Como tratar a mulher jovem com câncer de mama será um dos focos de Congresso promovido pelo A.C.Camargo Cancer Center

Publicado em: 10/04/2017 - 21:04:00
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Apesar de menos frequente, o câncer de mama em mulheres abaixo dos 40 anos costuma ser diagnosticado em fases mais avançadas, e está associado a tipos histológicos mais agressivos. O desafio está em definir o perfil destas pacientes e oferecer uma terapia personalizada, eficaz e com menos sequelas. Tema será o ponto central do Painel de Mastologia do Next Frontiers to Cure Cancer, evento internacional promovido pelo A.C.Camargo Cancer Center. Congresso acontece de 20 a 22 de abril, em São Paulo

Um levantamento realizado pela Epidemiologia e Departamento de Mastologia do A.C.Camargo Cancer Center junto a 4.527 pacientes diagnosticadas com câncer de mama e tratadas na Instituição a partir de 2.000 revelou que 11,4% das mulheres receberam a notícia do diagnóstico até os 39 anos. Embora representem uma minoria dos casos, a doença nessa faixa etária apresenta características peculiares, como maior propensão para tumores que são mais agressivos, menos responsivos aos tratamentos hormonais e mais associados com hereditariedade.

Este perfil desafia a comunidade médico-científica a traçar novas fronteiras não só para a cura, como para melhor qualidade de vida destas pacientes. Os caminhos trilhados nesse sentido serão debatidos durante o Painel de Mastologia do Next Frontiers to Cure Cancer, evento internacional, promovido pelo A.C.Camargo Cancer Center, que acontecerá de 20 a 22 de abril no Hotel Renassaince, em São Paulo.

O câncer de mama, de acordo com o Globocan 2012, é o mais comum entre as mulheres no mundo, com cerca de 1,6 milhão de novos casos por ano, representando 25% de todos os cânceres. É a quinta principal causa de mortalidade por câncer no mundo (522 mil mortes/ano). No Brasil, segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA), são estimados 57.960 novos casos da doença em 2017 e estima-se que cerca de 6 mil desses casos ocorram na mulher jovem (abaixo dos 40 anos). 

De acordo com a cirurgiã oncologista, diretora do Departamento de Mastologia e coordenadora do Painel sobre câncer de mama do evento, Fabiana Baroni Makdissi, embora não se classifique como doença rara, o câncer de mama na mulher jovem não é motivo para alarde. "A incidência da doença nessa faixa etária se mantém estável, não sendo o número de casos, portanto, o motivador para a escolha por este tema. Decidimos por este foco porque vemos nessa abordagem um enorme campo aberto para novas pesquisas", explica Fabiana Makdissi.

O envelhecimento é o principal fator de risco para câncer de mama. Isso porque, com o passar dos anos, o DNA sofre mais alterações genéticas decorrentes, por exemplo, de exposição a hormônios que alimentam o tumor, como estrógeno e progesterona, assim como de processos inflamatórios associados com a obesidade. Em razão disso, quanto mais avançada for a idade, maior a probabilidade de a paciente desenvolver câncer de mama, com a doença alcançando o seu pico entre os 60 e 70 anos.

"Quando a gente pensa em todos os fatores de risco que são atribuídos a uma mulher que tem câncer de mama em idade mais avançada, vemos o quanto é diferente os perfis epidemiológicos e etiológicos (de causas) da doença na paciente jovem, pois ela é uma paciente que não teve o tempo suficiente de exposição a todos os fatores de risco", observa Fabiana Makdissi.

De acordo com a especialista, o fato dos tumores de mama na mulher jovem serem mais frequentemente não responsivos a hormônios faz com que os bloqueios hormonais nem sempre sejam uma opção de tratamento. Nas pacientes mais idosas, por sua vez, os tumores são, com muito mais frequência, alimentados por hormônio e o bloqueio é uma indicação possível.

Além disso, nas pacientes cujo tumor responde aos hormônios, este bloqueio causa uma situação de menopausa muito precoce e os efeitos colaterais do tratamento são mais sentidos. Há também uma maior prevalência de tumores HER-2 positivo, para o qual há terapias eficazes (terapias alvo). "Somado a isso, há uma maior possibilidade de descobrir doença associada com hereditariedade nesse grupo de mulheres", observa Fabiana.

Ainda segundo a especialista, tratar uma paciente abaixo dos 40 anos significa que ela ainda tem um longo período de vida pela frente e é preciso se preocupar com a qualidade de vida pós tratamento. Com isso, é necessário personalizar a abordagem terapêutica, além de se pensar no manejo (todo o acompanhamento) dessa paciente nos anos que virão.

"Devemos avaliar, caso a caso o tratamento indicado. Definir se melhor cirurgia é a retirada parcial ou total da mama, a extensão do esvaziamento axilar, o uso de quimioterapia antes ou após a cirurgia. Todo cuidado é válido e sempre que possível, indicamos o procedimento menos invasivo e mais efetivo para deixar menos sequelas", explica.

Outro ponto a ser debatido no Congresso é a indicação de radioterapia em pacientes jovens. Com o avanço da tecnologia, hoje é possível, até mesmo para lesões mais extensas, selecionar o campo a ser irradiado, preservando as células saudáveis e evitando danos como sequelas pulmonares.

O Painel sobre Mastologia está inserido na programação do dia de abertura do Next Frontiers to Cure Cancer - 20 de abril. Serão debatidos temas como as novas fronteiras para o diagnóstico por imagem; quimioterapia antes da cirurgia; preservação de fertilidade; assinaturas genéticas; fator psicológico das pacientes que hoje mais que nunca são mulheres "multitarefa"; relação entre obesidade e câncer; cirurgias redutoras de risco na paciente com mutação; visão do patologista quanto às lesões precursoras e onde estamos quanto aos biomarcadores de risco de progresso de carcinomas ductais in situ. A programação está disponível em http://www.nextfrontiers.com.br.

 

NEXT FRONTIERS TO CURE CANCER - Nesta que é a sua segunda edição, o Next Frontiers to Cure Cancer acontece de 20 a 22 de abril no Hotel Renaissance, em São Paulo. Com o olhar atento ao presente e futuro da oncologia, o A.C.Camargo Cancer Center reúne palestrantes de renomadas instituições nacionais e internacionais de mais de 16 especialidades para falar sobre os avanços e novas fronteiras no combate ao câncer.

Participam palestrantes internacionais do MD Anderson Cancer Center, Memorial Sloan Kettering Cancer Center, Mayo Clinic, Harvard Medical School, National Cancer Institute (NIH), Winona State University, University of Miami (Estados Unidos), Heidelberg University (Alemanha), University of Torino (Itália), Universidad de Buenos Aires (Argentina) e Princess Margaret Cancer Center - University Health Network (Canadá).

Com o tema central a "Perspectiva multidisciplinar no diagnóstico, tratamento e pesquisa do câncer", o Congresso enfatizará os avanços nesta tríade em câncer de mama e tumores gastrointestinais, ósseos, urológicos e ginecológicos e também em sarcomas de partes moles e na pesquisa translacional em oncologia. Também serão discutidos os efeitos tardios do tratamento do câncer, a abordagem cardiológica no tratamento e seguimento do paciente oncológico (onco-cardiologia), a epidemiologia e questões ligadas à enfermagem, farmácia, nutrição, fisioterapia e psicologia, sempre voltadas para o paciente oncológico. Serão seis salas simultâneas para acomodar todos os temas.

 

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Moura Leite Netto - Mtb 44.949 - moura@comunique.srv.br 

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