Dia Nacional da Saúde
(5/8): um guia de prevenção
Dia Nacional da Saúde
(5/8): veja um guia de prevenção contra o câncer

Publicado em: 05/08/2019

Saiba como cada faixa etária pode reduzir os riscos de tumores 

A Organização Mundial da Saúde (OMS) informa que mais de 14 milhões de pessoas desenvolvem câncer todos os anos e esse número pode ultrapassar 21 milhões de pessoas em 2030.  Atualmente, diz a OMS, 8,8 milhões de pessoas morrem de câncer, a maioria em países de baixa e média renda. Entre eles, o Brasil, que assiste os números da doença em expansão.

"Esta realidade só irá melhorar com uma mudança importante nos hábitos da população, entre eles prevenção, cuidado maior com o diagnóstico precoce e acesso a informações corretas que envolvem o câncer", afirma o cirurgião oncológico Thiago Chulam, especialista em prevenção e head de Medicina Comunitária e SUS do A.C.Camargo Cancer Center. "Há estudos que mostram que o câncer pode ser evitado através de dieta, atividades físicas e manutenção de peso corporal saudável. Seria cerca de 32% de casos a menos para o Reino Unido, 25% para o Brasil e 24% para a China". O médico também reforça os males do consumo do tabaco, das bebidas alcoólicas, da exposição prolongada ao sol e ao vírus HPV.

De acordo com ele, o consumo de tabaco é uma das grandes causas de mortes por câncer em todo o mundo, atingindo 22%. As substâncias do cigarro estão associadas ao risco aumentado não só do câncer de pulmão, mas também dos cânceres de boca, laringe, faringe, esôfago, pâncreas, bexiga, rim, colo do útero, estômago e leucemia mielóide aguda (LMA). Já as bebidas alcoólicas estão ligadas ao aumento no risco de sete tipos de câncer: boca, faringe, laringe, esôfago, fígado, mama e pâncreas.  

O câncer de pele tem forte associação com a exposição solar e, entre os diversos tipos, estão o melanoma que, embora seja menos comum, é o de maior mortalidade. O Instituto Nacional do Câncer (INCA) estima cerca de 6 mil novos casos de melanoma por ano no Brasil. Para prevenir a doença recomenda-se o uso de protetor solar, com no mínimo fator 30, diariamente, e evitar a exposição solar prolongada entre 10h e 17h.

A vacinação também é outro elemento importante no combate ao câncer. No caso do HPV, o Papiloma Vírus Humano, o alerta é referente ao aumento de incidência de câncer de colo de útero e de garganta entre jovens. Além da vacinação contra o vírus, eles ainda precisam adotar as medidas preventivas como sexo seguro, ou seja, o uso de preservativo. Pesquisa do Ministério da Saúde indicou que 54,6% dos brasileiros entre 16 e 25 anos estão infectados com o HPV. Estudo publicado pelo A.C.Camargo Cancer Center mostra que um em cada três tumores de boca em adultos jovens tem associação direta com o HPV, chegando a 80% nos casos de câncer de amígdala. Outra vacina de extrema importância na prevenção do câncer é contra a hepatite B, já que a doença aumenta as chances de desenvolvimento de câncer no fígado.

Para facilitar a compreensão da doença, suas causas e conscientizar sobre a importância da prevenção, o A.C.Camargo mostra que a essa atenção precisa começar desde o período da gestação e amamentação, quando a mãe também se beneficia, aumentando sua proteção contra o câncer de mama.

Veja abaixo um guia, dividido em faixas etárias, que exibe as medidas que podem ser tomadas para as prevenções primária e secundária.

 

Cuidados para cada fase da vida

Bebê

Os tumores infantis têm pouca ligação com fatores ambientais e, dificilmente, podem ser prevenidos. No entanto, algumas medidas ainda na infância colaboram para que a criança não desenvolva o câncer ao longo da vida.

Nessa fase, a recomendação mais importante está ligada à vacinação. A vacina de hepatite B, por exemplo, deve ter a primeira dose administrada nas primeiras 12h de vida do bebê. A segunda dose é dada aos 2 meses e a terceira aos 6 meses. Além de prevenir a hepatite B, ela ajuda na prevenção do câncer de fígado. A partir dos 6 meses ainda é recomendado o uso de protetor solar. Antes deste período, a exposição pode ocorre até 8h da manhã e depois das 17h, mas com métodos de barreiras, como roupas e chapéus.

Crianças

A Organização Mundial de Saúde (OMS) estimula a oferta de uma dieta equilibrada e exercícios físicos para crianças com o objetivo de atuar não só na fase infantil, mas também na adulta, evitando a obesidade e diminuindo o risco de desenvolvimento de diversos tipos de tumores.

"É importante ressaltar que estamos falando de prevenção. O consumo de alimentos funcionais como hortaliças, frutas, cereais e grãos integrais, por exemplo, somado a prática de atividade física e controle do peso tem sim um papel significativo em redução de surgimento de câncer de mama, de próstata, de intestino, de estômago, de pulmão, entre outros de alta incidência na população mundial", destaca o doutor Thiago Chulam.

Ainda no tema alimentação é importante reforçar que a OMS já classificou a carne processada - bacon, linguiça, salsicha, carne seca, entre outras - como alimento que contribui para o aparecimento de câncer, em especial o de intestino.

Adolescência

De acordo com o Estatuto da Criança e do Adolescente, esta fase acontece dos 12 aos 18 anos. Trata-se de uma idade de descobertas, mudanças significativas no corpo que precisam ser acompanhadas pelos responsáveis e profissionais de saúde.

No caso das meninas, ocorre a primeira menstruação e muitas vezes o início da vida sexual. Neste caso, um acompanhamento com o médico ginecologista esclarece dúvidas e diminui a incidência de doenças sexualmente transmissíveis, como o HPV, que pode causar lesões precursoras de câncer de colo de útero, garganta ou ânus. A vacina contra o vírus também é fundamental e é ofertada gratuitamente no Sistema Único de Saúde (SUS) para meninas de 9 a 15 anos e meninos de 11 a 15 anos incompletos. O ideal é que ela seja administrada antes do início da vida sexual.

Fase adulta

Na chamada fase adulta jovem (21 aos 30 anos), boa parte das mulheres já possui vida sexual ativa, por isso o acompanhamento anual do exame de Papanicolau deve acontecer. Esse é o principal exame para diagnóstico precoce do câncer no colo do útero.

A partir dos 30 anos, recomenda-se para homens e mulheres a pesquisa de sangue oculto nas fezes para detecção precoce de pólipos intestinais. Se identificadas as alterações o paciente deverá fazer exames como a colonoscopia, que permite visualizar o interior do intestino e identificar a possível presença de pólipos ou tumores em estágio iniciais.

Aos 40 anos, homens e mulheres que estão na chamada fase de adultos de meia idade, quando a incidência de tumores começa a aumentar e, por isso, precisam iniciar exames que deverão ser feitos com regularidade pelas próximas décadas. Recomenda-se que as mulheres façam a mamografia anualmente como prevenção para o câncer de mama, um dos mais comuns no sexo feminino. Se houver casos de câncer na família, a investigação começa mais cedo. 

Já os homens precisam realizar o exame para detectar o câncer de próstata (uma glândula masculina que envolve a uretra e produz o líquido prostático, que vai compor o sêmen): toque retal (palpação da superfície da próstata para detectar nódulos suspeitos) e o exame de sangue dosando o PSA (antígeno prostático-específico), substância produzida pela próstata normal, mas em concentrações maiores quando o câncer está presente.

A partir dos 50, homens e mulheres que fumam mais de um maço por dia ou que deixaram de fumar há menos de 15 anos devem fazer uma tomografia computadorizada como exame de rastreamento para câncer de pulmão. Já para aqueles que também bebem, há o risco maior de câncer de boca. Neste caso recomenda-se atenção a sinais de alerta como ferida na boca que não cicatriza (sintoma mais comum) ou nódulo e o exame da cavidade oral após consulta com especialista.

Também nesta faixa etária é indicado que ambos façam a colonoscopia, que permite detectar lesões e doenças inflamatórias atuando na prevenção do câncer de cólon. Se não apresentar nenhuma alteração, o exame deve ocorrer a cada cinco anos. Outros exames de rastreamento podem ser indicados pelo médico de acordo com a análise do histórico familiar e as queixas de cada paciente.