Ressonância magnética auxilia na identificação do prognóstico do
câncer de mama em mulheres jovens
Ressonância magnética auxilia na identificação do prognóstico do câncer de mama em mulheres jovens


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Publicada na revista Scientific Reports, a análise ratificou a eficiência do Centro de Referência em Tumores de Mama do A.C.Camargo Cancer Center

É fato notório que o câncer de mama é o tipo que tem maior incidência em mulheres no Brasil e no mundo. Costuma ocorrer após os 45 anos, mas, apesar de não ser comum, ele também pode ser diagnosticado antes dos 40, algo que requer uma investigação mais aprofundada. Daí o enfoque de um estudo inédito realizado no A.C.Camargo, Prognostic Significance of Preoperative MRI Findings in Young Patients with Breast Cancer (Valor Prognóstico da Ressonância Magnética Pré-Operatória em Pacientes Jovens com Câncer de Mama).

Esse trabalho, que foi publicado no periódico Scientific Reports, envolveu 92 mulheres com menos de 40 anos que receberam um diagnóstico de carcinoma invasivo de mama entre 2008 e 2012. 

Além do autoexame, a mamografia periódica é fundamental para detectar lesões que ainda não são palpáveis, mas é menos corriqueiro que mulheres jovens façam a prevenção com frequência, mesmo quem tem histórico familiar. 

“A incidência de tumores em jovens é baixa, mas não inexistente. E eles podem ser mais agressivos. Há uma porcentagem maior de subtipos de pior prognóstico entre as jovens”, explica a head do Departamento de Mastologia do A.C.Camargo Cancer Center, Fabiana Makdissi, coautora do estudo. “Geralmente, essas pacientes já chegam aos médicos com tumores de maior dimensão, com mamas muito densas, o que dificulta a eficiência da mamografia”, afirma a especialista, em referência à mamografia apresentar menor precisão devido à maior densidade do parênquima mamário. 

Essas mulheres normalmente fazem a ressonância como parte do planejamento do tratamento, é algo pré-operatório, não faz parte da rotina de prevenção. “Assim, o objetivo da pesquisa era avaliar o valor prognóstico das informações obtidas no exame de ressonância das mamas em pacientes jovens diagnosticadas com a doença”, diz o autor do estudo, Almir Bitencourt, médico titular do Departamento de Imagem do A.C.Camargo Cancer Center. 

 

Pioneirismo 

Não havia trabalhos na literatura que estabelecessem uma correlação entre os achados da ressonância e o prognóstico dessas pacientes, o que legitima ainda mais o valor dos resultados da pesquisa.

“Demonstrou que as jovens com câncer de mama que apresentam um tipo de lesão específico na ressonância, o realce não-nodular, têm pior sobrevida que as pacientes que não apresentam este tipo de lesão”, analisa Almir Bitencourt. “Foi o primeiro trabalho que demonstrou que a ressonância pode fornecer informações prognósticas importantes para esse grupo”, emenda.

O A.C.Camargo Cancer Center, que conta com um Centro de Referência em Tumores de Mama, reforça a importância da ressonância. “O exame pareceu ser um biomarcador prognóstico para mulheres jovens”, diz Fabiana Makdissi. “Vale ressaltar que não são todos os centros médicos que oferecem a possibilidade do exame como recurso auxiliar na detecção do câncer de mama”, conclui a médica.