Como é realizado o Transplante de Medula Óssea?

Publicado em: 26/06/2019 - 15:06:37
Tratamento
Institucional
Serviços ao Paciente
Neoplasias Hematológicas

No quarto e último texto da série sobre TMO, saiba mais sobre o procedimento e as medidas de prevenção de infecções 

Por Daniel Garcia, oncologista clínico, e Jayr Schmidt, head de Hematologia

Quando a quimioterapia e/ou a radioterapia estiverem completas, será administrada uma infusão da medula óssea colhida no sangue periférico do receptor. A infusão é administrada através de um acesso venoso, geralmente o acesso central. A infusão leva em torno de uma hora e geralmente não causa dor.

As células-tronco hematopoiéticas chegam à medula óssea, onde restabelecerão a produção normal de células sanguíneas; esse processo é chamado de enxertia. Ter conhecimento de quando o enxerto ocorreu é importante para determinar quando é seguro para o paciente ir para casa e/ou reduzir os procedimentos de isolamento. Medicamentos que estimulam a medula óssea para produzir células brancas e vermelhas também podem ser utilizados.

O enxerto é medido através da realização de contagens diárias de células sanguíneas. Os neutrófilos são um tipo de glóbulo branco que é um marcador do enxerto; a contagem absoluta de neutrófilos deve ser de pelo menos 500 por três dias seguidos para confirmar que o enxerto ocorreu. Isto geralmente ocorre em 10 a 20 dias após o transplante. Os receptores de sangue de cordão umbilical geralmente requerem de 21 a 35 dias para o enxerto de neutrófilos.

A contagem de plaquetas também é usada para determinar quando ocorreu o enxerto. A contagem de plaquetas deve estar entre 20.000 e 50.000 (sem uma transfusão de plaquetas recente). Isso geralmente ocorre ao mesmo tempo ou logo após o enxerto de neutrófilos.

Prevenção de Infecção

Quando a função da medula óssea é destruída, corre-se o risco de desenvolver infecções potencialmente fatais, pois perde-se temporariamente a capacidade de produzir glóbulos brancos (as células que combatem infecções). Existe também o risco de sangramento excessivo devido ao número reduzido de plaquetas no sangue. É importante minimizar a exposição a bactérias, vírus e fungos, pois mesmo um pequeno número de microrganismos (que entramos em contato diariamente) pode causar uma infecção grave.

Pacientes submetidos a transplante alogênico são frequentemente colocados em isolamento protetor em um quarto privado. O ar do quarto é filtrado e forçado a sair quando a porta é aberta (chamada de sala de pressão positiva). Esse isolamento, combinado com sentimentos ruins, pode ser um desafio para algumas pessoas que podem se sentir deprimidas ou ansiosas. 

Precauções especiais são necessárias para todas as pessoas que entram na sala para reduzir a chance de infecção. A lavagem das mãos é uma das precauções mais importantes, reduzindo significativamente a chance de transmissão de infecção. Os visitantes não devem visitar se não se sentirem bem e não devem trazer frutas, plantas ou flores frescas para o quarto do paciente, pois podem conter microrganismos potencialmente perigosos. Outras medidas podem ser tomadas para reduzir a chance de infecção como a vacinação e o uso profilático de antibióticos, antifúngicos ou medicamentos antivirais.

Efeitos Secundários do Transplante de Medula Óssea

A quimioterapia de alta dose e a irradiação total do corpo necessária para o transplante de células hematopoiéticas podem ter sérios efeitos colaterais.

Efeitos Colaterais Comuns

•    Náuseas e vômitos - Podem ser prevenidos e tratados com uma combinação de medicamentos. 
•    Perda de cabelo - A perda de cabelo é comum e temporária e geralmente inclui também os pelos da face e do corpo. 
•    Mucosite (úlceras orais), dor abdominal e diarreia.
•    Infertilidade - O risco de infertilidade depende dos tratamentos utilizados e da dosagem administrada. Caso o paciente tenha a intenção de ter filhos no futuro, deve-se conversar com o médico sobre a possibilidade de congelar óvulos, esperma ou embriões antes do início do tratamento. 
•    Toxicidade orgânica - Os pulmões, fígado e ossos estão em maior risco de danos como resultado dos tratamentos usados no transplante de células-tronco. Pessoas com irradiação total do corpo podem desenvolver catarata nos olhos, embora essa complicação seja menos comum com os métodos atuais de tratamento radioterápico.
•    Cânceres secundários - Existe um pequeno risco de desenvolvimento de um segundo câncer em pacientes submetidos a transplante de células hematopoiéticas, provavelmente como resultado dos tratamentos utilizados para o primeiro câncer, bem como dos tratamentos necessários para o transplante. O segundo câncer geralmente se desenvolve vários anos (habitualmente três a cinco) após o transplante de células hematopoiéticas.

Doença do enxerto contra o hospedeiro

Entre 10 e 50% dos pacientes que recebem um transplante alogênico – quando são utilizadas células de um doador - apresentam um efeito colateral conhecido como doença do enxerto contra o hospedeiro (do inglês graft versus host disease ou GVHD). Este problema não ocorre após o transplante autólogo uma vez que a medula utilizada é a do próprio paciente.

O "enxerto" refere-se às células transplantadas; o "hospedeiro" refere-se ao paciente. Assim, doença do enxerto contra o hospedeiro é uma condição na qual as células do sistema imunológico do doador atacam os órgãos do paciente receptor. A GVHD é a maior ameaça isolada, além da doença subjacente, para o sucesso de um transplante de células hematopoiéticas.

Para ajudar a prevenir o GVHD pode-se utilizar imunossupressores, antibióticos e as vezes esteroides. Se o GVHD se desenvolver, tratamento adicional com altas doses de esteroides pode diminuir sua gravidade. Os sintomas podem incluir erupções cutâneas, diarreia, danos ao fígado ou outros problemas, dependendo do órgão afetado. Uma complicação rara é a insuficiência do enxerto, que ocorre em aproximadamente 1% dos pacientes após o transplante de células hematopoiéticas.

Risco de morte

Existe um risco de morte relacionado ao tratamento. Este risco depende da idade do paciente, da natureza da doença subjacente, do tipo de transplante (autólogo ou alogênico) e de outros fatores, incluindo a habilidade e a perícia da instituição onde o tratamento é oferecido. O A.C.Camargo Cancer Center é um centro de referência em transplantes de medula óssea e conta com uma equipe experiente e altamente especializada neste procedimento.

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