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ASCO 2019: Pesquisadores evidenciam relação entre as células tumorais circulantes e a resposta ao tratamento de câncer de cabeça e pescoço
ASCO 2019: Pesquisadores evidenciam relação entre as células tumorais circulantes e a resposta ao tratamento de câncer de cabeça e pescoço


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Pesquisadores evidenciam relação entre as células tumorais circulantes e a resposta ao tratamento de câncer de cabeça e pescoço

Publicado em: 03/06/2019

Estudo apresentado no congresso por profissionais do A.C.Camargo também avaliou o período livre de progressão e a sobrevida global

Apresentado em Chicago no Congresso anual da ASCO – sigla em inglês para a Sociedade Americana de Oncologia Clínica –, um trabalho desenvolvido por pesquisadores do A.C.Camargo evidencia a relação entre a quantidade de células tumorais circulantes (CTCs) e a resposta ao tratamento apresentada por pacientes com câncer de cabeça e pescoço. Os autores avaliaram também o período livre de progressão e a sobrevida global.

O pôster Prognostic Impact Of Baseline Circulating Cells (CTCs) Detected By The Isolation By Size Of Epithelial Tumor Cells (Iset) In Locally Advanced Head And Neck Squamous Cell Carcinoma (LAHNSCC): Results Of A Prospective Study traz os resultados da análise de CTCs provenientes de amostras de sangue de 83 pacientes tabagistas – 69 homens e 14 mulheres. Todos eles portadores de tumores primários de orofaringe, cavidade oral, laringe e hipofaringe.

“O objetivo foi avaliar o impacto prognóstico da análise de CTCs em pacientes com tumores de cabeça e pescoço não metastáticos, porém localmente avançados, em estágios III e IV”, explica o oncologista clínico Thiago Bueno Oliveira, principal autor deste trabalho translacional, ao lado da pesquisadora Ludmilla T.D. Chinen.  

Foi utilizada, após a coleta de sangue, a técnica de isolamento das células epiteliais do tumor por tamanho (ISET) para a contagem e a caracterização das CTCs. Essas células tumorais circulantes foram definidas de acordo com os critérios citopatológicos: tamanho e tipo de contorno do núcleo da célula, presença de citoplasma visível e escasso e exame de imunocitoquímica negativo para CD45. 

Os pacientes foram divididos em dois grupos, ambos com indicação de tratamento com opção de cura. Um grupo passou por cirurgia e radioterapia adjuvante (com a contagem de CTCs sendo feita antes da radioterapia). No outro grupo ficaram os pacientes candidatos a estratégias não-cirúrgicas (tumores inoperáveis ou passíveis de serem preservados), com radioterapia inicial concomitante com quimioterapia (cisplatina) ou cetuximabe (inibidor de EGFR). 

Resultados

A taxa de detecção de CTCs foi de 94% (em 78 de 83 pacientes) e as contagens dessas células presentes na circulação foram significativamente correlacionadas à sobrevivência. 

No grupo tratado com uma abordagem não-cirúrgica, para cada aumento de uma CTC por ml de sangue no início do estudo, houve um aumento relativo de 18% no risco de morte e de 16% no risco de progressão, além de redução de 26% nas chances de resposta completa ao tratamento. Na mediana das análises, os pacientes apresentaram 3,5 CTCs por ml. 

“Queremos tornar o tratamento cada vez mais personalizado e eficaz. Quando sabemos quais pacientes têm risco aumentado de progressão da doença, podemos optar por um tratamento sistêmico com medicações mais potentes”, afirma Bueno. 

Além de Ludmilla Chinen e Thiago Bueno, o estudo contou com a participação das biólogas Alexcia Camila Braun e Emne Abdallah, dos oncologistas clínicos Ulisses Ribaldo Nicolau e Victor Hugo Fonseca, do cirurgião oncológico e diretor de cabeça e pescoço, Luiz Paulo Kowalski, da enfermeira Vanessa Silva Alves e do estatístico Vinícius Calsavara, todos do A.C.Camargo Cancer Center.