Em um consultório, médica de jaleco branco atende paciente, ambas com 35 anos e cabelos negros lisos

Câncer de mama: 7 jeitos de manter a mente calma

Publicado em: 27/10/2021 - 09:10:47
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A imagem no espelho, família, amigos, trabalho, relacionamentos... Neste Outubro Rosa, apresentamos maneiras para as pacientes aquietarem o coração e seguirem firmes no tratamento – servem também para quem faz parte do círculo desta mulher

O câncer de mama mexe com mulheres de qualquer idade em questões como feminilidade, vaidade, maternidade e sexualidade.

Existem, porém, formas de se manter calma e positiva, conforme se vê nas dicas abaixo, dadas pela Dra. Christina Haas Tarabay, head de psicologia do A.C.Camargo.

São ideias que valem não apenas para quem está em tratamento, mas também para quem faz parte da vida dessa mulher, sejam essas pessoas familiares, amigos ou colegas. 


1. Tudo bem não estar tudo bem

O momento do diagnóstico do câncer de mama é muito difícil, pois a mulher está tocando a vida dela e, de repente, vem um achado num exame de rotina ou a partir de um sintoma – há uma ruptura com o momento dela. 

Não resta dúvida que a positividade é importante no tratamento, mas a paciente deve respeitar aquilo que está sentindo naquele momento. 

É natural haver oscilações: não existe estar sempre forte nem estar sempre se sentindo derrotada. 

Podemos pensar no câncer de mama em fases: o diagnóstico traz um forte impacto, medo, insegurança, angústia. Depois, com o início do tratamento, muitos medos são superados, pois a paciente sente que está fazendo alguma coisa por si mesma, isso traz positividade.


2. A imagem no espelho 

O câncer de mama tem relação profunda e íntima com o “ser mulher”. A mama tem uma representação da feminilidade, sexualidade e maternidade, desde o primeiro sutiã, então a questão psíquica é forte neste contexto.

A mastectomia e a perda de cabelo devido à quimioterapia são alguns dos temas mais relevantes que as pacientes levam às terapeutas.

A mastectomia, por exemplo, é algo abrupto, tem de ser feito rapidamente, a mulher vai para o centro cirúrgico e sai diferente. 

Assim, é normal que a paciente se olhe no espelho e haja um luto. Todo processo de luto leva um tempo para se acomodar dentro da gente, e esse tempo deve ser respeitado.

Quanto ao cabelo, ela tem de decidir se vai usar lenço, peruca ou nada para que ela se sinta melhor no contexto do irremediável, pois o cabelo vai cair e ela vai ter que lidar com isso, assimilar primeiro dentro dela e depois para os outros. Ela precisa entender como quer ser vista pelo outro, e essas coisas não são do dia pra noite.

É uma questão muito pessoal de cada uma dessas pacientes, mas o fato é que elas jamais devem se sentir menos femininas. Elas apenas vão vivenciar um outro conceito de beleza. A beleza vai persistir – isso vem de dentro pra fora – e, quando esta mulher estiver mais segura dentro de si, vai conseguir lidar melhor com o aspecto externo.


3. Trabalho: o planejamento para lidar com curiosidades

O trabalho tem um papel importante na vida das pessoas e, ao retornar, essas mulheres conseguem autoconfiança, pois estão voltando a um lugar conhecido, do qual elas se afastaram por conta do tratamento. 

Também é bom pela questão social: conversas, almoço, hora do cafezinho. No entanto, é uma questão que precisa ser trabalhada em termos psicológicos.

Muitas vezes, os colegas vão fazer perguntas, querer saber como foi o tratamento, como ela se sentiu, se ela já está bem, ainda mais se o cabelo estiver diferente. 

Tudo isso leva à curiosidade dos colegas, então ela precisa saber lidar, e isso é algo muito pessoal. Algumas pacientes vão ficar felizes em relatar como foi, mas outras não vão querer falar sobre isso.

Ajuda se a paciente fizer um planejamento interno se preparando para situações e perguntas que podem ser feitas. Muitas procuram terapia após o tratamento justamente para preparar esse retorno.

É importante que ela se planeje também em relação à fadiga, já que ela está retomando a rotina após o tratamento.

O essencial é que ela se sinta confortável em socializar com outras pessoas do ponto de vista físico e emocional.  


4. Família e amigos: apoio a questões práticas

O suporte às questões práticas também é muito importante para a mulher com câncer de mama, que, assim, terá preocupações a menos para lidar.

No caso, atividades de rotina, como cozinhar, ajudar a limpar a casa e buscar os filhos na escola, tarefas estas difíceis de se executar após uma quimioterapia ou no período pós-cirúrgico.

Ainda no caso de a paciente ter filhos pequenos: o cabelo pode cair, então essas pessoas do entorno podem até ajudar a comunicar isso para as crianças, dando carinho a elas. 


5. Família e amigos: apoio a questões emocionais

Sem dúvida, o suporte familiar e dos amigos é relevante, sobretudo do ponto de vista emocional, já que podem oferecer amparo a esta mulher com câncer de mama, que vai se sentir mais protegida sabendo que pode contar com essas pessoas mais próximas.

O papel principal dessas pessoas é estar ao lado da paciente: ouvir, conversar, respeitar os momentos em que ela quer ficar mais quieta, acompanhá-la em consultas e na quimioterapia (se este for o desejo dela).

Se mostrar disponível já ajuda, pois ela saberá que não está sozinha.


6. Câncer de mama em jovens: lidar com a interrupção 

Normalmente, estas jovens estão vivendo uma fase de ascensão profissional e acadêmica, por vezes com uma vida social agitada, namoros...

Muitas também pensam na maternidade. Aí vem o câncer de mama mexer com todos os planos de forma intensa e inesperada, os interrompendo.

Devido à mastectomia e à quimioterapia, a paciente acaba perdendo sua autonomia, por isso, às vezes, as jovens sentem até mais o diagnóstico. 

O importante é seguir fazendo planos para o futuro. No caso de mulheres que querem ter filhos, congelar os óvulos é uma decisão vital e que deve ser tomada rapidamente. 

O apoio psicológico serve como espaço de reflexão, para enxergar perspectivas de futuro, o retorno ao trabalho, construir relações afetivas sólidas, ser mãe... A terapia atua para que essas interferências negativas ganhem um sentido diferente.


7. O importante é compartilhar: em terapia, em grupos de apoio, nas redes sociais...

Sentir-se forte é algo que tem de vir de dentro pra fora, não é algo que se possa impor.

Há dias em que a pessoa com câncer de mama está mais forte, e há outros em que está mais desanimada. Isso é natural.

O importante é ter boa aderência ao tratamento, dividir esses sentimentos com alguém e, principalmente, sentir-se respeitada nos seus sentimentos.

Terapia ajuda muito, pois a paciente pode falar tudo o que sente, sem julgamentos. Por exemplo, ela não precisa se preocupar se estão pensando se ela está mal naquele dia, ela pode ser 100% sincera, sem medo de preocupar ninguém.

Existem grupos online de mulheres com câncer de mama, que conversam muito nas redes sociais. Elas falam sobre o tratamento, sobre como estão se sentindo... Para algumas, isso é positivo, mas há outra que preferem ficar mais introspectivas. 

Doutora Christina Haas Tarabay, loira, cabelo enrolado no ombro, branca, magra, fala de câncer de mama

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