A.C.Camargo amplia a relevância da ciência no propósito de combater o câncer

Publicado em: 02/04/2017 - 21:04:00
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Com atuação em pesquisa básica, clínica e translacional em tumores específicos, a Instituição contribui ainda mais para aumentar o conhecimento sobre oncologia


O A.C.Camargo Cancer Center vai aumentar as atividades em linhas de pesquisa translacionais ligadas ao estudo dos carcinomas de cabeça e pescoço, tumores de rim e estômago, sarcomas de partes moles, tumores raríssimos e também os cânceres hereditários. "Os esforços multidisciplinares nessas linhas de pesquisa trazem implicações diretas na melhoria da assistência ao paciente", avalia Vilma Regina Martins, cientista e Superintendente de Pesquisa da Instituição. 

Para ela a nova abordagem significa aumentar a relevância internacional da Instituição, uma vez que estes estudos deverão ser referência global no tratamento destes tumores. A decisão foi amadurecida ao longo de 2016 por meio do planejamento estratégico e da indicação conjunta de um comitê de pesquisa institucional (formado por médicos e cientistas) que levou em conta o estado da arte de informações epidemiológicas, moleculares e clínicas; da relevância destas doenças no Brasil e da expertise instalada no A.C.Camargo. 

Além disso, foi reativado o trabalho do Scientific Advisory Board (SAB), composto por renomados cientistas, líderes mundiais em epidemiologia, cirurgia, oncologia clínica, genética e biologia celular. É um conselho que faz uma análise crítica de todas as atividades científicas da Instituição e aponta oportunidades de desenvolvimento.  

Entre os pesquisadores que fazem parte do SAB estão o brasileiro Eduardo Franco, Chairman de Oncologia da Universidade McGill, do Canadá; Charles Balch, Professor de Cirurgia do MD Anderson Cancer Center e Diretor de Pesquisa do Johns Hopkins Hospital; Mary Gospodarowicz, que presidiu a União Internacional para o Controle do Câncer (UICC) e é Diretora Médica do Princess Margareth Cancer Center (Canadá); Mina Bissell, biologista celular, membro da Academia Americana de Ciências e diretora do Laboratório Nacional Lawrence Berkeley (EUA); e Webster Cavenee, geneticista e diretor de Alianças Estratégicas do Ludwig Cancer Research, também dos EUA. 

Com isso, a Instituição busca consolidar a liderança na pesquisa oncológica no Brasil. "A avaliação da nossa atividade científica por um grupo de cientistas como este gera uma análise crítica ao conhecimento clínico-científico produzido na Instituição e garante sua melhoria constante. Esta abordagem promove maior compreensão sobre os fatores associados ao câncer, seu diagnóstico preciso e tratamento baseado em evidências científicas. Com isso temos impacto direto na excelência da linha do cuidado, diagnóstico e tratamento ao nosso paciente", destaca Vilma Regina Martins.

Em 2016, a Instituição publicou 183 artigos em revistas internacionais indexadas e conduziu 29 estudos clínicos.

As diretrizes de pesquisa para os próximos anos incluem atrair e reter talentos; manter a estruturação de seu banco de dados e, desta forma, atender a todas as demandas de pesquisa; promover a formação de consórcios nacionais e internacionais nas linhas prioritárias, ampliar e diversificar as fontes de financiamento e otimizar a gestão dos recursos financeiros à luz das prioridades estratégicas de pesquisa. 

Para o cumprimento desses objetivos o A.C.Camargo Cancer Center intensificará a integração da Pesquisa com a Assistência por meio do estímulo não só de projetos com participação de cientistas, cirurgiões oncologistas, radioterapeutas, radiologistas e oncologistas clínicos como também que reúnam uma expertise multiprofissional, que inclui as participações de audiologistas, otorrinolaringologistas, fonoaudiólogos, nutricionistas, estomatologistas, psicólogos, enfermeiros, dentre outros. 

A Instituição vai também aprimorar a geração de conhecimento epidemiológico, promover estudos clínicos patrocinados e institucionais e estudos relacionados à qualidade de vida e aspectos psicossociais do paciente, provendo conhecimento para melhoria contínua da qualidade da Assistência. Há ainda uma atividade essencial que fomenta a inovação por meio do desenvolvimento de produtos a partir da geração de patentes.

"Além das atividades assistenciais, somos um centro de pesquisas reconhecido internacionalmente pela excelência técnico-científica e pela relevância e aplicabilidade clínica de suas contribuições", destaca Vivien Rosso, Superintendente Geral do A.C.Camargo Cancer Center. 


A PESQUISA DO CÂNCER ESTÁ NA CULTURA DA INSTITUIÇÃO - Desde sua inauguração em 1953, o A.C.Camargo Cancer Center trazia na visão privilegiada de seu fundador Antônio Prudente, médico e pesquisador da Universidade de São Paulo (USP), a preocupação de unir a excelência na assistência ao câncer com a formação de especialistas e o desenvolvimento da ciência voltada à busca da cura da doença. 

Naquela época, Prudente trouxe de volta ao país médicos brasileiros que se destacavam no exercício da oncologia emergente em instituições dos Estados Unidos e Europa e já integravam a prática clínica à observação científica. Em meio às dificuldades naturais do exercício da boa medicina e da ciência no Brasil, começou-se a organizar na Instituição a estrutura e os conceitos necessários para o desenvolvimento da pesquisa, com resultados logo reconhecidos internacionalmente. 

Mas foi nos anos 80, com a parceria com o Instituto Ludwig de Pesquisa sobre o Câncer, então sob direção do cientista Ricardo Brentani, Professor Titular de Oncologia da USP, que o A.C.Camargo Cancer Center deu passos firmes rumo à liderança nacional em pesquisa ao fomentar a aproximação da ciência básica e molecular da pesquisa clínica intensificando a já existente cultura do fazer científico. 

O salto seguinte - a liderança no Projeto Genoma do Câncer ao lado do Instituto Ludwig e com apoio da Fapesp - projeta a Instituição no cenário internacional. A partir daí sua produção científica ganhou uma robustez inédita no país e, integrada à formação de Mestres e Doutores em sua pós-graduação stricto sensu reconhecida pela CAPES, organiza em 2007 grupos de cientistas que estão estruturados num edifício dedicado a atividade de pesquisa institucional desde 2010, o Centro Internacional de Pesquisa - CIPE.


CONTRIBUIÇÕES PARA O NOVO CENÁRIO DA ONCOLOGIA - A histórica sinergia entre a pesquisa básica e a prática clínica permitiu ao A.C.Camargo Cancer Center ser protagonista de inovações que contribuíram para a consolidação de protocolos de diagnóstico e tratamento mais eficazes contra o câncer. A origem de uma destas contribuições veio da Alemanha, por meio da descoberta da associação direta dos tipos 16 e 18 do vírus HPV com o desenvolvimento de câncer de colo do útero feita pelo virologista Harald zur Hausen. 

O especialista, Nobel de Medicina em 2008, abriu caminho para que o Brasil, por meio da parceria entre A.C.Camargo Cancer Center e o Instituto Ludwig, fosse destaque no desenvolvimento da vacina anti-HPV. O trabalho liderado pela cientista Luísa Lina Villa foi o braço brasileiro do desenvolvimento da vacina contra o vírus HPV. A vacina oferece imunização contra os mais prevalentes HPVs oncogênicos relacionados à tumores de colo do útero, garganta, pênis e ânus. 

Nos anos 70, o cirurgião oncologista e então diretor de Cirurgia Pélvica do A.C.Camargo Cancer Center, Fernando Gentil, protagonizou o surgimento de uma nova era na cirurgia oncológica, a das cirurgias conservadoras. Por mais de sete décadas, o tratamento padrão de pacientes com câncer de mama era a mastectomia radical, técnica criada por Willian S. Halsted, que consistia na mastectomia radical (retirada total da mama, dos músculos peitorais e dos linfáticos da axila), trazendo sequelas estéticas e funcionais significativas para as pacientes. 

Gentil ousou ao fazer naquela época uma cirurgia conservadora, que consistia na remoção da glândula mamária, preservando-se o complexo areolo-mamilar e possibilitando a reconstrução imediata com próteses.  Ao longo da carreira, Fernando Gentil registrou mais de 400 casos de cirurgia conservadora para o câncer de mama, sendo que os primeiros 60 casos foram publicados em 1980 no Journal of Surgical Oncology:  http://onlinelibrary.wiley.com/doi/10.1002/jso.2930140211/abstract. 

Ainda no âmbito da cirurgia, o A.C.Camargo Cancer Center é pioneiro no país e com uma das maiores casuísticas no mundo na realização da citorredução associada à quimioterapia intraperitoneal hipertérmica. A técnica consiste em remover todo o tumor visível no peritôneo, membrana que reveste internamente o abdômen. A doença remanescente é exposta a uma alta temperatura, aumentando a permeabilidade das células neoplásicas para a entrada do quimioterápico. Além disso, vantagem desse método, se comparado à quimioterapia endovenosa (na veia), é que se obtém maior concentração da droga na cavidade peritoneal.

Outra contribuição de destaque foi o estabelecimento de uma nova conduta padrão (protocolo) de tratamento de tumor de Wilms (o tumor renal mais comum em crianças). O feito foi liderado pela então diretora de Pediatria da Instituição, Beatriz de Camargo. Ao se comparar a eficácia da substância actinomicina quando administrada em doses fracionadas (cinco frações) ou em dose única, comprovou-se que não havia diferença significativa nos dois casos. Isso indicou a possibilidade, logo consagrada em nível internacional, de se diminuir drasticamente o número de visitas hospitalares. Desta forma, a principal vantagem foi o alívio no sofrimento dos pacientes pediátricos que, em vez de se submeterem ao desgaste de cinco sessões de quimioterapia, passaram a receber apenas uma.


DECIFRAR O CÂNCER E TRATAR PACIENTE A PACIENTE - Com infraestrutura robusta, o Centro Internacional de Pesquisa - CIPE dispõe de uma sede de 4 mil m² no Edifício Prof. Dr. Ricardo Renzo Brentani, próximo à sede da Instituição, com laboratórios que contam com equipamentos de última geração. Ali os cientistas desenvolvem atividades de pesquisa básica-translacional - que leva o conhecimento científico aos ambulatórios, centros cirúrgicos e ao leito do paciente - em conjunto com o corpo clínico e assistencial. 

Organizado em grupos de pesquisa integrados à equipe de especialistas da Instituição, o CIPE atrai convênios com instituições internacionais de referência, conduzindo inúmeros projetos de vanguarda nas áreas de biologia celular e molecular, patologia molecular e genética e genômica do câncer. 


PESQUISA BÁSICA, TRANSLACIONAL E CLÍNICA - Com o foco em ampliar o entendimento sobre os mecanismos associados aos processos tumorais , assim como em promover inovação por meio de diagnósticos mais precisos e tratamentos mais eficazes, personalizados e que proporcionam melhor qualidade de vida aos pacientes com câncer, o A.C.Camargo Cancer Center atua nas áreas de pesquisa básica, translacional e clínica.

Além de parcerias e acordos de colaboração com os principais centros oncológicos e acadêmicos internacionais, as pesquisas contam com o fomento da FAPESP, do CNPq, de programas governamentais como o PRONON. 

A atuação em Pesquisa Básica ocorre por diferentes grupos de cientistas que trabalham em laboratórios estudando tecidos tumorais, células, moléculas e microorganismos (vírus, bactérias, entre outros), com o objetivo de entender os mecanismos e vias pelos quais os tumores surgem, progridem e disseminam (metástases), identificando assim, por exemplo, potenciais biomarcadores de diagnóstico, de prognóstico e de resposta ao tratamento. 

Esse conhecimento adquirido na Pesquisa Básica pode ser transferido para a prática clínica, consolidando assim a chamada Pesquisa Translacional, que consiste na utilização do conhecimento molecular dos mecanismos relacionados ao processo tumoral para resolver problemas reais da rotina clínica. 

Já a Pesquisa Clínica consiste nos estudos que podem ter parceria da indústria farmacêutica e são conduzidos com pacientes que investigam, por exemplo, novas medicações, técnicas cirúrgicas e procedimentos. Os estudos clínicos são conduzidos em três e/ou quatro fases, onde se testa a toxicidade em humanos (fase 1), a segurança e a eficiência em alguns casos (fase 2), a eficácia comparada ao que já existe de padrão (fase 3) e na fase 4 seguem-se os estudos com grandes populações quando os tratamentos já estão disponíveis comercialmente. "O cumprimento desse rito, apesar de longo e rigoroso, é essencial para que se leve as descobertas científicas ao paciente promovendo a melhor Medicina, que é a alicerçada por protocolos baseados em evidência cientifica", avalia Vilma Martins. 

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