Adenocarcinoma de pulmão: a transformação nos últimos 15 anos

Publicado em: 26/06/2021 - 16:06:02
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A perspectiva do oncologista em pauta no Next Frontiers to Cure Cancer

O adenocarcinoma de pulmão, um dos tipos de câncer mais comuns do mundo, foi mais um dos temas discutidos no Next Frontiers to Cure Cancer.

Durante a aula A Transformação do Adenocarcinoma de Pulmão nos Últimos 15 Anos – Perspectiva do Oncologista, o Dr. Helano Freitas, colíder do Centro de Referência em Tumores de Pulmão e Tórax do A.C.Camargo, destacou os avanços nos tratamentos.


Terapias-alvo e imunoterapia 

Segundo o Dr. Helano, o cenário do tratamento do adenocarcinoma de pulmão mudou drasticamente para melhor nos últimos 15 anos – graças às terapias-alvo e à imunoterapia.

“Mutações no gene EGFR estão presentes em cerca de 20% dos casos de adenocarcinoma de pulmão. Inibidores de EGFR foram as primeiras terapias-alvo a demonstrar maior eficácia e melhor tolerância em relação à quimioterapia, há cerca de uma década. Desde então, temos três gerações de inibidores de EGFR e conhecemos bem mais sobre como o tumor consegue ficar resistente ao tratamento. O reflexo disso é que os pacientes estão vivendo mais e melhor”, explica o médico.

Alterações em outros genes como ALK (5-7%) e ROS1 (1%), embora menos frequentes que as mutações em EGFR, têm terapias-alvo direcionadas também mais eficazes e menos tóxicas que a quimioterapia, e estão aprovados para uso no Brasil.

Recentemente houve importantes avanços com a aprovação de novas drogas alvo direcionadas contra MET, RET e contra um tipo menos comum de mutação de EGFR, chamadas inserções no éxon 20. 

Essas drogas foram aprovadas pelo FDA, o órgão americano equivalente à ANVISA no Brasil. 

Embora tais drogas ainda não estejam aprovadas no Brasil, a expectativa é que elas estejam aptas a serem usadas por aqui em um futuro próximo.


Imunoterapia 

A imunoterapia também tem contribuído de maneira importante para o aumento de sobrevida dos pacientes com câncer de pulmão. 

No caso do câncer de pulmão de células não pequenas, a imunoterapia comprovadamente aumenta a sobrevida de pacientes com doença localmente avançada ou metastática. 

Para exemplificar a magnitude desse impacto, pacientes com câncer de pulmão de células não pequenas, metastático, cujo tumor tem alta expressão de PD-L1 (≥50%) e que são tratados com imunoterapia, têm uma chance em três de estarem vivos cinco anos após o diagnóstico – na era da quimioterapia exclusiva, essa chance era de apenas uma em cada 50.

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