Julho Verde: mitos e verdades sobre o câncer de cabeça e pescoço
Julho Verde: mitos e verdades sobre o câncer
de cabeça e pescoço

No mês de conscientização por conta desses tumores, especialista do A.C.Camargo desmistifica dúvidas variadas sobre o tema 

Os tumores de cabeça e pescoço representam o nono tipo de câncer mais comum no mundo, de acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS).

Incluindo todas as áreas da cavidade oral, como a língua e boca, e órgãos como laringe, faringe, seios paranasais, cavidade nasal e glândulas salivares, aproximadamente 700 mil novos casos são registrados anualmente.

No cenário brasileiro, segundo o INCA, estima-se que houve em 2018 31.980 novos casos.

Esses são alguns dos pontos que deixam o Julho Verde ainda mais relevante. Trata-se de uma campanha nacional de conscientização e prevenção do câncer de cabeça e pescoço, nome dado a um conjunto de tumores que afetam regiões da boca, faringe, laringe, cavidade nasal e seios paranasais, glândulas salivares e tireoide.

A seguir, para abrir uma série de conteúdos que serão publicados neste Julho Verde, confira nove mitos e verdades sobre tumores de cabeça e pescoço selecionados por Luiz Paulo Kowalski, head do Departamento de Cirurgia de Cabeça e Pescoço.

 

1. O câncer não apresenta dores imediatas? Verdade

Trata-se de uma doença com caráter assintomático em seus primeiros estágios, confundida com uma série de enfermidades comuns, como gripe ou faringite. Muitos pacientes demoram a consultar um especialista por tentar justificar os próprios sintomas, mesmo que persistam por bastante tempo. Essa situação dificulta o diagnóstico precoce - que proporciona grandes chances de sucesso no tratamento. Portanto, é preciso um cuidado especial com feridas na boca, rouquidão ou inflamações que durem mais de duas semanas sem apresentar quadros de melhora, após seguir recomendações médicas.

 

2. Consultar-se sempre com o mesmo especialista pode ajudar em um diagnóstico mais precoce? Verdade

Mesmo após uma primeira consulta, quando os sintomas persistem, alguns pacientes buscam a opinião de outro médico. Por "começar do zero", este profissional pode também não encontrar a verdadeira causa desses sintomas - principalmente em caso de câncer, de caráter assintomático inicialmente e que necessita de um acompanhamento mais próximo e constante do médico.

A opinião de outro especialista, porém, é sim saudável: o problema é a alteração constante, em busca de um diagnóstico favorável ao que o paciente deseja ouvir. O conhecimento individual do caso pode colaborar para que o médico solicite exames mais apropriados e realize uma análise específica do paciente.

 

3. A queda do número de fumantes diminuiu os casos de câncer? Mito

Reconhecido como um dos principais fatores de risco para tumores na cavidade oral, a diminuição de fumantes no Brasil não determinou o mesmo efeito para a incidência do câncer. Isso porque, apesar desse hábito ter diminuído, aumentou o número de casos relacionados ao papilomavírus humano (HPV), decorrente do ato sexual sem proteção, resultando em um crescimento de pacientes com tumores na cabeça e no pescoço sem histórico de tabagismo ou etilismo.

 

4. O consumo em excesso de carne vermelha pode aumentar o risco de desenvolvimento de câncer na região? Verdade

Ingerir diariamente carne vermelha em grandes quantidades pode predispor a um tumor na boca ou garganta, principalmente quando preparada em churrasqueiras, uma vez que o carvão utilizado contém elementos carcinogênicos. O consumo ideal de carne é de 2 a 3 vezes por semana e recomenda-se variar a forma de preparo, além de incluir bastante salada na alimentação.

 

5. Alimentação rica em frutas e verduras pode ser fator de proteção? Verdade

Uma dieta com predominância de frutas cítricas e vegetais verdes, por exemplo, pode proteger diversos tipos de câncer, como os de cabeça e pescoço. Bebidas naturais, como chá verde, açafrão e própolis, também podem ser importantes fatores de proteção contra esses tumores, devido à presença de antioxidantes, componentes capazes de evitar a formação de lesões e tumores nas células.

 

6. Câncer na boca pode ser causado pelo uso de próteses dentárias? Mito

A utilização de próteses dentárias não provoca câncer. Porém, caso esteja solta e machuque continuamente a boca, pode causar um traumatismo crônico, lesão com possibilidade de predispor ao câncer. A boca deve ser higienizada corretamente, pois, de acordo com algumas pesquisas, a gengivite crônica pode acumular bactérias com potencial carcinogênico. No entanto, não há ligação entre cáries e câncer.

 

7. Enxaguantes bucais têm relação com a formação de tumores na boca? Verdade

A utilização de enxaguantes bucais com álcool em sua composição pode aumentar a incidência de câncer. Isso ocorre com o uso diário e em longo prazo, pois o álcool pode eliminar bactérias protetoras da boca e facilitar a proliferação de substâncias maléficas ao organismo.

 

8. A cirurgia de retirada da laringe impede que o paciente volte a falar? Mito

Atualmente, há métodos que permitem ao paciente laringectomizado a oportunidade de novamente se comunicar pela voz. A prótese traqueosofágica possibilita a fala para 90% dos operados e traz bons resultados em qualidade do som e tempo de fonação. Alternativas como a eletrolaringe e a voz esofágica, técnica em utilizar o esôfago para a produção de som, também são oferecidas ao paciente, permitindo maiores chances de sucesso na reabilitação pós-cirúrgica.

 

9. O câncer de cabeça e pescoço é uma doença exclusivamente masculina? Mito 

Décadas atrás, os homens eram mais acometidos por tumores na região da cabeça e pescoço, por representarem maior número de fumantes. No entanto, a proporção, outrora dividida em torno de 90% masculina e 10% feminina, hoje está igualada. A maior presença do tabagismo entre as mulheres, além do aumento da incidência de câncer de tireoide (causado principalmente por variações hormonais, mais constantes em organismos femininos) são as principais causas dessa mudança. A consulta com um especialista, a realização de exames periódicos e os cuidados com a saúde devem, portanto, ser realizados por ambos os sexos.