Avaliação de resposta discordante entre PET/CT 18F-FDG e RECIST em pacientes com melanomas metastáticos tratados com inibidores de pontos de verificação

Publicado em: 01/06/2020 - 12:06:21
Pesquisa
Tratamento
Imunoterapia
Tumores Cutâneos

Por Milton José de Barros e Silva, primeiro autor do estudo e oncologista clínico do A.C.Camargo Cancer Center

A imunoterapia com inibidores de pontos de verificação vem revolucionando o tratamento dos pacientes com melanoma metastático. 

Nos estudos que levaram à aprovação dessas medicações, o tempo total de tratamento previsto era de até dois anos para os pacientes que não apresentassem falha ou toxicidades significativas. 

Entretanto, dados de pacientes que apresentaram resposta completa por RECIST (desaparecimento total da doença em exames de tomografia e/ou ressonância magnética), e que suspenderam o tratamento antes da marca de dois anos, têm chamado a atenção para os excelentes resultados pós-suspensão, com algumas séries mostrando o não ressurgimento da doença em mais de 90% dos casos. 

Contudo, na prática clínica, frequentemente, utilizamos o PET-CT com 18F-FDG para a avaliação de tratamento nos pacientes com melanoma. 

Esse tipo de avaliação leva em consideração não só o tamanho da redução do tumor, mas a sua capacidade de concentração de glicose, uma maneira de avaliar a atividade da doença. A situação onde não mais se observa captação metabólica é chamada de resposta completa metabólica. 

Dados de resposta completa por RECIST nos estudos clínicos são da ordem de 20%, porém a literatura carece de informações sobre o número de pacientes com melanoma tratados com imunoterapia que atingem resposta completa metabólica e o seu significado prognóstico. 

Nesse sentido, estudo conduzido pelo A.C.Camargo Cancer Center avaliou retrospectivamente 170 pacientes tratados com imunoterapia com inibidores de pontos de verificação e que realizaram avaliação de resposta por RECIST e PET-CT. 

Nessa análise, 75 pacientes apresentaram resposta completa metabólica. Entre estes, 38 tinham resposta completa por RECIST. Ou seja, cerca de duas vezes mais pacientes apresentam resposta completa metabólica em comparação à resposta completa por RECIST. 

No momento da análise, 70% dos pacientes em resposta completa estavam fora de tratamento (tempo mediano de tratamento antes da suspensão de 14 meses). Os pacientes com resposta metabólica, mas que não tinham resposta completa por RECIST, em 94,5% dos casos foram classificados como resposta parcial. Não houve diferença em sobrevida livre de recidiva em três anos entre os dois grupos (84,4 vs 74%, p=0,62). 

Os dados desse estudo podem ajudar na tomada de decisão na prática clínica, onde a discussão do melhor momento para a suspensão do tratamento, frequentemente, se impõe, podendo implicar em redução de toxicidade clínica e financeira. 

Para conferir mais (em inglês) sobre o estudo Discordant response comparing 18F-FDG PET/CT with response assessment by RECIST in patients with advanced melanoma treated with immune checkpoint blockade, clique aqui.

Saiba mais:
- Acompanhe aqui o melhor do ASCO Annual Meeting 2020

Avaliação de conteúdo

Você gostaria de avaliar esse conteúdo?
Esse conteúdo foi útil?
Gostaria de comentar algo sobre esse conteúdo?

Veja também

Muitos pacientes que deixam a UTI com cuidados paliativos sobrevivem e retomam o tratamento do câncer
Estudo revela que aproximadamente 20% dos pacientes receberam alta para casa e até voltaram às terapias contra o câncer Alguns pacientes internados em UTI e que não apresentam melhora no quadro deixam esse serviço em cuidados paliativos. Há, no entanto, pouca amostragem sobre o que...
Pesquisa integrada aponta alterações em genes que podem estar relacionadas ao desenvolvimento do carcinoma de pênis
Se os dados coletados forem confirmados em estudos futuros, será possível criar terapias personalizadas para esse tipo de tumor. Durante seu doutorado, o pesquisador Fabio Marchi, do CIPE, cruzou uma imensa quantidade de dados moleculares sobre o carcinoma de pênis. Seu foco era entender como...
Estudo traz nova perspectiva de tratamento para paciente com câncer de mama
Nos últimos anos, o combate ao câncer avançou significativamente e temas ligados a conceitos emergentes na terapia, novas abordagens terapêuticas e a conversão de descobertas em benefícios para paciente chama a atenção da comunidade científica. A revista Nature Cancer divulgou, junto com uma série de...
A.C.Camargo Cancer Center apresenta cartilha sobre câncer de estômago
Material traz informações sobre tratamento, prevenção, sinais e sintomas da doença De acordo com as estimativas do Instituto Nacional do Câncer (INCA), são esperados 21.290 novos casos de câncer de estômago no Brasil em 2019, dos quais 13.540 são em homens e 7.750 em mulheres...
Medo de recidiva: nova forma de terapia melhora vida de pacientes após o tratamento
Estudo australiano mostra eficiência de abordagem para controlar o medo da volta da doença, que impacta a qualidade de vida emocional e profissional de mais da metade dos pacientes que sobrevivem ao câncer. Cerca de 50% dos pacientes que passaram por tratamento de câncer e...