Radioterapia lattice:
tratamento inovador
na América Latina
Radioterapia lattice:
tratamento inovador
na América Latina

Publicado em: 06/01/2020 - 17:21

Com uma dose adicional de radiação, terapia pode trazer novas perspectivas de controle para tumores considerados grandes e sem tratamento

A detecção precoce do câncer é um dos fatores primordiais para que o tratamento do paciente tenha maiores chances de sucesso. Mas, tumores em estágios avançados e volumosos apresentam-se como verdadeiros desafios para a oncologia, principalmente quando a cirurgia não é possível e o tratamento com quimiorradioterapia convencional tem eficácia limitada.
Para estes casos, a radioterapia lattice – tratamento inovador na América Latina e disponível no A.C.Camargo Cancer Center, pode apresentar resposta clínica melhor e possibilitar nova oportunidade de tratamento.

Como é feita a radioterapia lattice

A radioterapia lattice consiste na aplicação de uma dose alta e adicional de radiação como reforço ao tratamento convencional de radioterapia. Mas, essa terapia é recomendada para casos específicos. “O lattice é indicado para pacientes com tumores grandes e sem possibilidade de cirurgia ou para casos em que falharam os tratamentos convencionais com quimioterapia e radioterapia”, explica Dr. Antonio Cassio Assis Pellizzon, head da radioterapia.

O médico explica que, ao fazer o planejamento da radioterapia, é utilizado um sistema de coordenadas extremamente preciso chamado IMRT. “Com esse sistema, fazemos o planejamento de diversos ‘pequenos volumes’ no interior do tumor para marcar os locais onde serão aplicadas as doses mais altas de radiação, enquanto as outras partes receberão a dose convencional indicada. Lattice, do inglês, significa ‘grade’ ou ‘treliça’. O tratamento tem esse nome porque o planejamento destes pontos forma uma imagem que lembra uma grade”, comenta Dr. Cassio.

Pacientes elegíveis

O protocolo terapêutico do lattice é recomendado para pacientes maiores de 18 anos e portadores de tumores primários ou metastáticos com volume superior a 40 centímetros cúbicos (tamanho semelhante a uma ameixa, por exemplo).

Além das características citadas, o tratamento é aplicável para tumores no pulmão, pâncreas, colo e corpo de útero, cérebro, sarcomas retroperitoneais e de extremidades, rim, melanoma e cabeça e pescoço.

Benefícios

Segundo Dr. Cassio, o principal benefício da radioterapia lattice é a ativação do sistema imunológico para combater o tumor. “Ao aplicar altas doses de radiação nos pontos criados, ocorre uma mudança no microambiente do tumor, que leva células do sistema imunológico a atacar o câncer, inclusive nas zonas tumorais que receberam doses menores. Com o sistema de defesa ‘ativado’ contra o tumor, metástases ou células cancerosas que estão circulando no sangue também poderão ser atacadas pelo efeito imune produzido pelo lattice”, explica.

Apesar das altas doses de radiação como reforço, o lattice não apresenta efeitos colaterais além dos que são esperados para o tratamento convencional. “Não podemos aplicar uma dose alta de radiação no volume total de um tumor grande para não exceder o limite recomendado para cada órgão. Mas, ao criar os pontos específicos, não há aumento da toxicidade, os efeitos colaterais são os mesmos e, principalmente, um paciente em tratamento paliativo poderia ter seu quadro revertido para um tratamento curativo. Os ensaios clínicos em fase inicial mostraram sucesso notável, com algumas taxas de resposta maiores que 90% e toxicidade mínima”, conta Dr. Cassio.

Disponibilidade

A radioterapia lattice está disponível no A.C.Camargo Cancer Center. Porém, ainda não consta no rol de procedimentos com cobertura pelos planos de saúde.

Tecnologia para o tratamento

O lattice não requer nenhum tipo de equipamento além dos que costumam ser utilizados na radioterapia convencional: o diferencial é a capacitação de profissionais experientes em radioterapia.

Para proporcionar o lattice aos pacientes do A.C.Camargo Cancer Center, Dr. Cassio fez um curso no Innovative Cancer Institute, em Miami (EUA). “Ainda não existiam profissionais na América Latina capacitados para o tratamento. É uma inovação que estamos trazendo para nossos pacientes, uma nova oportunidade principalmente para aqueles em tratamento paliativo e que não responderam a formas convencionais de tratamento. Esses são os melhores candidatos ao lattice”, finaliza Dr. Cassio.
 

Imagem de planejamento da radioterapia lattice
A imagem mostra o planejamento da radioterapia lattice para um tumor no pescoço (destacado em verde). Os pontos em amarelo e vermelho ​​​mostram onde serão aplicadas as doses de reforço de radiação