisciplinar no diagnóstico, tratamento e pesquisa do câncer", o Congresso enfatizará os avanços nesta tríade em câncer de mama e tumores gastrointestinais, ósseos, urológicos e ginecológicos e também em sarcomas de partes moles e na pesquisa translacional em oncologia. Também serão discutidos os efeitos tardios do tratamento do câncer, a abordagem cardiológica no tratamento e seguimento do paciente oncológico (onco-cardiologia), a epidemiologia e questões ligadas à enfermagem, farmácia, nutrição, fisioterapia e psicologia, sempre voltadas para o paciente oncológico. Serão seis salas simultâneas para acomodar todos os temas.

 

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Moura Leite Netto - Mtb 44.949 - moura@comunique.srv.br 

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